"Coloquio sobre nada em específico"

por - 18:18


Não gosto de comedia stand up, como já disse numa das crônicas já postadas aqui, mas lembro-me de uma vez ter assistido a uma apresentação de George Carlin em que ele dizia que pouca coisa nos diferencia de nossos antecessores da idade média, sendo estas o domínio da energia elétrica e a consciência de que matemática não é bruxaria e, portanto, não pode ser uma atitude condenável. Infelizmente, sou obrigado a concordar parcialmente com ele. Semana passada, não tive como postar a crônica por conta de um problema na rede elétrica de meu bairro. Claro, não que alguém tivesse reclamado da ausência, mas é só pra não pensarem que estou sendo relapso com meus compromissos, porque eu não estou. Não desta vez.

Fiquei em torno de um dia e meio sem qualquer contato com nada elétrico a não ser pelos painéis em neon das ruas e pelo celular, que me deixou na mão graças aos serviços que eu não peço pra serem ativados. Porra, eu queria apenas ligar pra alguém pra dizer o que aconteceu e fui impedido graças ao aplicativo “piadas selecionadas” que comeu meus créditos. Obrigado telefonia celular, por fazer de mim um completo babaca. E as piadas eram de pontinhos. Quem, no auge dos 20 anos, ri de piada de pontinhos.

Depois de passado este percalço no meu fim de semana, fiquei pensando em como o ser humano é frágil com suas perdas e em como ele é preocupado em evitar problemas que ele mesmo causa, ainda que nem tenha sido ele o causador inicial do problema. Digo isso porque a companhia elétrica disse que o problema foi causado por uma batida de carro, que derrubou o poste e explodiu um tal transformador. Achei até fofinho da parte deles. É como se desculpar pelo sorvete derreter na tarde de sol.

Águas passadas. Enquanto fazia minhas leituras, vi uma notícia que dizia respeito de uma tempestade magnética que afetaria celulares, TV a cabo e internet, por conta das ondas de rádio e todo aquele papo de professor de física de cursinho, que usa as calças por cima da camisa e tem cheiro de naftalina. Em leituras mais profundas, descobri que esta tempestade magnética poderia ter destruído a Terra, porque mexeu com o campo magnético dela e poderia ter simplesmente desativado, fazendo se perder a atmosfera e a desestabilização dos polos magnéticos. Enfim, coisa grossa.

Aí você me pergunta o que tudo isso tem a ver com a crônica. Aliás, o que isso tudo tem a ver com o assunto. Ou melhor, sobre o que é isso tudo, afinal? Bom, talvez nada. Achei engraçado como estes dois fatos nos mostram como somos pequenos. Achamos que todos os problemas do mundo são nossa culpa e tentamos compensar fazendo a coisa certa, apesar de que as vezes, as coisas estão tão mais fora de nosso controle que não nos damos conta disso e ainda assim tentamos compensar as coisas, sem sucesso. Acho que esses acontecimentos nos mostram que mesmo dominando a porra toda, estamos a mercê de algo muito maior que nós mesmos. Não, não tô falando de deus nenhum. Tô falando do universo mesmo.

Poderíamos estender este assunto ao aquecimento global, às catástrofes naturais e até mesmo ao fim da moda do piercing no umbigo, afinal nada disso está acontecendo por causa da gente, mas por forças que desconhecemos, porém, que tentamos atribuir culpa a nós mesmos por algo que não faz muito sentido para nós. Não sei se me fiz entender por minhas palavras, mas se não consegui, esqueça. Eu vou esquecer de tudo isso quando puder usar algo elétrico de novo.

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