Diário de bordo Constantina SXSW: E chegamos no SXSW 2012 #14

por - 14:07

andando

Opa, olha o diário de bordo do Constantina na gringa aí! No décimo quarto capítulo desta aventura (afinal, já estamos acompanhando ansiosos toda a parada) os caras começaram passando por um perrengue com gasolina (olha só, não é só aqui em SP que tá uma merda) mas chegaram finalmente ao SXSW. Estranharam um pouco toda a muvuca das ruas e a galera gritando pra você entrar nas casas não pra ver a banda, mas pra comer de graça e tomar uma cerveja. A Carla (assessora dos mineiros) também colou por lá e deu um sangue novo para a viagem. Bom, não vou ficar contando tudo, leiam abaixo e coloquem pra tocar "Treinando pra ser Chuva".



Normalmente é fácil saber por onde começar nossos posts, pois a gente consegue demarcar bem os dias pelo horário de acordar e dormir. Não é o caso hoje. Depois do show de marfa caímos na estrada e dividimos a direção entre três de nós (e um deles era eu). A viagem, nesse trecho, demorou mais do que o dobro do que a gente esperava: a direção de noite exige mais atenção, e tivemos algum contratempo com a gasolina, que nós fez entrar em várias cidades sucessivas até encontrar um posto para abastecer, pois na estrada não estávamos encontrando nada.


Essas paradas pelos postos - não só na madrugada, mas também pelo caminho, desde que entramos pelo Texas e fomos nos aproximando de Austin - mais vans brancas (como a nossa) apareciam pelo caminho e todas elas, invariavelmente, tinham figuras que sempre se vestiam de acordo com uma expectativa estereotipada de roqueiro. Isso nos dava uma certa sensação desanimadora: sentíamos como se fóssemos apenas mais um na estrada, mais um no mundo. Não nos entendam mal: mas é como se, afinal de contas, não fosse assim tão especial estar no SXSW. São 2mil bandas, todas elas disputando um pedacinho de tempo e a sua atenção. Já estivemos aqui no ano passado e entendemos um pouco como a coisa funciona. E essa lógica é parte mesmo do Festival.


Essa sensação, ao mesmo tempo, nos deixava curiosos para voltar para Austin após um ano. É engraçado lembrar das expectativas passadas e comparar com o sentimento atual. Quando chegamos na primeira vez, no primeiro dia da parte de música do Festival, o movimento na cidade era bem "civilizado" e o ar de novidades trazia uma certa euforia. Talvez o contraste tenha sido sobrecarregado pelas horas noturnas da estrada, mas o meu sentimento trouxe `a memória uma entrevista com o Tim Kasher (vocalista do Cursive) onde ele foi perguntado do que ele estava achando do SXSW e ele respondeu que talvez era música por demais. Esse ano, chegamos já no segundo dia por conta da agenda da turnê. Eu tenho consciência que tenho minhas dificuldades com lugares cheios; mas, chegar no segundo dia de música do SXSW não foi das experiências mais animadoras. Andando pela 6th street, onde a maioria dos bares e casas onde acontecem os espetáculos estão concentradas, é razoavelmente desconfortável. Principalmente pelo fato de vocé estar passando e ver as casas oferecerem bebidas e comidas de graça, só pra tentar convencer os passantes a entrar e ouvir o que está rolando. É uma lógica um pouco reversa: se esse é um festival de música, as pessoas deviam entrar tendo isto como finalidade principal. Mas não funciona assim. É tanta gente disputando a atenção de todo mundo que sempre é preciso "criar" um diferencial. E que não está, necessariamente, na sua produção artística.




[caption id="attachment_12755" align="aligncenter" width="427" caption="Todos os espaços são disputados. Todos mesmo."]excesso[/caption]

Por outro lado, hoje também foi o dia que a Carla, nossa assessora de comunicação, chegou para se juntar ao grupo. Essa parte é bacana porque traz uma injeção de sangue novo; se já estamos cansados, ela acaba animando um pouco a gente, já que veio só pra está parte da viagem. Além disso, a vinda dela está relacionada a uma intenção que traçamos de participar mais da parte de formação do Festival. Pela manhã/tarde, são oferecidas diversas palestras com pessoas envolvidas com a indústria fonográfica de um modo geral. São pessoas que mexem não só com a produção musical, mas principalmente com marketing, comunicação, produção, gerenciamento de bandas. E daí achamos que nesse segundo ano, seria interessante fazer esse investimento, e a presença da Carla tem muito a ver com essa possibilidade e esse aprendizagem, já que ela pode ter um olhar mais apurado sobre o que está sendo falado e discutido durante o Festival.




[caption id="attachment_12756" align="aligncenter" width="610" caption="Sangue novo!"]mais um[/caption]

Foi nesse clima então que nós nos registramos no Festival, no Centro de Convenções. Esse registro serve não só para saber que a banda convidada já está presente, mas para ter acesso aos eventos que acontecem pela cidade. Isso nós colocou mais um vez de frente para esta questão do "excesso" que existe no Festival. Como público expectador que também somos, é meio esfuziante tentar procurar o que se vai assistir. O catálogo é imenso, e fazer um cronograma pra tentar ver muitas coisas que você tenha interesse no mesmo dia é razoavelmente inviável. E mais realista definir uma único artista que você queira muito ver e ir para a casa onde ele se apresentará umas 2 ou 3 horas antes. Caso contrário, você pode ficar decepcionado em ser barrado na porta por que a casa já está cheia. Com isso em mente, alguns de nós decidiram ver Andrew Bird e acabamos por ver 3 shows por conta da espera da apresentação. E foram três shows que não acrescentaram muito à noite. Já a escolha que fizemos pelo Andrew Bird se mostrou acertada mesmo. A performance foi muito bonita de ser vista: o cenário era bem cuidado e curioso ao mesmo tempo, pois um dos instrumentos - uma espécie de gramofone duplo rotacionável, conectado a um amplificador, funcionava como peça do cenário, por conta da dimensão e da centralidade no palco. Mas ele também era um inusitado instrumento da exploração sonora. Esse cuidado estético era também sentido na sonoridade ouvida, na qual se via que cada instrumento era muito bem estudado e processado de uma forma única. Por exemplo, o violino do Andrew Bird, que também era tocado como cavaquinho, ou da combinação de Glockenspiel com os assovios feitos por ele, e a gravação de loops da bateria que se sobrepunham a outro layer de bateria feitas com maestria pelo Doch… Enfim, eram sempre combinações arquitetadas, que davam uma sensação de palco cheio, enquanto na verdade tínhamos apenas 4 pessoas por lá.




[caption id="attachment_12757" align="aligncenter" width="610" caption="Preocupação estética e sonidos que valeram a noite"]Andrew bird[/caption]

Enfim, foi uma noite interessante, e estamos ansiosos pelo próximo dia. Vamos ter mais gravação de video, muitas palestras e vamos tentar ver alguns shows importantes. A maratona do SXSW já começou.


Gustavo Gazzola e Constantina

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