"Protestar: Pitacos sobre a tendência do verão"

por - 16:15





Ainda acho estranho pensar que estamos entrando em tempos mais conturbados que a nossa própria rotina. A gente se acostuma com a brisa e quando ela vira ventania, a poeira sobe e vai tudo pro olho. Do que estou falando? Acho que é da onda de inconformismo que vemos nascer no horizonte e que agora já está quase chegando à costa. E que vai crescer de tamanho, com toda a certeza. Só não sabemos se vai ter um Ryu pra bater um hadouken nela e fazer a onda sumir, como ele fez no desenho que passava no memorável Sábado Animado. Bons tempos. 



A galera perdeu a manha de ir pras ruas desde a época do Collor, que mexeu com o dinheiro de todo mundo. Mexeu no bolso, despertou o dragão negro de olhos vermelhos que todos guardam em si. E que ironicamente reapareceu nos universitários de olhos vermelhos que queriam apenas fumar maconha em paz. Sim, papai do céu deve estar gargalhando neste exato momento. Os uspianos que tantos odeiam começaram com a onda de protestos que hoje vão tomando mais força, porém claro, com outras motivações e reivindicações, mas com a mesma essência: a de lutar por algo que se acredita. Ou só de entoar rimas e coros grupais que soam bem quando estão na boca da galera.



Agora policiais estão lutando por suas próprias causas, cansados de esperar que o salvador da classe tome posse e os leve para a terra prometida. E um pouquinho antes, nós, pequenos internautas de colesterol alto, lutamos, e lutaremos, contra as leis que nos privam de nossos amados downloads e derrubam aqueles que nos proporcionam nosso alimento cultural (meus sentimentos ao hominiscanidae.alt). Isso sem mencionar a greve de motoristas e cobradores de ônibus que vai parar a cidade de São Paulo nesta semana. Veja bem, eu não estou dizendo que um protesto está ligado ao outro, mas isso mostra como os brasileiros NÃO são burros. Estamos apenas desacostumados a lutar por nossos direitos, depois de anos de submissão histórico-cultural e nosso pensamento colonialista encrustado daqueles tempos. Tente se lembrar de tudo que o seu professor de história, todo descolado, que senta na cadeira como se montasse num cavalo e que tem cotoveleira de couro no blazer dizia.



Em tempos como estes, não devemos ser ingênuos. Não tá fácil pra ninguém. Apoio qualquer tipo de manifestação válida, que tenha objetivos concretos e um grito de guerra legal. E aí esbarramos na ovelha negra dos protestos. Porque nada na vida pode ser como um filme da Disney. Tem que ter um Paulo Coelho pra acabar com a poesia do negócio. No caso, a forma de protesto mais adotada pela galera jovem e descolada e que não faz NADA por ninguém: o famoso protesto contra a corrupção. Sério. Por que isso? Essa é a coisa mais babaca que eu já ouvi na vida. Você deve ter, no mínimo, doze anos de idade pra acreditar que uma passeata vai acabar com algo tão mais profundo que um político X que desvia dinheiro sem ninguém saber. A única vez que vi um ladrão se arrepender de ter roubado foi naquele episódio do Chaves, então por favor, vamos fazer campanhas contra algo que conscientize de fato o cidadão sobre algo que está acontecendo e não contra o ato de roubar. Pela milésima vez, não sei se me fiz entender, mas enfim. Chico Buarque soube, mesmo com o nariz branco de cocaína e com todas aquelas letras bonitas que as mulheres adoram.



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