Os 5 melhores discos nacionais e um dos gringos que Diego Albuquerque ouviu no ano de 2011...

por - 18:15


Listas nada mais são do que o exercício de seu individualismo, o momento que você tenta expor sua opinião para as outras pessoas. Digo que você tenta porque normalmente ela vem atrelada a algumas regras, a principal talvez seja a quantidade ou número máximo que possa ser posto nesta lista. Antes de falar do meu top 5 de discos nacionais é preciso deixar claro que 2011 foi bastante linear, poucos registros se tornaram unanimidades neste ano. Sendo bem sincero achei 2011 fraco quando se pensa em inovação na música brasileira, inclusive a maior unanimidade do ano para mim é um retrocesso. O Criolo fez um disco bom, muito bem elaborado e com boas letras, mas mesmo dentro do trabalho dele é um atraso, em minha opinião o primeiro disco do músico é melhor em dois pontos principais, letras e autenticidade do artista.  Outros lançamentos que poderiam ter aparecido por aqui e não estão,  deve-se ao fator tempo, Bonifrate e Mopho fizeram dois belos discos e merecem ser citados, em outros tempos entrariam na minha lista, mas eu não tenho mais interesse na verve psicodélica apresentada como tive em outros momentos da minha vida. Mais uma vez, sou responsável por fechar as listas dentre os participantes que são integrantes deste e dos Hominis Canidaes. Segue então cinco dos melhores discos que escutei no ano de 2011, sem ordem de relevância, e um dos gringos...



 ruído/mm - Introdução à cortina do sótão: ótima banda de curitiba numa sequência constante de bons registros, mesmo com um som bastante mutante entre os discos. Neste novo álbum (o terceiro da banda), a sonoridade do grupo muda e a qualidade no trato dos detalhes só aumenta. A linha do rock instrumental com guitarras pesadas continua presente, porém somado a pianos e melodias mais quebradas, com um pé no jazz e até com referências na melancolia do tango e compassos de valsa. Uma das bandas que mais tenho curiosidade de ver ao vivo do Brasil, destaques para "Valsa dos Desertores", mas o registro todo é bem foda e merece ser melhor apreciado.



Kiko Dinucci, Juçara Marçal, Thiago França - Metá Metá: Síntese majestosa entre três músicos – Kiko Dinucci, Juçara Marçal e Tiago França – o Metá Metá é um álbum com a força dos orixás. Simples e bem trabalhado, o disco passeia entre histórias sobre a alma do homem – com momentos lúdicos, como em Umbigada, ou dolorosos, como na marcante e poética Trovoa – e suas divindades, louvando-as nas belíssimas Oranian, Obá Iná, Obatalá e Ora Iê Iê Ô. Acho que é o registro que mais representa a verdadeira música popular brasileira do ano de 2011.


 Satanique Samba Trio - Bad Trip Simulator #1: grupo de música livre da cidade de Brasilia, entrou novamente no meu top5 com a segunda parte de uma trilogia (eu sei que tem #1, mas é a parte 2, ordenar números é uma prática cristã e não queremos isso né?!). É incrivel como uma banda consegue se reinventar, sempre tentando demonstrar toda sonoridade contida na música brasileira. É uma aula de qualidade e ritmos misturados e de dificil rotulação, assim como quase tudo que a banda faz. Percussões e instrumentos de cordas alinhados e entrosados, mesmo em compassos quebrados e melodias tortas como em "Afro - Sinistro", usem capacete pra ouvir...

Ekundayo - Ekundayo: registro bilingue, mas que teve raizes no Brasil, com maioria de integrantes nacionais, como Naná Vasconcelos, Guilherme Granado, m.takara, R. Brandão e Lurdez da Luz. Junto com eles os gringos Rob Mazurek, Mike Ladd e Scott Hard, misturam o tal jazz e improviso experimental com o afrofuturismo percursivo da música sem amarras de Naná e muito hip hop por parte dos mcs. As letras são carregadas de críticas sociais, tanto na politica quanto no modo de vida dos integrantes e que funciona bem como exemplo do país. A parte instrumental é absurda, eletrônico, percussão e o sopro do Mazza se ligam de forma impressionante, destaque para "Just Love", boa viagem!

MarginalS - Disco sem nome: eis aqui o trio MarginalS, formado pelos músicos Thiago França (saxofone, flauta), Marcelo Cabral (baixo) e Tony Gordin (bateria) numa sessão musical de improviso absurda e genial. Eu nem sei se isso saiu no formato fisico, mas queria a bolachinha, o show deve ser um lance fora do comun. Tem Jazz, tem MPB, tem sobreposição de instrumentos, a melhor parte é que não tem guitarra. O registro nacional mais nervoso do ano, com sobras!

E agora uma sugestão de disco gringo, pra não dizer que não falei de rock...

Mastodon - Hunter: confesso que quando o novo disco da banda americana de metal/ stoner rock Matodon saiu eu falei mal, disse que tava pop e amansado, que a banda queria o e$trelato, mas quem não quer?! Hoje digo que se não é o melhor disco da banda, é o mais bem feito e trabalhado. Todos os intrumentos tem o seu lugar, tudo de maneira simples e brutalmente arranjados. A bateria é destruidora quando tem que destruir, as guitarras e solos fazem a ponte de melodia para que tudo soe de maneira perfeita. O vocal, se não tão gritado como em outros registros, se tornou limpo e adequado, com boas letras e momentos rasgados excelentes, como em "Blasteroid", tá uma coisa linda o disco!

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3 comentários

  1. >man, fiquei muito feliz de ver o Metá e o MarginalS aqui nessa lista tão seleta! O play saiu em CD sim, 100% independente, só tem pra vender nos shows. Apareça quando puder e dê um salve, será muito bem-vindo! abxxx, Thiagosax

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  2. >Me intrometendo... caralho, que disco é esse do MarginalS? Eu não tinha ouvido até ver a lista do Diego, coisa fina pra caralho! Ouvi o Metá com atenção e puts... outro registro do caralho!Você tá em todas, Thiago, hahaha! Baita ano hein?

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  3. >Thiago, moro no Recife, se soubesse que existia cd do MarginalS tinha tentado contato contigo na epoca que voce veio com o Romulo pro Coquetel. Mas ai, no Carnaval voce vem com o Criolo?! Da sinal ai que é nois!

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