Diário de bordo Constantina SXSW: Delicious delicious, this way you're gonna kill me #17...

por - 14:10

A tour da banda Constantina pelos EUA está chegando ao fim, tanto que neste relato feito pelo Bruno Nunes, ele ja começa a fazer um balanço do que está sendo esta viagem para o grupo. Ele fala também de uma frustração que acabou fazendo com que eles assistissem alguns bons shows e nos deixassem com inveja! Escutem Jaburu enquanto estão lendo, não invejem, trabalhem...



Estamos chegando ao final desta viagem pelos EUA. Dentro dessas duas semanas de viagem tivemos vários momentos fantásticos, várias histórias engraçadas que ainda irão render belas piadas e alguns momentos frustrantes, que servirão com certeza para nos ajudar a repensar e amadurecer algumas ideias mercadológicas - se é que posso dizer assim -, e também de como funciona o processo de se conseguir um espaço ao sol fora do Brasil.


Na minha opinião, algo que pude perceber definitivamente nesta viagem e que ainda não sei se é positivo ou negativo, é de que o Brasil não está tão atrás assim em relação aos EUA quando se trata de uma organização musical independente, tanto para artistas quanto para casas de show. Embora algumas questões sejam bem diferentes em relação aos dois países, ao chegar aqui você não se depara com uma estrutura fantástica e com casas de show independentes que sejam tão diferentes ou melhores. Talvez uma destas diferenças que devemos levar em conta ao se tentar marcar algum tour por aqui seja o fato de que as datas aqui são fechadas com uma antecedência bem maior do que no nosso país. Algumas casas, mesmo as menores, começam a fechar a agenda de shows três a quatro meses antes. Outra, não são tantas as casas de shows que realmente valem a pena tocar,  e são muitas bandas ao mesmo tempo tentando um espaço. O bom nisso é saber que o rock aqui é um gênero popular: talvez ele represente o que o pagode ou o samba são no Brasil. Isso faz com que mais pessoas queiram te escutar… Mas isso, é claro, uma teoria. E que nem sempre se mostra verdadeira.




[caption id="attachment_12865" align="aligncenter" width="640" caption="muito mais gente gosta de rock, mas como efetivamente tocar as pessoas nesse mar de gente?"][/caption]

Ontem a noite tivemos um destes momentos estranhos. Havíamos fechado um show fora do SXSW. Algo muito comum nesta data onde as bandas, assim como nós, querem fazer a viagem valer ao máximo e para isso tentam aproveitar todo o fervor e público que vem à cidade, e correm para marcar showcases em outros lugares e casas não vinculados ao festival. Como todo o processo de agenda que fizemos para essa tour, os detalhes como backline, horário do show assim como o da passagem de som, tudo isso foi negociado e fechado por email. Mas infelizmente em alguns lugares se dá sorte e o show acontece com um público bom e com uma estrutura bacana, mas em outros… como diria o saudoso Mussum… cacildis!! O local era um bar chamado Waterloo Ice, a seis milhas de distância do Centro. Ao chegar lá ficamos sabendo que não teríamos como fazer o show por falta de alguns equipamentos que já havíamos negociado por email. Um pouco de tempo perdido, uma pequena frustração no momento, bola pra frente.


Como toda história tem sempre um lado positivo rumamos em direção a bagunça do centro para ainda tentar assistir aos dois últimos shows que havíamos marcado na programação do festival. Um deles era do Zookeeper. Banda de Chris Simpson, que era vocalista das bandas Mineral e Gloria Record, aqui de Austin do começo de 2000 e que posso afirmar foram referências para alguns de nós quando começamos a tocar. Após o show conversamos com ele para montar o projeto Pequenas Sessões, Festival que acontece em Belo Horizonte e que é pensado pelas bandas Constantina e Lise. É muito bom perceber que finalmente o Brasil está sendo bem visto e está se tornando uma rota desejada para vários artistas.




[caption id="attachment_12866" align="aligncenter" width="640" caption="momento nostálgico e de encontros com a gente mesmo"][/caption]

O último show da noite e o nosso último  no festival ficou por conta do Braid. Outra banda que fez parte da nossa lista de referências quando começamos a montar bandas e que agora estava ali na nossa frente, e assim como nós, em clima de revival, tocou várias músicas que Tuliones, principalmente, ajudou a cantar cada refrão. De volta ao hotel para descansar e amanhã o último show… e dessa vez esperamos que vá rolar mesmo: vai ser na festa brasileira aqui em Austin.


Bruno Nunes e Constantina

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