Diário de bordo Constantina SXSW: On the road #10...

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[caption id="attachment_12575" align="aligncenter" width="640" caption="Foto de: Samuel Mendes"][/caption]

Neste novo capitulo da viagem da banda mineira Constantina pelos EUA eles deram uma de Dean Moriarty, o personagem principal do livro mais popular do Kerouac, onde ele cai na estrada em longa viagem pelos EUA. O Bruno Nunes fez o relato e deixou claro que ta realizando um sonho de dirigir pelas highways infinitas da América do Norte, falou também sobre os estágios pelos quais as bandas passam nessas tours e deixa claro o amor pela música. Também fala sobre mais um show da banda por lá! Sugerimos ouvir a bela canção Ele Já Atravessou Todos Os Oceanos Do Mundo durante a leitura, dá até pra se sentir na van...



Acho que todo mundo que já leu o livro On The Road, de Jack Kerouac, já deve ter fantasiado ou imaginado na cabeça como seria a aventura de se fazer uma viagem de carro pelos EUA. Bom, eu já. E ontem foi o primeiro dia de pé-na-estrada que teremos aqui no país. Serão 1.807 milhas, aproximadamente 2.908 Km, para serem percorridos durante quatro dias, onde nove pessoas dividem espaço com toda a bagagem dentro de uma van que mais parece uma lata de sardinha. Me lembrei de uma música do Ed Motta em que ele canta: "vem que tem espaço na van…". Bem, no nosso caso não tem não!!! Café rápido no hotel, um quebra cabeça para organizar as malas na van e fomos rumo a Los Angeles.


Foi um percurso de quilômetros e quilômetros de infindáveis retas. Por ser assim se torna fácil dirigir, e se tornou o momento mais propício para parar pela primeira vez e avaliar o que tem sido a viagem até agora. Sempre achei que toda a jornada passa por uma espécie de roteiro, assim como no livro de Kerouac. E dentro de qualquer roteiro, dois momentos me parecem sempre muito pontuais. O primeiro está no começo, onde existe a euforia e a motivação pelo novo que está por vir; e o segundo, é quando o cansaço chega e temos que lidar com todas as adversidades e quebras de expectativas que existem, pois na maioria das vezes as coisas são sempre melhores na nossa cabeça do que quando realmente acontecem.



Há um pensamento comum entre a banda, no qual falamos que não há glamour nenhum em fazer rock independente, como é o nosso caso. Na maioria das vezes o esforço é sempre muito grande e nunca sabemos se ele irá valer a pena no final. Se fosse parar para avaliar todos os prós e contras que tivemos com a banda, talvez nem estivéssemos tocando até hoje. Este trabalho é difícil e muitas (MUITAS!) vezes ingrato. Me arrisco a dizer que aqueles que conseguem prosseguir, o fazem pelo amor real pela música, e pelas amizades que se formam e se constroem destas situações, como é o caso do Samuel e Victor, que estão nos acompanhando neste momento, e pelas pessoas maravilhosas, que por também acreditar na música e nas pessoas aceitam encarar toda essa empreitada, como é o caso da nossa relações públicas, Carla.


Em LA posso dizer que esse segundo momento do roteiro - aquele em que as expectativas são quebradas - chegou. Talvez por me parecer falso, a princípio, todo esse glamour que a cidade insiste em vender com os filmes, e que as pessoas insistem em comprar e aceitar. Basta uma pequena caminhada pela Hollywood Boulevard para ver todos os excessos tão criticados na cultura americana. Soa até mesmo cafona algumas situações. Pois foi nesse clima que rolou nosso show aqui. O lugar se chama AMPLYFi, uma casa, ou melhor, um galpão na badalada Melrose Ave, até charmoso por sinal, mas com uma cara de "showcase business", bem a cara dos EUA. Uma espécie de vitrine de negócios mesmo, pra você se mostrar e "tentar a sorte", bem ao clichê hollywoodiano. Para se ter uma idéia de quão surreal foi a situação, assim que acabamos de montar o palco, fomos passar uma das músicas. Quando acabamos de tocar, as poucas pessoas que se encontravam no lugar bateram palmas e ficamos meio confusos com a situação. Ou estávamos tão bons que seria a primeira passagem de som nossa digna de palmas ou o nosso show já estava rolando. Quando o Azeitona perguntou sobre o que estaria acontecendo o local manager respondeu que sim, o nosso show já estava rolando e que havia várias pessoas lá fora ouvindo o nosso som… Sem mais comentários sobre isso. Me senti como se estivesse a vida toda me preparando para virar um grande chef de cozinha e no fim das contas estava trabalhando no McDonalds.




[caption id="attachment_12577" align="aligncenter" width="640" caption="Deu pra sentir o clima?"][/caption]

A boa noticia sobre isso foi que o sangue brasileiro nessa hora ferveu a um ponto que posso dizer que fizemos o melhor show até então dessa tour pelos EUA. O mais alto, forte e intenso até agora. Fizemos valer os dólares gastos nos pequenos amplis de guitarra, os Lunch Box, que são tão pequenos que se parecem uma lancheira de escola mesmo. Mas possuem uma potência de 200W… Pois gastamos toda a potência ontem!




[caption id="attachment_12578" align="aligncenter" width="640" caption="Pois não importa: é som na caix(inha)!"][/caption]

Terminado o show, hora de desmontar o palco. E dar lugar a mais uma das mil bandas que sobem pensando em ser o mais novo sucesso pop e que acabam se esquecendo que talvez esteja no lado pessoal e não no sucesso impessoal a chave para se criar algo junto com as pessoas...


Bruno Nunes e Constantina


 

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