o futuro de uma megalópole sob o "efeito bola de neve".

por - 09:02


é triste, mas é fato: estamos sendo espectadores de um caos anunciado, de um futuro sem rumo certo. estamos constatando fatos supostos há décadas passadas por filósofos, historiadores, economistas, geógrafos e especialistas, de como a superdensidade demográfica de uma determinada localidade, somadas com a complexidade das ações humanas tomadas, está se tornando insustentável, em todos os sentidos que isso possa abrangir.


vamos tomar como exemplo a caótica cidade de São Paulo, Brasil, America do Sul; vejam só como uma medida simples tomada por uma administração despreparada e sem noção, sob um aspecto da modernidade e "bem-estar" social, dentro de um local milimétricamente integrado, pode gerar uma bola de neve terrível e afetar milhares que, teoricamente, não tinham nada a ver com isso.


você, habitante da cidade de São Paulo, ficou sem combustível para ir trabalhar essa semana, e consequentemente ficou preso ao sistema de transporte público por 3 ou 4 horas para chegar ao trabalho ou voltar pra casa? a culpa é da Prefeitura!! resposta genérica de "leitor-da-Folha-de-São-Paulo"? poderia ser, mas faz sentido, veja só:


vamos começar com o numero de carros que existem hoje circulando pelas ruas de São Paulo. devido às facilidades de crediário cedidas aos habitantes, trabalhadores que "merecem" ter um carro, afinal o fator "propriedade" estava esbarrando no direito de ir e vir, na democracia: nada mais correto do que TODO cidadão que vive em São Paulo ter um carro. ou dois. ou até três. ponto numero 1.


em seguida temos a deficiência (leia-se desvios) de verba publica investida na infra-estrutura. no caso, entre outras coisas, me refiro ao transporte público. poucos onibus pra um numero infinitamente superior de usuários. a malha ferroviária, que foi esquecida durante décadas, abandonada, agora de volta em desenvolvimento pra suprir essa falha, ainda é muito, mas muito pequena. ineficaz. ponto numero 2.


o terceiro ponto fica, mais uma vez, por parte das decisões da prefeitura, inteligentíssimas pérolas de sabedoria de como administrar uma cidade desse porte: a partir de agora - numa faixa horária FUNDAMENTAL - não entra mais caminhão na cidade pra abastecer necessidades básicas: alimentação, higiene, medicamentos, materiais de construção e (ao meu ver) necessidades secundárias: combustível para a citada imensa frota de automóveis. pode entrar depois das 9h 10h da manhã... mas a cidade começa a funcionar as 5h. #system error 3.


a quarta casca de banana é previlégio única e exclusivamente do "bom-senso" paulistano: os caminhões entram em paralisação pra ver se "resolve alguma coisa"; entre os prejudicados, o abastecimento dos postos de gasolina; visando o lucro em cima da desgraça alheia, os postos aumentam 80%, 100%, o valor da gasolina que ainda possuem em seus estoques. ponto numero 4. e dos pesados.


mais um ponto à parte, o quinto ponto, pode ser dedicado ao "jeitinho do brasileiro" também: a inospitalidade do trânsito daqui com veículos menores e pedestres. é fato consumado e sabido por todos, que o trânsito de São Paulo mata ao menos uns 3 motoqueiros por dia em suas ruas, e isso tem se estendido à pequena porcentagem de ciclistas LOUCOS (sim, é louco quem desafia o trânsito de São Paulo e NÃO, as coisas não deveriam parecer assim, mas assim são). isso sim é prova de como o individualismo capitalista e desumano tem atingido esse povo, que tanto tinha pra ser civilizado por tanta falta de guerras externas, por um sincretismo religioso (mais ou menos) tolerante e sendo livre de cataclismas naturais. o Brasil é um lugar bom pra se viver! e por quê as pessoas são tão inóspitas umas com as outras? é um mistério pra mim. e é o erro numero 5.



se os indianos conseguem, por quê a gente não???!!!


taí a equação do caos. some esses cinco pontos BÁSICOS (deve ter mais que eu nem faço idéia...) e você tem um lugar que está se tornando insuportável. eu vivo em São Paulo desde a maior parte da minha vida, e estou começando a sentir vontade de ir embora daqui pra não voltar mais. acredito que, se as coisas se estenderem nessa progressão, minha vontade de vazar desse caos só tende à aumentar. "muito bom", deve pensar o prefeito: "um a menos pra encher o saco". mas esse sentimento tem aumentado, em cada habitante daqui que gostaria de, e se esforça pra fazer esse lugar uma cidade receptiva, acolhedora. fazer se sentir em casa, como ela já foi no passado.


