"Um estudo sociológico sobre cantadas semi-carnavalescas, por Welker"

por - 16:23



Carnaval chegou com todo aquele glitter, purpurina, gente deformada por causa da prótese de silicone toda errada e o delicioso cheiro de urina. Tudo bem que a maioria dos puteirões tem este mesmo clima o ano inteiro, mas o carnaval proporciona a experiência a todos que nunca a tiveram de fato. E se você gosta deste clima, agora sabe que ele se prolonga nas famosas “casas de fundição” espalhadas por todo o nosso Brasil varonil.


Devo dizer que não tenho absolutamente nada contra o carnaval. Claro, nunca fui de “curtir” a data plenamente, como fazem nos camarotes VIP e nas passarelas do samba que rolam por aí. Não tenho autoestima para isso, mas este ano quis inovar. Para efeito de mudanças, fiz algo que com certeza nunca farei de novo na vida: me programei para ir num destes lugares frequentados por gente cansada de trabalhador em tempo integral e que sai pra beber, trocar herpes e cantar músicas horríveis no auge da embriaguez. Mas acabou não rolando, porque estes lugares são caros pra entrar, além de ter que pagar o que consumir dentro do evento e ainda pagar o hospital psiquiátrico depois. Sendo assim, mudei meu foco para lugares mais amenos, mas que tivessem o mesmo tipo de público. No caso, escolhi bancos de madeira, típicos de praça, em porta de shopping e uma praça com bares em seus arredores


Antes de partir em busca de ser uma pessoa mais aceita pela sociedade ao fazer coisas de gente que é aceita pela sociedade, precisava arranjar a chave para conquistar mulheres bêbadas: uma cantada bem ruim. Então pedi a alguns conhecidos meus, entre eles taxistas, pedreiros, um faxineiro e um designer gráfico (praticamente a Sociedade do Anel), que me ensinassem cantadas que usariam em ambientes como este. A lista ficou bastante variada, e era exatamente o que eu queria para este “estudo”. Por motivos óbvios, usei uma cantada para cada mulher que achei. Então, vamos aos resultados:


Cantada:“cherosa essa gatinha, hein”
Descrição:
Não sabia o que esperar dessa cantada. Nem parece uma cantada, porém, parece que funcionou melhor do que eu imaginava. Esperava uma risada colossal, daquelas de vilão dos Power Rangers. Nem me custou tanta autoestima, apesar de não ter saído do zero, como dizem os moleques piranha que usam a cantada em questão. Talvez não tenha usado ela no dialeto adequado.
Resultado:
Não peguei. A vítima estava sentada num daqueles bancos de madeira quando cheguei perto e assim que soltei a pérola, ela olhou pra mim com uma cara de desespero, que se fez rapidamente num sorriso bobo, quase rindo. Acho que toquei o coração dela, mas ela se fez de difícil. Ela nem era tudo isso mesmo...




Cantada: “sabia que você é a mais gata do quarteirão?”

Descrição: É um elogio bastante modesto. Não faz a garota se sentir uma Miss, mas também não reduz a coitada a um manequim de peito triangular da C&A. Claro, se o alvo for feio igual um baiacu, ela vai se sentir e vai dar uma patada, só pra se sentir coisa melhor. E esta é a verdade: mulher que não é muito elogiada com frequência acaba fingindo que é a Joan Jett e dá uma respostinha babaca pra te deixar sem graça. Para este tipo de mulher, existe Dado Dollabela para fazer justiça.

Resultado: Felizmente não sofri nenhum ataque de recalcagem, como achei que ia rolar. Lancei a pokebola e esperei o efeito. Ela sorriu, agradeceu e me olhou de cima a baixo. Acho que ela ainda pensou que ia ser assaltada. Tentei emendar uma conversa, mas provavelmente tomei o caminho errado. “Esse bairro é fraco de beleza, por isso resolvi falar” e ela “obrigado” e vazou. Depois da explicação, ela devia ter achado que ia ser estuprada e decidiu lutar pela virgindade anal. Ela venceu.


Cantada: “ai se eu te pego, hein”

Descrição: Dispensa. Só achei que sendo um completo boçal, conseguiria ao menos masturbação gratuita.

Resultado:Não estava otimista com essa. A mulher riu alto e continuou a cantar. Bateu um desânimo e eu vazei. Se eu tivesse ficado, talvez pudesse ter conseguido algo, mas depois de ouvir o refrão pela segunda vez, desisti.Cantada:“Tá afim de ver o cabelo do meu peito?”
Descrição:
Na minha opinião, era a melhor coisa que eu poderia dizer pra alguém. É romântico, mas sem parecer um episódio de Malhação, em que o Cabeção baba todo mundo com aquele aparelho bucal. Sem contar que era sofisticado e rústico. Mas definitivamente, não gostaria que uma mulher dissesse isso pra mim.
Resultado:
Deu merda. Tomei bolsada e ela me xingou todo, dando de louca, falando que ia chamar a polícia. Em poucas situações na vida eu fiquei com o cu na mão como dessa vez. Senti-me um verdadeiro contraventor, apesar de só tê-la convidado para conhecer meus leves fiapos masculinos. E nem eram os do saco! Depois deste episódio, ainda fiquei meio cismado e troquei o lugar das abordagens, só pra garantir que meu rabo não se encontrasse com nenhum presidiário.Cantada:“aposto um beijo que eu acerto seu nome”


Descrição: Isso só pode ser coisa do Johnny Bravo. É tão inocente que pode até funcionar.

Resultado:Quase deu merda de novo. Essa ficou brava só com a ideia de que eu poderia acertar. Provavelmente se chamava Bucetildis. Como bateu a paranoia de novo, resolvi parar com as cantadas.

A conclusão de meu estudo não foi das melhores. Parece que cantada boçal só serve em micareta do Asa de Águia mesmo. Lugares como bares e praças não tem uma constância no publico, que tende a ser mais atencioso ao que se fala ou que teme a qualquer um que lhe pergunte as horas. Apesar de ter sido estranhíssimo fazer isso, até foi divertido.  Ah claro, fiquei no zero, mas ao menos não terei problemas de pensão alimentícia em novembro.




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