Diário de bordo Constantina SXSW: O caso e acasos #16...

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Mais uma parte da viagem da banda Constantina pelos Estados Unidos, a banda está em Austin e nos conta um pouco mais sobre a logistica do festival SXSW, além de como foi a apresentação do grupo por lá! Você pode conferir todas as partes deste diário clicando no banner aqui do lado, para acompanhar este texto sugerimos ouvirem De Encontro ao Acaso...



Estamos um pouco frustrados por alguns acontecimentos durante estes 2 últimos dias. Enfrentamos algumas dificuldades que na nossa lógica parecem ser fruto de uma incoerência do South by Southwest. Bom, pelo menos é assim que percebemos. Para quem está nos acompanhando, pode entender o porquê do investimento que tivemos com a vinda da Carla. Estar presencialmente em debates, painéis e workshops é algo fundamental para entendermos o funcionamento deste mercado americano, ao mesmo tempo que percebo que uma conversa olho no olho com determinadas pessoas mapeadas, seja muito mais importante e funcional do que emails. Assim, podemos ser muito mais eficazes para estabelecermos alguma rede. Percebi isso no momento que encontramos Seth Rubbard (Polyvinyl Records) para uma conversa sobre um possível projeto. Após exatamente um ano depois onde nos encontramos com ele em uma "Demo Session", o cara lembrou-se de nós, sendo a conversa extremamente positiva e atenciosa.


Ao nos inscrevermos no festival, um dos pontos preenchidos no cadastro está relacionado à equipe da banda (Crew Member). Oficializamos Carla como Assessora de Comunicação para que pudesse ter acesso aos encontros de marketing, gerenciamento de carreiras, comunicação, dentre outros. Mas nos deparamos com a seguinte situação: uma pessoa inscrita como Crew Member não tem acesso a nada oferecido pelo festival durante o congresso, apenas aos shows. Para ter acesso ao Festival, ela precisa pagar como todas as outras pessoas que desejam se participar: 700 doletas. É quase como se não fizesse muita diferença inscrevê-la como Crew Member. Esta foi uma situação que ainda não consegui absorver… Durante nossa inscrição nada sobre isso deixava entrever esta diferença, porque se soubéssemos, com certeza a colocaríamos como musicista e ela teria acesso. Faríamos bem de acordo com o jeitinho brasileiro mesmo: sem tantas relações hierárquicas, sem tantas trocas comerciais e sim como mais uma pessoa para fazer juntos. O fato de pagar mais este valor para ter acesso às atividades do festival realmente não estava em nossos planos. Passado o acontecido, decidimos não investir esta grana para termos acesso a 2 dias de seminário, pois o valor estava bem acima dos nossos gastos. Resolvemos assim mudar nossa estratégia e ir por outras vias, mapeando alguns nomes em possíveis showcases, como foi o caso do Seth da Polyvinyl.


Passada frustração começamos nosso dia de forma muito positiva nos encontrando com a equipe do El Parlante Amarillo, que desenvolve um portal voltado para a produção cultural e musical Iberoamericana. A equipe entrou em contato com alguns artistas latinos que estão dentro da programação do SXSW 2012 para a realização de entrevistas registradas em vídeo. O que mais gostei, foi saber que eles se interessam pela arte, e não pelo fato de apenas estarmos aqui no SXSW, fazendo com que a entrevista fosse direcionada ao histórico da banda e não ao SXSW. Com uma equipe extremamente receptiva, El Parlante Amarillo está aberto a receber contatos de artistas diversos do Brasil e América Latina. Fica aí uma dica!


Após a entrevista, voltamos para o hotel para organizarmos nossos instrumentos e descemos para Downtown rumo ao The Loft, local onde realizamos nosso showcase oficial dentro da programação do SXSW 2012. The Loft fica no segundo andar de um restaurante vietnamita na 6th St, onde grande parte do festival se concentra. Fomos a banda que abriu a noite. Às vezes me pergunto o que é melhor: abrir ou fechar uma noite. Mas quase sempre chego a conclusão que abrir é melhor, pois pegamos um público menor, porém de qualidade, que está atento ao show e menos disperso. Contamos com a presença especial dos bons amigos Erick Cruxen e Muriel Curi da banda paulista Labirinto que estão em tour pelos EUA, e nesta semana realizaram alguns showcases aqui em Austin em festivais paralelos, como a gente contou no Diário de bordo #14.


A casa não estava lotada, mas com um grupo legal de pessoas atentas as nossas dinâmicas que poderiam ser cobertas pelos sons distorcidos das bandas das casas que ficavam do outro lado da rua. A vista do palco é privilegiada para quem toca, pois se consegue ver por cima a 6th St e sua bagunça. Para este showcase do SXSW decidimos realizar um show mais intenso, com músicas que tivessem uma pegada mais rock e dançante ao mesmo tempo. Nosso tempo no palco sempre é curto, então pensamos em tocar músicas que mostrariam nossa diversidade sonora. Começamos com Giz de Cera (a faixa nova que registramos em San Francisco) que possui uma pegada mais dançante e cleam, para depois partirmos para o set list Haveno. Tocamos também Azul Marinho, Imobilidade Tônica, passando por Bagagem Extra e fechando com Monte Roraima, onde convidamos o público ali presente para uma grande jam session. Distribuímos chocalhos para que o público pudesse "fanfarrear" conosco a energia que jogamos nos 40 minutos de show. Acho que Monte Roraima é uma música que funciona muito bem por aqui. O público gosta dessa mistura meio abrasileirada com o rock, acho que acontece uma identificação muito positiva.


A noite não terminou sem antes ainda termos uma pequena frustração. Um pouco antes de começarmos o show, ficamos sabendo através da produção que Samuel Mendes e Victor de Almeida, que vem nos acompanhando durante a tour realizando registros em fotos e vídeos, não poderiam utilizar seus equipamentos profissionais. Foi mais uma vez uma incoerência que percebemos do Festival. Ambos foram inscritos do mesmo modo que a Carla, mas registrados como fotógrafos. Mas não isso, mais uma vez, tem um significado diferente do esperado. Enfim, os dois não podia registrar o show como esperado, com equipamentos bacanas, filtros e lentes que potencializam bons registros. Mas isso é interessante porque nos faz pensar que o próprio festival parece meio que não acompanhar o seu tempo e entender a dinâmica do mundo. Ainda não percebeu a linha tênue que esses tempos estão impondo ao fazer: não é o equipamento o mais importante - inclusive porque cada vez mais as pessoas tem acesso a eles - e sim o olhar de quem está por trás da câmera.


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