"Uma vida extra após 100 moedas gastas"

por - 21:49


Antes de qualquer coisa, foda-se o natal. Pra mim, essa data deixou de ser boa quando parei de ganhar fitas de Super Nintendo, que eram os melhores presentes que ganhei na vida. Surpreendentemente, elas ainda custam o mesmo preço que nos tempos em que eu as ganhava de natal. Naquela época não dava pra comprar um DVD-R de marca altamente duvidosa, gravar um jogo e jogar até os olhos sangrarem como a molecada faz hoje com seus Playstations, Xboxes e Nintendo Wiis. No meu tempo, a gente comprava FITAS. A gente assoprava aquelas merdas quando não funcionavam e tinha que socar no maldito console até funcionar. E se não funcionasse, é porque você socou demais e a fita quebrou. Bons tempos!

Seria hipster demais de minha parte dizer que PONG (aquele jogo que parece proteção de tela do Windows 98) é mais divertido que os videogames de hoje em dia. São jogos diferentes, gente diferente, dinheiro diferente, diferença diferente. Mas não seria tão hipster dizer que os jogos de antigamente eram mais divertidos que os de hoje. Mas aí temos uma margem enorme de possibilidades pra imaginar o porquê disso e elas vão desde a limitação exorbitante até a falta de recursos das épocas passadas. É como dizer que Chaplin dá de dez em muita produção atual do cinema. Dá mesmo, mas é foda comparar tudo o tempo todo.

O mais difícil de comparar esses jogos novos dos antigos é a quantidade de fatores a serem batidos. Por mais interessante que seja jogar um jogo em que o personagem até caga em terceira pessoa, é incontestável que o Super Mario usando sempre o mesmo macacão e boina consigam divertir tanta gente. Eu acho que tecnologia não bate enredo, jogabilidade e diversão, que antigamente eram mais preocupantes que o aspecto do jogo em si. Dou como exemplo clássico o grande companheiro dos anos 90, Sonic. Já parou pra jogar os novos Sonic’s da era Dreamcast pra frente? Eles são horríveis! Cheios de glitches, bugs e uma jogabilidade desnecessariamente dura e chata. Os Sonic’s do MegaDrive eram difíceis, com uma jogabilidade igualmente dura, porém menos complexa e com todos os elementos de cenário que contribuíam para a dificuldade do jogo. Era preciso ter uma puta coordenação motora pra jogar aquilo! Até hoje eu apanho um pouco... não me espanta que tenham parado de fazer jogos assim. É frustrante não passar das fases.

Quando eu digo que poucas coisas me irritam no mundo, estou sendo sincero com você. Uma destas poucas coisas que me tiram do sério é a onda dos jogos educativos. Sério. Por que isso? Jogos foram feitos para distrair, divertir, fazer você agir como um idiota, relaxar, talvez te ensinar a não agir como um idiota muito grande e, no caso do xadrez, pode até te ensinar a ser um general chinês, mas só pra isso. Jogos educativos são como jogos bíblicos e estes dois são como o dente do ciso. Só serve pra apodrecer, te dar dor de cabeça e depois pro dentista arrancar de você aos 18 anos e depois dizer “esse aqui só saiu por causa do alicate”.

E para finalizar, devo completar dizendo que o melhor dos videogames é que eles nos ensinam a matar, roubar, estuprar, comer cogumelos, pular por entre aros dourados, comer bananas vindas de um jacaré humanoide e tudo mais. Como todos nós sabemos, eles são uma fonte de educação e por eu ver um ninja azul arrancando a espinha dorsal de uma pobre mulher de seis braços, eu farei isso com qualquer mulher na rua, certo? Errado. Muito errado, papais e mamães preocupados com a educação de sua prole. Sem mais, grato.



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