Ceticências e o flerte com vários gêneros

por - 18:14



Sejamos sinceros, esse projeto do Cadu Tenorio (Sobre a Máquina) só não abocanhou uma par de lista porque poucas pessoas o conhece de fato. Ceticências é algo torto, meio lo-fi demais, experimental, sombrio e em alguns picos, um pouco Youth Lagoon. Som classe, né, cumpade? Se pá é mais do que isso, no novo disco, Please Don't Be Shy It's Not So Easy But I'll Try, o amadurecimento da banda de um homem só, como alguns chamam esse tipo de artista, fica evidente. Vejam abaixo, com seus próprios olhos e ouçam com seus respectivos ouvidos, né.

Little's Little
é meio dream pop, um experimental, e se você julga pelo início e a atmosfera sombria como 'nada de novo em relação a banda que o cara toca', menos, muito menos. Com o passar do tempo, o som vai tomando forma, uma base meio espacial, cósmica e tudo isso que tentem usar para descrever psicodelia e um barulho doido, lembrando o ouvinte de algo mais Youth Lagoon, principalmente pelo vocal de fundo, leve, calmo, suave... suave, essa é a palavra.

You Are Not Alone
é talvez a faixa mais pop do álbum. Uma batida sutil, entretanto experimental, e espero não precisar repetir essa palavra novamente, da o tom da segunda música do álbum, além de um vocal que surge desde o início, ao contrário da primeira, Little's Little. Você pode sacar um sintetizador de fundo, o tempo todo, acompanhando as palavras ditas em inglês por Cadu.



Se You Are Not Alone é a música mais pop, Try é a mais densa, dark, sons de fundo colocados de uma maneira que se você estiver num estado muito mal, é capaz surtar, entrar, viajar e cair de cabeça em tudo o que é feito aqui. A terceira música de Please Don't Be Shy It's Not So Easy But I'll Try é a que mais lembra um pouco o Sobre a Máquina e olha, eu disse lembra, remete, não que é igual.

Sunshine
é talvez minha faixa predileta, a mais torta e que tem uma mudança de comportamento surreal em apenas 3 minutos, o começo engana, parece outra música puxada para a pegada Dream Pop do disco, mas não, o vocal começa a ficar distorcido com o passar do tempo, ele some, outros elementos entram e a faixa consegue unir tudo o que já foi apresentado até aqui, desde a parte tensa até o dream pop que é colocado de maneira integral só no final da música, já com cerca de 2 minutos de duração.

Bad Trip
, quinta do álbum, novamente mescla, agora mais uma possível melancolia dos dias chuvosos e bonitos, como hoje, pois enquanto escravo o texto, ouço de longe, o barulho da chuva na telha, com a proposta inicial do lo-fi, dream pop, experimental. Nada que possa fazer teu ouvido sangrar, ou fazê-lo ficar surdo sem motivos aparentes.



Agora a capa do disco sem corte





Noite Fria é a sexta e última música do disco e também a mais longe, 13 minutos e meio, praticamente. Mais arrastada que as outras, com um início baixo, só alguns barulhos de fundo, algo que ameaça entrar, mas se mantém constante e estável, sem nenhuma aparição surpresa. Parece um ensaio e uma improvisação sem muita preocupação feita pelo Cadu T., mais uma faixa bônus para você ficar ouvindo e pirando.

Minha consideração final é a de que o Ceticências é um puta projeto legal e que se eu fosse o Cadu, tentaria lançar talvez um full lenght, fazer apresentações e tocar isso para frente, porque puts, foi como disse no início do texto, não faturou umas listas por falta de conhecimento. Ouça com cautela e deixe se embriagar pelas experimentações suaves e tensas ao mesmo tempo (sim é possível) do Ceticências.

Para baixar o álbum em FLAC, acesse o bandcamp.

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