All you need is Molejo

por - 11:07

[caption id="attachment_12783" align="aligncenter" width="538" caption="prontos pra dar beijinho!"]molejo disco novo[/caption]

Se vamos falar de música popular brasileira, esqueça os acordes dissonantes e toda aquela chatice cult blasé do João Gilberto e vamos falar da verdadeira MPB. Muito me incomoda ver como a MPB da Tropicália não é popular entre os populares como a outra MPB. Não é estranho? É como fazer um bolo de chocolate, falar que ele é doce e colocar meio quilo de sal na massa e no recheio. Mas maneirismos de lado, vamos falar sobre o lado negro da MPB. Do que estou falando? MOLEJÃO, PORRA!


Revitalizando mais um clássico dos anos 90 e que ainda está na ativa, talvez até com a mesma força de antes, o Molejo ainda mostra que sabe conduzir o povão aos moldes do samba rock que todo mundo curtia na época. E não só porque eu sou um grande fã dos anos 90, mas tenho que dizer que aquela faixa sobre Molejo ser melhor que os Beatles era uma grande verdade para mim naquele tempo. Mas será que ainda é? Considerando que eu não gosto de Beatles, pode ser, mesmo que os caras do Molejo tenham virado pagodeiros gospel que cantam em alemão. Eu dei uma ouvida no disco de inéditas deles "Todo Mundo Gosta", de 2008, já que o de 2011 é ao vivo (galera antiga adora lançar CD ao vivo, né) e só com o fino do tempo bom do final dos anos 90. Também rolou um EP chamado "Voltei", que eu só soube depois de muito tempo que tinha sido lançado por conta da tiragem com poucos CDs, mas quis falar deste álbum e o que eu tenho a dizer é simples.


 

[caption id="attachment_12784" align="aligncenter" width="600" caption="depois da faixa de "compro e vendo ouro", este é o anúncio mais inteligente que já li"]molejo disco novo[/caption]

O Molejo não mudou praticamente nada na sonoridade, a adição de alguns instrumentos de sopro fazendo aparições e o elemento surpresa do samba rock, que é todo suingado e abrasileirado, ainda são a característica marcante da banda, que me deixou bastante satisfeito com a parte instrumental. As influências diversas neste álbum também se fizeram presentes, deixando o som ainda mais característico. Elementos de hip-hop, pagode clássico, samba de raiz e até chorinho deixaram o disco bastante característico, me fazendo acreditar que o grupo evoluiu imensamente desde aqueles tempos em que eles caíam na mesmice do pagode genérico. Acho que o mix de influências se reflete no fato de que este disco foi uma produção independente, sem o dedo de grandes gravadoras e sem o Arnaldo Saccomani enchendo o saco o tempo inteiro.


Se tratando das letras, bom, estamos falando de um grupo de pagode. Não dá pra exigir liricamente de algo que foi feito pra ser simples, rápido e prático, porém, em algumas faixas, dá pra notar uma leve cutucada social, o que ao meu ver, foi o auge da expressão da insatisfação social que um grupo de pagode e suas cabeças levemente pensantes poderiam fazer sem acabar se tornando os Engenheiros do Hawaii. Mas de resto, é só aquela coisa romântica-flertante que você revolucionário se contorce quando ouve por aí.




[caption id="attachment_12785" align="aligncenter" width="346" caption="photoshop, paint ou colagem de revista velha pra trabalho de escola? nunca saberemos."]molejo disco novo[/caption]

Por fim, o disco me fez nostalgiar gostoso. Talvez por não ter mudado quase em nada, a não ser na “maturidade” dos integrantes antigos e na adição de novos integrantes (infelizmente o ANDRÉZÃÃÃÃO não faz mais parte do grupo, mas o André Leonardo “dente de nós todos” ainda é vocalista).O disco é gostoso de se ouvir se você é fã de pagode dos anos 90, mas acredito que mesmo quem não goste do gênero, devia dar ao menos uma tentada neste disco, por ser mais eclético que os outros. Em relação ao futuro da banda, fiquei sabendo que eles tem disco planejado para 2012, mas não estou muito otimista com este. Não tenho certeza se eles já foram re-sondados por gravadoras, mas agora eles se auto-intitulam “pagodeiros universitários”, apesar de desconfiar que algum deles curse ensino superior. Não tenho nada contra universitários, mas este gênero me dá calafrios desde o começo dos anos 2000 com o forró de facul, que hoje descansa em paz. Mentira, deve ter alguém tocando e ouvindo por aí...


 

Nota: 8,5 de 10


Destaque: “Sou Brasileiro” (os elementos de hip hop e a letra levemente politizada reflete bem um Molejo diferente do antigo, mais preocupado com seus ouvintes e menos preocupado com a dança da vassoura)

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