Chinese Cookie Poets: os amantes dos vermes

por - 11:08

Chinese Cookie Poets - Worm Love

Exatamente no dia 15 de março, então não estamos tão adiantados assim, o Chinese Cookie Poets, uma das bandas mais notórias do cenário experimental do Rio de Janeiro atualmente, lançou seu primeiro disco cheio, chamado Worm Love. O álbum foi todo masterizado no Japão e essa capa doida foi feita pelo Thiago Modesto que também assina todas as artes dos discos do Sobre a Máquina e inclusive fez uma capinha pra nossa coleta #15 no Hominis Canidae.


Eu tava ouvindo o disco aqui e pensei: “porra, é um puta registro. Preciso resenha-lo se a Consolação me deixar chegar em casa”. Ela conseguiu e aqui estou eu. O que posso falar é que este álbum está realmente bom. O resto vocês lerão aí embaixo, ou não.


Plastic Love é um tiro certeiro no ouvido de quem da o play no som. Não tem nenhuma intro, nada, é direto uma bela paulada na cabeça. Microfonia, distorção, rapidez e uma bateria insana. Começaram bem hein? Lá para o meio da música tudo fica mais de boa, mas se você quiser deitar na sua caminha, não faça isso, em questão de poucos segundos, toda a barulheira volta com classe. Free Monkey na sequência é a segunda faixa, conhecida do público, é a última música do single lançado no começo do ano En La Mano Del Payaso, então não vou nem me prorrogar muito, além de dizer que a parada é ácida.




[caption id="attachment_13083" align="aligncenter" width="610" caption="Friaca monstra, hein?"]Chinese Cookie Poets[/caption]

En La Mano Del Payaso é a terceira faixa e também é conhecida do público por causa do mesmo single da música anterior. Toda aquela doideira, experimentação e benzina que vocês viram uma galera oitentona dançando no clipe, né? European School of Homegrown Worms na sequência é uma mistura de ruído, afinação de instrumentos e improvisação, tipo daquelas metendo a chave de fenda na guitarra e tals, bem curta, menos de 1 minuto, mas doida.


Quinta música, lembrando que o álbum tem 11 no total, Chinatown Blues retoma a doideira que o Chinese Cookie Poets tinha feito até agora: aquela pegada noise/ experimental. Tudo bem louco novamente, as guitarras estourando, a bateria intensa (sério, se o baterista fumar, encomenda o caixão porque ele terá um infarto!) e dá pra sacar toda uma pegada mais rockão e menos free jazz aqui. No final, microfonia... aê, porra! Hakkeyoi é outra daquelas faixas curtinhas, mas dessa vez menos barulhos e mais música mesmo, harmonia, ritmo e tudo louco. Essa aqui é menos noise que a anterior. Acho que foi pra não deixar o cara surdo.



Em Discipline and Manners rolam uns samplers de alguma coisa (acho que são samplers né e se for, por favor avisem do que), mas se forem os caras falando e engasgando, é mais foda ainda. A música soa bastante como um plano de fundo para uma angustia e está perfeitamente casada com a voz.


Three Worms – Jukai é o próximosom e é até agora o mais noise de todos. Eu tô escrevendo esse texto crente que já perdi 50% da audição dos dois lados, mas foda-se, a parada tá muito boa. Three Worms – Koan é mais no baixo e menos barulhenta que a anterior, mas jajá eu explico o porquê disso a partir de teorias empíricas e axiomas científicos. Three Worms – Ziran começa com a bateria estourando, depois o baixo e uns ruídos eletrônicos vão chegando e bagunçando com tudo! Como eu gosto de vocês, Chineses! Nesse lance do Worms eu saquei que cada uma delas é um integrante do grupo, afinal, é um trio. Por isso cada música tem um instrumento predominante. Pode ser viagem, mas...


Worm Love, faixa homônima ao álbum, encerra o primeiro trampo full deles. Talvez seja a soma de tudo o que foi usado até aqui: os ruídos, a bateria doida, os efeitos eletrônicos, experimentação e claro, a palavra que não pode faltar em nenhum texto meu quando falo do CCP, a benzina.


Pegando as 11 faixas e tendo que indicar para um amigo, eu diria: “olha só, você que curte umas coisas meio diferentes assim pra ouvir né? Que já tá cansado de banda cover de Los Hermanos e essas coisas aí, certo? Então baixa a porra do disco logo que ele tá bom pra caralho, mano!”.

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