Os 5 filmes brasileiros que a Gabriela Alcântara acha que você deveria ter visto em 2011

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Como já virou tradição por aqui, chegou
a minha vez de fazer a lista de filmes que você deveria ter visto em 2011. Não vou dizer que são os melhores, porque essas listas são uma coisa bem pessoal, e por enquanto sou a única fazendo a lista de cinema por aqui. De qualquer maneira, entre curtas, médias e longas, fiz um apanhado de dez produções, divididas entre brasileiras e gringas, que não deveriam ter passado em branco para quem curte cinema.

Abaixo a primeira parte da lista, com os cinco filmes brazucas. Em termos de estreias esse foi um ano um tanto quanto fraco para o cinema independente brasileiro, que, como sempre, teve que lutar contra as grandes produções. Entre os filmes listados abaixo, apenas um alcançou os cinemas multiplex, enquanto os outros foram vistos em cinemas de bairro e festivais.
O Palhaço - Dir.: Selton Mello: Desde minha primeira lista, acho interessante colocar um filme que, por mais que aparente ser mainstream, vem de uma produção pequena, e luta para alcançar seu lugar na grade dos cinemas brasileiros, direcionando também o público para outros olhares. Em seu segundo longa, Selton batalhou contra a histeria de Amanhecer, mas se saiu bem, graças ao peso de seu nome e dos grandes atores a que presta homenagem, como Paulo José. Lúdico e simples, ele traz sim alguns erros em seu roteiro, mas consegue conquistar desde as donas de casa até os grandes críticos, como Inácio Araújo.




Mens Sana In Corpore Sano - Dir.: Juliano Dornelles: Premiado este ano em Locarno, o curta de Dornelles tem um impacto visual extremamente forte. Flertando com o terror e a ficção científica, o espectador ora admira a plasticidade presente na cena, ora sente repulsa. Inquietante, o curta aborda o fisiculturismo e os limites do homem e sua mente, face às suas ambições. Uma homenagem à beleza contida nos clássicos grotescos, ele traz ainda uma influência clara de Cronenberg, e no conflito entre corpo e mente, presente em suas obras. Arrebatador e com um certo humor negro, não é à toa que Mens Sana vem conquistando os festivais por onde passa.




As Canções - Dir.: Eduardo Coutinho: Existe alguma coisa que desperte mais memórias do que música? O ser humano está lá, vivendo sua vida, e de repente o rádio de pilha começa a tocar os acordes. Pronto. Adicione isso à incrível (e aparentemente infinita) capacidade do mestre Coutinho de encontrar personagens e histórias tocantes, e você não precisará de mais nada. Dizer que o documentário de Coutinho é simples chega a beirar o óbvio, porque são pessoas, sentadas numa cadeira, diante de um fundo preto. Pessoas e suas histórias, e suas canções, que também são nossas. Genialmente simples.



Daquele Instante Em Diante - Dir.: Rogerio Velloso: Para quem conhece um pouco do trabalho de Itamar Assumpção, é desnecessário dizer o quanto ele é impactante. Para quem não conhece, por favor, trate de conhecer. Quanto ao filme, vale a mesma lógica. O Paulo falou aqui no Alt e eu assino embaixo: Nego Dito, Beleléu, tanto faz o nome, só não deixe de assistir. Um homem-persona, Itamar não cabe na tela, e as poucas horas que o espectador tem diante do que ele foi despertam a vontade de já sair da sessão ouvindo um de seus discos. Assim como não se passa incólume pela música de Itamar, não há como sair ileso desse documentário.





O Céu Sobre Os Ombros - Dir.: Sergio Borges: Sincero, e ignorando todas as barreiras entre ficção e documentário, o longa nos apresenta a três incríveis e cativantes personagens. A poesia e a naturalidade com que se desenvolvem diante da câmera, interpretando a si mesmos, emociona. A experiência que Borges nos proporciona neste trabalho está presente em poucos filmes atuais, exatamente por sua ousadia ao seguir uma linha tanto minuciosa quanto simples. A leveza e a densidade do céu são transportadas para fora da tela, tragando o espectador.

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