Mancha Leonel e o quartel general criado por ele

por - 11:08

Na casa onde vive, ele promove festas, grava discos, faz vídeos de bandas alternativas que passam por lá e tem planos de começar uma rádio online

[caption id="attachment_12686" align="aligncenter" width="610" caption="Jurassic meets Poppa Neggo. Foto por: http://www.flickr.com/photos/raunasnorole/"]Casa do Mancha[/caption]

Quem está no meio da contracultura, lidando direto com o cenário independente e longe dos holofotes da mídia, sempre procura um local para se divertir, seja no sábado para aliviar o estresse da semana no caos paulistano ou no domingo, para fingir não precisar trabalhar no dia seguinte, para essas e outras, surge uma alternativa aos locais mais convencionais, a Casa do Mancha.


O portão é longo, cinza e as paredes todas grafitadas, além de não possuir um número. Ela fica numa travessa da Fradique Coutinho, local boêmio, entretanto, sem muita novidade cultural, apenas bares e botecos cheios.


Dono e morador da casa, Mancha Leonel, 31 anos, alerta que ali não é só um espaço para eventos e que ocorrem outras coisas: “A festa não é o principal da casa, por isso tento deixá-la sem muita divulgação, ela basicamente serve como uma porta de entrada para as pessoas conhecerem o que funciona aqui; estúdio, produtora de vídeos, daqui a pouco uma rádio...”, afirma.



Baixa Augusta o caralho! Tem rolê na Vila Madalena também:


A primeira festa foi no dia 22 de Setembro de 2007, reuniu cerca de 90 pessoas (tendo o limite mesmo de 80 pessoas, por ser uma casa) e contou com o último show do Polara, banda que tinha em sua formação Carlos Dias, conhecido como Carlinhos (Againe, Albertinho dos Reys), Rafael Crespo (Planet Hemp, Aspen), Sato (Mickey Junkies), Fernando Seixlack (Elma) e Mário Cappi (Hurtmold).


Apesar de ter extrapolado um pouco o limite no Polara, a casa já recebeu mais de 160 pessoas na festa Jamboree, antiga Jamaican Backyard, idealizada pelos responsáveis do blog You and Me on a Jamboree. “Isso é uma casa, agora imagina um local onde deveriam ter 80 pessoas no máximo, com o dobro da capacidade. Minha sorte é que eu não estava aqui neste dia”, brinca Mancha.


A infraestrutura oferecida pela casa, segundo Carlinhos é boa: “As vezes que fui tocar ali com o Albertinho dos Reys foi bem legal, o clima do pico. Ele sempre me tratou muito bem, na real até melhor porque não gosta do conjunto Polara”.




[caption id="attachment_12628" align="aligncenter" width="610" caption="Banda Holger de boa e pá ali no quintal"]Holger[/caption]

Estúdio Big Bong: se quiser economizar uma grana e sair com registros em boa qualidade


Aproveitando-se da carência de estúdios a preços acessíveis pela região – na Teodoro Sampaio uma música sai absurdamente caro –, Mancha fundou o espaço em 2010 e ano passado gravou o disco Cold Wind High Sun, do Lambda Lambda Lambda, banda que faz um som chamado por eles de nerdcore e tem seu nome inspirado no clássico oitentista “A Vingança dos Nerds”. “O Big Bong, até onde sei, estava começando naquele momento. tinha feito uns dois ou três trabalhos apenas. A infra ainda era iniciante, mas o Rafael Crespo é competente, pelo visto consegue tirar agua de pedra”, disse Wash Souza, baixista do Tri-lambda.


Além desse lançamento, o Rock Rocket gravou seu último EP, Dança do Exciter, lançado em vinil 7” no Big Bong. O novo disco da banda de indie rock Holger, aclamado depois do lançamento de Sunga, foi todo pensado e concebido lá.


Em 2012, o Big Bong mudou de lugar e foi lá para o Metrô Ana Rosa, junto com o Rafael Crespo (e não, não rolou treta, nem nada disso). Agora o nome do estúdio administrado por Mancha chama-se, olhem só, Casa do Mancha e está voltando a produção.



A MTV não tem clipes descentes, o Decasa tem:


A ideia dos fotógrafos Samuel Esteves e Diego Denardi e de Mancha Leonel resume-se na divulgação tanto do espaço e das atividades produzidas por ele, quanto das bandas que gravam os pequenos videoclipes. O trabalho é árduo e requer mais do que o imaginado: “o pessoal pensa que gravamos antes da banda tocar, coisa de meia hora, isso requer um baita esforço, perdemos um dia inteiro apenas para filmar”, afirma Mancha.


O último lançamento dos três, foi um clipe oficial do clássico Superchunk – provavelmente você já ouviu ao menos falarem dos caras, ícone dos anos 90 –, no qual várias imagens dos dois shows do grupo no Brasil (um de 1998 na cidade de Piracicaba e outro de 2011 em Mogi das Cruzes e Sorocaba) foram reunidas e pode ser visto no canal de vídeos decasa, acessando vimeo.com/decasa/.



As rádios mentem, Luan Santanna não é bom, mas nem tudo está perdido:


Sentindo que havia um marasmo e falta de alternativas ao rádio convencional, Mancha resolveu reunir um pessoal que tem contato com música independente e criar uma webradio. “Quero tocar bandas que não estão fazendo um circuito de shows conhecido, coisas menores, entretanto, bem legais”, diz Mancha.


Inicialmente, a rádio contará com uma programação de 24 horas sem interrupção apenas de bandas e grupos independentes, que fogem das fórmulas redondas e preestabelecidas de fazer música. “É provável que com o decorrer da coisa, passe a acontecer programas semanais e especiais”, afirma Mancha.


Como espaço cultura, a ‘casinha’ como é chamada pelo público, parece alternativa aos locais presentes na esquina da Filipe de Alcaçova, s/n, muro grafitado, conhecida também por Casa do Mancha.

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1 comentários

  1. da hora, o lugar é incrível! tive a oportunidade de tocar lá uma vez, a galera é super gente boa.
    parabéns!

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