Diário de bordo Constantina SXSW: Goodbye Blue Monday... #4

por - 14:11


Hoje o retalo foi feito pelo Gustavo, neste capitulo do diário de bordo ele fala de mais um ponto turistico da cidade de NY, diz como um mendigo lembra a Constantina. Além de falar de todo o processo de preparação e como foi o primeiro show do grupo nos EUA, pra quem curte conhecer novos sons, prestem atenção na descrição dos grupos que tocaram na mesma noite da banda. Lembrando que você pode ler todos as partes deste diário indo no banner aqui do lado, para esta leitura recomendamos ouvir Azul Marinho, tudo azul...



Depois de tantos passeios em lojas de equipamentos, testar instrumentos, pedais, hoje era o dia do nosso primeiro show nessa segunda viagem aos EUA. A ansiedade estava claramente no ar, tanto que mal conseguíamos decidir se iríamos passear para relaxar ou se era melhor dormirmos mesmo para estarmos descansados para a noite. A gravação do video no dia anterior deixou todos bem cansados… Por isso, era necessário um certo descanso hoje. No final de contas, conseguimos fazer um pouco dos dois. Resolvemos passear em um lugar próximo ao hotel que ficamos hospedados. High Line foi o nosso destino. A High Line era uma linha elevada de trem, construída nos anos 30 e que foi desativada em 1980. Mas, com uma certa movimentação da vizinhança, transformaram essa linha abandonada (que já estava tomada por vegetação) em um parque publico elevado.


O passeio foi curto, já que como dissemos, a intenção era voltar cedo e descansar para o show. Mas vale mencionar o encontro com um mendigo poeta na região. E para mim, esta é uma das marcas turísticas de NY. Na verdade, encontramos com o mesmo mendigo duas vezes em pontos diferentes da cidade e ele ofereceu para recitar o mesmo poema de 15min. Mas não consigo esquecer um verso onde ele mencionava para o ouvinte não prestar atenção no que ele dizia, mas sim no que ele não dizia. Achei que havia algo de semelhante com o Constantina e a beleza da música instrumental.


Depois desse curto passeio, finalmente pudemos separar tudo que iríamos levar ao show, checar os novos equipamentos, reconfigurar os setups dos controladores do Dani… Deixar tudo de fato preparado para um belo show a noite. Partimos para o Goodbye Blue Monday via metrô, mesmo com tantas coisas para carregar. Numa viagem com os cintos apertados - ou melhor, a carteira apertada - toda economia é pouca.


Chegamos à casa de show, que ainda não conhecíamos ao vivo, e logo notamos que seria um clima mais intimista, do jeito que a gente gosta. A casa não estava lotada, mas 90% das mesas estavam ocupadas por um grupo de amigos ou casais. E a decoração do lugar era muito bacana! Tudo que seus avós jogaram fora provavelmente estava lá. Era até difícil de ver um pedaço da parede que não havia alguma velharia interessante dependurada.




[caption id="attachment_12340" align="aligncenter" width="610" caption="O Constantina chegou!"]O Constantina chegou![/caption]

Bem.. primeiro tocou John Likides, um músico solo que embalava em ambiências indianas um pouco alucinadas. Nessa hora, ficamos mais entretidos conversando com pessoas que haviam ido nos assistir que mal conseguimos prestar atenção no que acontecia no palco. Depois foi The Restrictor, uma banda meio jazz meio rock psicodelico. Faziam uma musica interessante, mas admito que estava com problemas de prestar atenção devido a ansiedade de subir nos palcos. E finalmente chegou nossa vez, a última banda da noite. E devo dizer que essa ansiedade também tinha um bocado a ver com subirmos no palco com instrumentos completamente diferentes. Dava um certo medo, pois sabemos que nosso setup de palco não é dos mais simples, mas como já conhecemos nossos equipamentos bem, sabemos onde podem acontecer os erros e já lidamos com eles de uma forma mais natural. Mas neste caso, o cenário era novo demais! Enfim, tirando alguns detalhes dos níveis das guitarras e da caixa de bateria, tudo ocorreu bem. Fizemos um show legal. Foi bacana ver que haviam pessoas ali que foram no show exclusivamente para assistir ao Constantina. Isso sempre é um sinal que estamos no indo na direção correta: viajar para tão longe e ver pessoas completamente estranhas para você, de culturas diferentes, curtindo seu trabalho, é sempre muito legal. Depois do show essas pessoas vieram conversar com a gente, contando um pouco de suas historias e de suas percepções sobre nosso show. Sei que pode ser um pouco repetitivo, porque a gente sempre diz isso, mas esse tipo de experiência é um dos melhores retornos possíveis: é uma das maiores motivações para fazermos o que fazemos.


Assim, a gente se despede de New York e amanhã bem cedo partimos para o outro lado do país: San Francisco. A gente continua essa narrativa...




[caption id="attachment_12341" align="aligncenter" width="426" caption="até mais NY"]até mais NY[/caption]

Gustavo e Constantina

Você também pode gostar

1 comentários

  1. rs. não é que o mendigo lembra Constantina. É o verso que ele cantou que nos remeteu à música instrumental (de um modo geral) :) Depois o povo vai pensar que gastamos todo o dindin nos Estates... (bom, o que é quase uma verdade rs)

    ResponderExcluir