Diário de bordo Constantina SXSW: Chapa Quente #3...

por - 14:10


Chegamos a terceira parte do diário da viagem dos "come quieto" (pra não repetir mineiros) da banda Constantina nos Estados Unidos. Desta vez o relato foi feito pelo Bruno descrevendo alguns pontos turisticos musicais da cidade NY, mesmo que tenha dito que não foi um dia de turismo.  Em homenagem ao amigo fotografo da banda, que esta ajudando a galera por lá, tal qual um marinheiro guiando a tripulação, escutem Juan, El Marinero durante a leitura do texto...



Pelo cronograma original, hoje seria um dia voltado para o turismo. Só que foi um belo engano imaginar que tudo sobre equipamento seria resolvido tão rápido. Na verdade, a melhor analogia que consigo pensar é roupas! Imagine se você viajasse sem nenhuma roupa mas fosse ficar por muito tempo… Não dá para simplesmente chegar e exigir uma exata cópia do seu guarda roupa simplesmente fazendo um CTRL-C e CTRL-V nas suas lojas preferidas. Até porque, algumas coisas já saíram de linha e outras podem estar fora de estoque. No nosso caso isso é parecido, mas como chegamos com a proposta de comprar tudo necessário para fazer bons shows, queremos aproveitar os bons preços e o fácil acesso para termos equipamentos de boa qualidade. Ou seja, cada compra precisa ser muito bem testada e saboreada para ter certeza que é a escolha certa. Conclusão: hoje de manhã foi outro dia gasto em loja de instrumento. Para ser mais preciso, estávamos em busca de pedais de guitarra. Como o nosso guitarrista Azeitona (Gustavo Gazzola), ou Mr. Olive como o apresentamos aqui nos EUA, nunca utilizou pedais, tivemos que ouvir muitos testes para acharmos uma boa escolha. Como as músicas do Constantina são bem suaves e minimalistas, ele acabou comprando o pedal de Blues Driver da Boss, que é um pedal de Overdrive, que consegue dar uma esquentada no som da guitarra mas sem distorcer demais. Diferente dos pedais de distorção que estávamos olhando, ele consegue oferecer um som muito limpo com o nível de gain baixo.


Ao andar pelas ruas de NYC, percebo o quanto a cidade é extremamente musical, assim como Buenos Aires. A cada estação de metrô você consegue ouvir ao entrar ou sair de algum trem sonidos que ecoam por toda a estação. Percebo o quanto a linguagem musical por aqui é valorizada. Nesse gancho, fomos a uma loja de discos na Bleecker Street/East Village. Ao longo de minha caminhada do hotel a loja, já na rua de destino, deparo-me com uma loja de guitarras vintage, Matt Umanov Guitars. Uma belíssima loja onde podemos encontrar banjos, ukeleles e lindas guitarras de 4.000 doletas pra cima…risos! Ao sair da loja, do outro da lado da rua, ouço belas vozes: um grupo coral acompanhado por um contrabaixo acústico desvia, ou melhor, focam os olhares e a escuta de quem passava por ali, dando um brilho às cinzentas ruas de NYC. É impressionante a forma como os artistas locais adotam esta prática para a promoção de seu trabalho. Algumas pessoas que passavam por ali naquele instante pararam suas correrias cotidianas para apreciar uma boa música e até comprarem o disco.



E por falar em disco, eis que chego ao meu destino, Bleecker Records Street. uma mega loja de discos. para quem é apaixonado por mídias físicas, assim como eu, ficará louco ao entrar neste paraíso!!! Por ali encontramos raridades, lançamentos e edições de luxo de alguns excelentes sonidos! Uma das coisas que percebi ao entrar na loja foi o número de pessoas no interior: eram muitas pessoas. Por aqui, as pessoas ainda parecem consumir álbuns físicos. Mas uma dica: as edições de luxo são as mais procuradas. Geralmente saem a preços que pagamos por uma edição normal aí no Brasil. Nessa prática, percebo o quanto as pessoas não estão apenas ligadas aos sons e sim no todo da obra. Querem algo a mais, pois apenas música já sabemos bem onde encontrar…




