Buchecha sem Claudinho, mas seguindo no passinho

por - 11:08

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Chico Buarque de quem?

Lembra dos tempos em que o funk carioca não era uma putaria sem fim, cheio de mulheres fruta que parecem travecos bem manufaturados e  letras repetitivas sobre pau na buceta? Bons tempos! Cidinho e Doca, Gorila e Preto, Jonatas da Nova Geração, Fernanda Abreu (essa nem tanto) e toda essa galera que vivia do funk antigão que fazia a galera dançar sem se preocupar com o controle de natalidade e nem com aquele esquisito no canto do salão que parece que tá se masturbando. Hoje em dia é estranho pensar que tempos assim existiram, pela evolução (ou devolução) do gênero, mas vai dizer que você nunca ouviu um desses caras alguma vez na vida? Eu duvido!


Ok, se nunca ouviu nenhum destes, acho que é até compreensível, mas eu faço um piercing no umbigo se você nunca nem ao menos ouviu falar de Claudinho e Buchecha! Só pra constar, o nome do Buchecha é Claucirlei Jovêncio e a grafia “Buchecha” está correta se estivermos nos referindo ao MC, porém se tratando da parte do corpo, é bochecha mesmo. Eles eram os mais conhecidos do funk porque iam direto no Faustão fazer a dança do elefante com tumor no cérebro e cantar “sabe tchururu” e tantos outros hits do verão de 1996/1998. Até que um dia deu merda na estrada e um acidente de carro matou um membro da dupla de MCs. Claudinho morreu e o Buchecha ficou sozinho, igual na música que eles cantavam. Mas isso não desanimou o cara e ele ainda está na ativa, para o bem da resistência do funk carioca aturável! O ultimo trampo dele foi de 2011 e é intitulado “Romântico (com elas)” e o Buchecha adicionou um “MC” na frente do nome, só pra não perder a moral.



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Jay-Z? BRINKS, é o Buchecha tirando onda

Sobre o disco, devo dizer que ele está bem diferente em comparação aos de depois da morte de Claudinho. Parece que ele perdeu o rumo musical depois que seu colega de dança do elefante nos deixou, lançando uns discos nebulosos e fingindo claramente uma diversão que não estava lá, o que fez com que ele acabasse se apagando cada vez mais na mídia. Ok, teve um hit, que era aquela música em que ele cantava sobre o Bob Esponja, mas aí foi apelação porque o personagem é todo alegrinho e feliz. Depois desse, nosso amigo Buchecha foi sumindo cada vez mais. Até este disco ser lançado.


Não sei o que aconteceu nesses tempos em que ele estava fora da mídia, mas aparentemente ele tocou bola pra frente e voltou para aquele tempo para continuar seus trampos. O disco é suingado, grooveado, pop. Não chega a ser um Ed Motta, mas eu diria que se ele tivesse um filho com a empregada, o filho faria um disco como este. Liricamente, o disco é muito impressionante para um MC de funk. Buchecha deve ter completado o supletivo e tomado gosto pela leitura pois as letras, na maioria das vezes, fazem sentido apesar de não irem além do romântico melado para gente que quer pensar na peguete do bailinho (como o disco sugere). Em relação à sonoridade do MC, bom... MCs não são populares por cantar, mas Buchecha até mostra ser afinadinho na medida do possível.



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definitivamente não é uma salada, Bino, mas o Buchecha já foi pedreiro, então ele aguenta

Em contrapartida, o disco tem duas peculiaridades que me chamaram a atenção. A primeira é o abuso nas participações especiais, que de tanto usadas, deixam de ser especiais. Por acaso, todas são participações femininas e todas também são MCs de funk, o que não me surpreende muito, mas enfim. Parece que as parcerias funcionaram para Buchecha, no sentido de terem lhe dado mais confiança na hora de gravar o disco, mas pelo menos metade do disco possui alguém além do MC cantando. Porra! Em relação a outra peculiaridade, devo apontar algo interessante. O disco soa quase experimental. Ele usa de recursos incomuns na música mais popular para compor seus beats e melodias, desde uma gota d’água até o som de uma risada de bebê e gemidos femininos sensuais (não suficientes para uma ereção, só pra constar).


Em suma, o disco é interessante pra quem curtia funk dos anos 90. MC Buchecha fez um trabalho legal com seus beats e melodias, apesar de ter abusado um pouco nas participações nas faixas. O elemento experimental foi engraçado e só acrescenta ao álbum uma característica funk com pré-produção caseira. Parece que o artista, depois de tempos tão conturbados e nebulosos, está voltando ao caminho que tinha parado de seguir depois de perder o companheiro de funkeiragem, e isso é ótimo. Ficamos no aguardo da próxima dança do verão, que provavelmente será consumada por um jogador de futebol com cabelo ridículo e nome engraçado.


Nota: 8,0

Destaque: Faraó (resume bem o disco inteiro, com um groove misturado ao amadurecimento de um funk  molecão... eu realmente disse isso?)

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3 comentários

  1. Eu tenho esse CD,mas esse é de 2010,ele lançou um mais recente intitulado "Muito Prazer - Buchecha Só Love" eu ganhei do próprio Buchecha e autografado ainda por cima,só que não há disponível pra venda,mas tem pra baixar na internet,ouça e faça seu comentário,ele está bem mais dançante que o anterior e só tem uma participação especial.

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  2. Ah...antes que eu me esqueça,tem uma música desse Cd novo intitulada "Hot Dog" que tá na trilha sonora da novela "Avenida Brasil".

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