Diário de Bordo Constantina SXSW: Em zigzag #8...

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[caption id="attachment_12531" align="aligncenter" width="640" caption="Foto de: Samuel Mendes"][/caption]

Mais uma parte da viagem da banda Constantina pelos EUA, desta vez falando sobre o processo de escolha da faixa a ser gravada num video na cidade de San Franciso. A banda estava realmente preguiçosa no dia de hoje, tanto que não assinaram o texto, mas ficou bem legal o texto, falam um pouco mais sobre a cidade e a viagem! Então, não sabemos qual dos constantinos escreveu o capitulo de hoje, mas sugerimos lerem ao som da faixa extra do Haveno chamada Textura, boa viagem....


Iniciamos nosso oitavo dia nos EUA meio preguiçosos... Ou talvez preguiça não seja melhor palavra.  É certo que toda essa viagem está trazendo coisas muito legais. Viajar sempre é tirar a sua vida de um plano ordinário, cotidiano, pra se lançar numa pintura das pás de um ventilador ligado (pra trazer uma imagem de Mário Pirata). É tudo interessante, mas ao mesmo tempo as vezes o processo é caótico. Há tanto a ser feito, e ainda conhecemos tão pouco de cada um dos lugares que se apresentam pra gente.... Por isso, apesar de toda essa ideia muito mágica por trás da viagem, há também os baixos, os desânimos, o cansaço. E esse é um sentimento que andou batendo por aqui nesse dia. E todo mundo, de um jeito ou de outro, sai respingado. Já faz mais de uma semana que estamos longe de casa, da família, dos amigos; das coisas a que estamos acostumados. E nada mais normal que também o sentimento da saudade comece a tomar conta.


O dia começou nesse passo, lento. A programação do dia passava pela gravação de mais um registro em vídeo usando algum lugar icônico da cidade, como fizemos em NY e contamos no post #3. Nossa ideia era gravar a partir das 3h da tarde, aproveitando a iluminação natural. A janela da manhã era mesmo, portanto, para um descanso. Mas o engraçado é que não se tratava exatamente de um descanso, mas quase de um abandono: um largar de si mesmos, já inundados por tantas matizes, tantos tons e tantos contrastes. As pessoas não davam conta de levantar. Alguns perderam o café da manhã. Escrever esse post era díficil. E nós ainda precisávamos continuar: decidir que música combinava com a cidade, enquanto toda a cidade parecia nos soterrar. Ironicamente a escolha, em meio a uma discussão sem muita energia foi por Imobilidade tônica. O argumento que usavamos é que esta é uma "música cheia", alegre, talvez festiva. Mas eu diria que ela combinava com a energia do grupo. Por que não gravar imobilidade parados? Era quase assim que a tarefa se apresentava...


Não é a toa que San Francisco é o pano de fundo de tantas produções cinematográficas. A cidade tem seus encantos: é uma cidade muito urbana, com um litoral que as vezes não parece estar tão integrado à paisagem - como é, por exemplo, no Rio de Janeiro. Os ícones da cidade são outros: as casas, os bondes, a ponte, os morros. São ícones muito urbanos, mas ao mesmo tempo, muito diferentes, por exemplo, de NY. A cidade parece muito planejada, muito estética. Sempre gostamos tanto de aliar essa ideia da composição gráfica com as músicas, e isso o tempo todo esteve muito associado com o trabalho de ilustração do Bruno. Aqui, em meio a todo esse cenário, a ajuda técnica do Samuel está nos auxiliando a extrapolar essa relação.




[caption id="attachment_12532" align="aligncenter" width="426" caption="Apesar de todo cansaço, foi impossível não pensar sobre a estética da cidade e de como isso podia ser combinado com nossa música"][/caption]

 Pensamos a princípio de gravar na Lombard Street, que é uma rua conhecida pelo seu formato estranho em zigzag. Mas como a lentidão tomou conta de nós, quando chegamos lá a luz já não estava mais adequada. Fomos então em busca de uma outra locação. Decidímos gravar em cima de uma das ruas elevadas, de onde podíamos avistar o resto da cidade ao fundo. Nos agradava também o estilo das construções, que lembravam o estilo vitoriano londrino, mas com casas feitas de madeira. São construções altas, de dois ou três andares, que se impõem no horizonte. Fechado o cenário, montamos o equipamento e começamos então a gravar. Mas enfim, o tempo parecia não ser suficiente. A luz solar foi embora, e também a bateria de um dos amplificadores. Resolvemos parar, e deixar para fazer outras tomadas no dia seguinte. Antes de voltarmos para onde estamos hospedados, ainda passamos pelao Pier, também pensando em algumas tomadas que poderiam fazer parte do vídeo. Mas a brisa e o barulho do mar abafavam qualquer chance de que a música pudesse ser bem percebida num video. Enfim, voltamos. Alguns dias são assim mesmo. Hoje não era dia.




[caption id="attachment_12533" align="aligncenter" width="426" caption="Tortuoso..."][/caption]

Constantina

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