[caption id="attachment_12305" align="aligncenter" width="640" caption="Por aqui, discos físicos ainda fazem sucesso porque aprenderam uma outra lógica, de oferecer sempre um algo a mais que dá contorno a toda a obra musical..."][/caption]

 E nada melhor do que as pessoas certas na hora certa. Desde que decidimos retornar aos EUAs tínhamos em mente duas coisas: a primeira seria justamente conseguir mais shows; e a segunda, conseguir documentar esta viagem de uma maneira mais intensa do que a do ano passado. Por isso, além das fotos e deste diário de bordo, veio também a idéia de produzir alguns vídeos ao estilo do La Blogotheque. Queríamos escolher um local que fosse especial de cada uma das cidades pelas quais estamos passando e nele tocar uma das músicas do Haveno, da maneira mais improvisada, inusitada e despida de qualquer estrutura técnica possível. E desde que chegamos a NY, começamos a pensar o que poderia representar melhor esta cidade, que já é por si só tão icônica, e que parece acolher um pouquinho do mundo todo nestas ruas. A resposta estava bem na cara, ou melhor, debaixo de nossos pés… O metrô.




[caption id="attachment_12306" align="aligncenter" width="640" caption="O nosso barco agora segue pelos trilhos..."][/caption]

 Neste momento a presença do Samuel Mendes, nosso amigo fotógrafo que mencionamos no post #2, está fazendo toda a diferença. Além da gana de querer trabalhar e nos ajudar com estes vídeos, um olhar mais apurado para a fotografia na hora da filmagem faz toda a diferença. E por sugestão do próprio Samuel rumamos ontem a noite para a estação 168th Street, no Harlem. Saímos do hotel para pegar a estação da 14th com a 8th street e logo no primeiro saguão havia um dos muitos músicos do metrô aqui de NY. Ele se chamava Dan e a sua especialidade é de batucar em baldes velhos. Passamos por ele com os instrumentos no ombro e não resistimos… Em poucos minutos a fanfarra já estava armada e a cara de felicidade tanto nossa quanto a dele foi contagiante e inspiradora.


Meia hora depois, e completamente revigorados com esta jam session, voltamos ao roteiro da noite e rumo ao Harlem. Samuel tinha muita razão e a estação era realmente incrível. É uma estação que foi construída não pelo governo, mas sim pelos que queriam fazer com que essa região se valorizasse e com isso vender imóveis e terrenos que ali tinham. Alguns minutos para definir enquadramento e fotografia e em plena estação entre os vagões que saiam e chegavam começa a rolar Juan, el Marinero! Foi um daqueles momentos que não se mede ou se consegue pôr em palavras… pela primeira vez realmente conseguimos enxergar o tamanho do sorriso de NY. É uma cidade linda e única, mas nem sempre muito sorridente e amistosa, o que é razoavelmente muito comum nas megalópoles. Mas nesse pequeno momento, demos de frente com os matizes mais alegres e brilhantes que NY poderia nos oferecer.  Por volta de 1h da manhã voltamos para o hotel, cansados, mas com uma sensação tão boa e especial que não conseguíamos olhar uns para os outros sem sentir que valeu a pena cada minuto da corrida que foi para organizar esta viagem sem ajuda de produção profissional, e de cada centavo que estamos investindo (e não são poucos). Quando um momento bom na vida acontece ele deixa saudades, e quando estávamos chegando ao hotel já sentíamos saudades da estação 168th street em NY.




[caption id="attachment_12307" align="aligncenter" width="612" caption="Quando vocês virem o video, vão poder se lembrar de toda a história por trás..."][/caption]

E olha que nosso primeiro show marcado ainda nem aconteceu.... Esse fica pro post de amanhã!



Bruno e Constantina

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