Um sábado a ser lembrado com noise, drone, free jazz e claro, chuva

por - 15:13


RUÍDO, BARULHO E IMPROVISAÇÃO



Como foi dito aqui, sábado rolaram duas apresentações na Casa do Mancha: Sobre a Máquina e Chinese Cookie Poets. Quero deixar claro que avisei para que todos fossem, se você não apareceu por lá, meus pêsames, de verdade. O que foi aquilo? Para abrir a noite, o SAM com seus ruídos, improvisações e alguns barulhos estridentes, na sequência, o CCP, mesclando noise e free jazz com uma maestria incrível. E isso foi só o começo.

Por volta das 20h00 o Sobre a Máquina se dirigiu até o palco. Gameiro não estava presente. Emygdio, Cadu Tenorio, Alexander Zhemchuzhnikov, Gabriel Feitosa e Lucas Alves (Stereomob). Uma formação diferente e que não assina nenhum dos discos, exceto pelo saxofonista Zhemchuzhnikov. Posso dizer fácil fácil, que esse foi um dos shows mais legais que eu já vi. O início da apresentação contou com o Cadu e o Emygdio dando TAPAS em seus respectivos instrumentos (guitarra e baixo), e não era um método super indie, eles estavam sentados e batucando, como se aquilo fosse um atabaque. O som produzido era dos mais agradáveis para quem sabia do que se tratava a apresentação dos cariocas.



SOBRE A MÁQUINA BOTANDO PRA FODER


Após essa breve introdução, o som começou a rolar solto e para você ter noção, cheguei com o ritmo de Língua Negra na cabeça. Além da reprodução das músicas encontradas nos EPs lançados por eles, uma sessão de improviso marcou o final do show. Leitores, simplesmente de foder. A apresentação foi bem pesada, com bateria, dessa vez ‘física’, e tudo mais (eles, assumidamente, usam bateria eletrônica). Sem sombra de dúvidas o show do Sobre a Máquina entrará na minha listinha de “melhores de 2012” e olha que o ano está só começando.




NESSA HORA TAVA UM CLIMÃO NOISE PRA CARALHO


O Chinese Cookie Poets se dirigiu até o palco mais ou menos umas 21:00. Benzina, benzina. Eu ouvi todos os álbuns do trio e estava curioso para saber como eles se comportariam ao vivo e acabei descobrindo: insano. O baterista não parava, o baixista parecia estar possuído e o guitarrista, idem. Free jazz, né, amigos? Como eles deveriam se comportar? O público se mexia mais e eu estava lá, de olho fechado, me balançando, o corpo de maneira desengonçada, mas pirando, viajando no ritmo proposto por eles.

Achei bem interessante os caras manterem as paradas ‘do nada’ que acontece nos discos e do nada voltar com um peso do caralho. Depois disso o pessoal passou a esperar uns 5 segundos para aplaudir, pois às vezes você era pego de surpresa, e bom, era só voltar a se balançar e retomar a viagem que você estava tendo (o que não era difícil). E me atrevo a dizer que rolou Bone Catcher, caso não, foi mal aí. Alexander Zhemchuzhnikov também deu as caras no show do Chinese e tocou seu saxofone de uma maneira jazzística foda. Em uma faixa, ele que deu o tom de tudo, vez ou outra um acorde de guitarra, mas ele estava sempre lá, experimentando e criando sons tortos.



O FIM :(


Olha só, eu avisei todo mundo que seria uma baita oportunidade. Se você estava doente porque tomou chuva a semana toda ou pegou leptospirose em alguma enchente de São Paulo, tudo bem, está perdoado, mas se ficou com preguiça, perdeu. Essa foi a única apresentação das duas bandas por São Paulo, pelo menos por enquanto. Quando eles voltam? Espero que o mais rápido possível. Foi uma bela noite.

Todas as fotos por Lane Firmo.

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