"O mal estar do aniversário atrasado"

por - 16:10

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Tudo começou quando tinha 16 anos, numa tarde fria de terça feira. Tinha voltado da escola depois de mais um dia ruim num lugar que aprendia a odiar cada vez mais. Não quero me estender nesta parte, ela não é engraçada. Aliás, é um pouco, porque era nessa época, sem nem saber, stalkeava uma garota que mais tarde veio a ser uma ex-futura mulher. Era tão inocente que poderia ter terminado muito mal, com mortos, júri popular e uma turcona gostosa xingando a juíza pra me defender das acusações. Mas enfim. Naquele dia em especial, não me sentia bem. Ninguém deve se sentir bem numa terça feira. A terça nada mais é do que o limbo entre um dia pesado como a segunda feira e o meio da semana útil. E tamanho era o meu descontentamento com a vida que resolvi fazer algo inovador. Resolvi escrever sobre o porquê de estar tão apático.


Mal sabia eu na época que isso desencadearia nesta humilde coluna, com leves aparições em outros blogs, dos quais me fizeram perceber a importância de escrever de maneira mais concisa sobre o que penso e sinto sem parecer com um poeta morto que tinha vida sexual ativa. E este tempo entre meus 16 e meus 20 anos me fizeram reparar muitas coisas. Claro, nada foi tão relevante a ponto de me fazer mudar tanto, mas por outro lado, minha barba começou a crescer. Isso dá um toque de experiência ao portador. Ou você acha que tudo que eu disse até agora nesta coluna era pautado por anos de charutadas e estudos psicossociais aplicados? Bom, algumas coisas até eram, mas a barba ajudou.


“O Mal Estar da Civilização Atual” começou despretensiosamente, com um convite bastante despretensioso de um grande amigo, que já conhecia meus leves dotes na escrita. Fiquei feliz e aceitei de cara. E escolhi um nome tão grande e que pouco faz sentido por conta de minha formação acadêmica. Por estudar psicologia na faculdade, acabo tendo que ler muitos autores relacionados à psicologia e entre eles, Sigmund Freud. Que fique claro, não o amo e nem acho ele genial, mas dou algum crédito a o que o velho diz. O nome da coluna é o nome de um de seus textos (O Mal Estar da Civilização), um dos últimos que ele escreveu em vida, se não me engano. Basicamente, ele fala que a cultura é o único jeito que tem o ser humano de amenizar o sofrimento de não ser mais bebê e ter tudo na mãozinha. Banalizei um texto acadêmico, mas é praticamente isso. Achei bastante adequado colocar um “atual” no fim do título pra me diferenciar do velho, até porque estamos num espaço que dá crédito à cultura independente, atual, contemporânea, enfim.


E falando deste espaço, já tem um ano que estou nele. Demorei pra comentar sobre isto mais formalmente por conta do dinamismo em que se encontrava a minha vida. Agora que as coisas estão se assentando, posso finalmente fazer aquele breve balanço, que devia ter sido feito no réveillon, mas não foi porque estava ocupado jogando cidra de maçã na camisa do Paulo, editor do AltNewspaper (SAIU A MANCHA, OTÁRIO?). De qualquer maneira, o que tenho a dizer é simples. Muito obrigado a este otário que acabei de citar e a tantos outros otários que me permitem falar e a todos que leem sobre tudo aquilo que não falo no dia-a-dia pra todo mundo. Melhor mudar o termo. Muito obrigado a todos os AMIGOS! Nunca sei ao certo o quanto atinjo os leitores do Alt, mas isso não importa muito. Se alguém além de mim estiver lendo, tudo já vale a pena.


A você leitor, muito obrigado! A vocês da equipe técnica, muito obrigado! A você que não me lê, muito obrigado! E a você que estiver sem fazer nada num sábado a tarde, me liga. E voltamos à programação normal.


 

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