"Sobre a ambiguidade da solidariedade"

por - 16:19


De vez em quando na vida, coisas ruins acontecem. Cachorro morre, falta aquela graninha pra tomar uma cerveja, gripe suína, chefe chato acha que tem razão, seminário valendo metade da nota do semestre, um duende ouvindo Teatro Mágico e soltando fumaça de baseado na sua cara. Basta estar vivo pra uma merda acontecer e você se ver na vontade de mandar o mundo de volta à idade da pedra lascada. Ou se a coisa em questão for ruim, você fica triste e chora como uma fã de Chiquititas ao saber que a “Mili” agora é mais gostosa que você. Novamente digo, a vida não é feita só de glórias... também tem os nx zeros.




E o que fazer quando tudo dá errado? Bom, sei lá. Cada um tem sua muleta. Desde o papai do céu até o filho da puta que finge ser solidário. Eu nunca sei como lidar com o sofrimento alheio e sinto que não sou o único a não saber, já que nem sempre encontro alguém pra me consolar de uma forma que não seja ridiculamente clichê. E odeio falar de clichês porque acabo virando um, o pior de todos, que detona os clichês, mas vai dizer que não é irritante ver aquele zé buceta que quando te vê mal das pernas solta um “tudo vai melhorar, você vai ver”.

Não sei vocês, mas se ouço uma parada dessas, eu me sinto mais mal ainda. Porque quando estamos sem esperança na vida ou com ódio dela, tudo que precisamos é de um filho de uma dromedária dizendo que tudo vai ser melhor. Ser solidário nem sempre é a melhor opção, principalmente quando sua solidariedade se limita tanto a ponto de eliminar a delicadeza das situações as quais você nunca esteve. Isto não foi uma indireta, mas uma outra visão para você que pode pertencer a um seleto grupo de babacas e nem estar reparando. Eis sua passagem de saída deste mundo.

Quando estive na pendenga, ouvi as coisas mais variadas, inclusive a listada acima, que me fez ter um ataque de fúria. Porém, é de se admirar como algumas frases, ditas por mim clichês, conseguem me tirar de uma bad. Claro, não por seu conteúdo, mas pelo fato de me fazerem pensar em como elas se aplicariam fora de suas simbologias originais. Posso usar como exemplo clássico o “se a vida te der limões, faça uma limonada”. Estava provavelmente reclamando da vida quando me disseram essa. Parei e pensei o que seria melhor fazer se a vida me desse um vibrador bem borrachudo e grande.

De qualquer maneira, tentar mostrar seu apoio a alguém que aparentemente precisa dele é uma tarefa difícil. Sempre vai parecer pena ou uma errada tentativa de demonstrar superioridade. Mas, de algum jeito, é válido mostrar que os laços afetivos não são meramente ilustrativos, como nas imagens dos produtos do shoptime. Tudo acaba sendo uma questão de sensibilidade de ambas as partes, que pra mim, se resume em pura sorte. Ou se você for mulher, puro interesse em te levar pro cinema numa sessão bem vazia e fazer aquela dança bonita de dois minutos e meio.

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