soluções? sinceramente, não existe uma solução prática e emergencial pra que isso mude. a prefeitura poderia deixar de pilantragem e aplicar os devidos recursos em transporte público, em quantidade e qualidade, ok, mas como enfiar mais uma caralhada de onibus imensos nas ruas sem antes livrá-las dos milhares de veiculos particulares que rodam insistentemente, em crescimento, pela cidade? quem seria o primeiro a dizer "não!! CHEGA! venderei meu carro e não comprarei mais nenhum se a prefeitura implantar coletivos suficientes!!" ou "vou de bike!" ou ainda "vou a pé!!"... quem?? eu pergunto...


só muda se cada um mudar, e isso, nessa altura do campeonato, se faz impossível. eu, particularmente, tento fazer a minha parte: não tenho carro, ando muito a pé, e no tal ineficaz sistema publico de transporte. apesar de considerar isso loucura, futuramente pretendo adquirir novamente uma bike. fora isso, o bom-senso, a cordialidade, o respeito com quem você conhece e não conhece, a noção de que a cidade cresceu populacionalmente - E MUITO, nos últimos 15 anos, o desligamento com a filosofia do "jeitinho brasileiro" e a cobrança mais rígida da população sobre os deveres do Estado resolvem o resto todo. pra quem não faz, já passou da hora de começar. pra quem já faz, amigo, boa sorte!, porque viver desse jeito entremeio à milhares que não fazem... é dificil PRA CARALHO! PORRA!!!...

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1 comentários

  1. Ótimo texto que expressa integralmente o que eu tenho sentido ultimamente por São Paulo. Saí do interior paulista para trabalhar nessa cidade, que pra mim é excelente, porém já muito saturada.

    De fato com a facilidade ao crédito hoje em dia, praticamente todo mundo pode ter acesso a comprar um automóvel. Eu mesmo fui desses, que há dois anos comprei um. Mas sinceramente, se eu sair com meu carro, é somente aos finais de semana, e olhe lá. A cidade está pra lá de superlotada. Impossível transitar decentemente.



    Acabei a alguns meses(quase 1 ano) me mudando distante do centro empresarial de São Paulo, para economizar um pouco com moradia(que convenhamos é um preço absurdo). Consegui com êxito diminuir muito minhas desposas, porém, fiquei totalmente dependente do transporte público(o que pra mim nunca foi problema), coisa que eu não dependia em nada quando morava mais próximo. Mas de uns tempos pra cá comecei a perceber o tempo que eu levava no transito para chegar até meu trabalho, o que normalmente morando a cerca de 30km, utilizando o transporte público eu gastava cerca de 1:40 a 2 hrs para ir e outras 1:30h para voltar(claro que se eu saísse depois das 20:00h, pois em horário de pico é praticamente impossível fazer o trajeto em menos de 2 horas). Calculando meio por cima, 4 horas no transito APENAS para poder chegar ao trabalho, eu comecei a notar o quanto eu estava perdendo, de VIDA, de SONO, de ESTUDO, de ESPORTE, de DESCANÇO, de DIVERSÃO que eu poderia estar tendo durante esse tempo perdido no transito. Com isso comecei a refletir. Numa determinada semana, já com essas perguntas na mente, acabei tendo(acredito eu) uma das piores semanas que já tivesse em São Paulo, se tratando de trânsito. Num dos dias, por causa de um bendito semáforo, eu fiquei preso dentro do onibus em uma parte do trajeto por praticamente 1 hora e meia num pedaço de sei la, acho que no máximo 300m. Nesse dia eu demorei 3hrs e meia para chegar ao trabalho. RIDÍCULO isso meu amigo. Esse tempo eu levo para vir até a minha cidade natal, saindo de São Paulo. Pelo amor de Deus. Essa semana foi crucial para a minha saída definitiva da cidade de São Paulo. Simplesmente me decidi naquele momento "Essa é minha última semana aqui. Chega, quero aproveitar meu tempo ao máximo e não ficar aprisionado no transito igual a um escravo." Me organizei, e voltei para a minha cidade natal onde estou a 2 semanas. 2 semanas mais sadias que não tenho a sei la, pelo menos uns 5 anos MESMO. Corro, faço academia, trabalho, durmo, e ainda tenho tempo de voltar a tocar. O que mais eu quero? Para que me matar num lugar que não tem estrutura para suportar tanta gente? Eu ainda tenho opção, pois trabalho com internet, e mesmo que eu esteja no meio de uma floresta, desde que eu tenha um link de internet e um computador eu faço o meu trabalho tranquilamente, agora quem não tem opção de largar tudo e ter uma vida sadia, eu sinceramente fico chateado. Sinceramente grande parte da arrogância de algumas pessoas em São Paulo, é devido ao grande extress que passam no dia a dia. Sem saúde, não somos nada galera.

    Abraços e espero que mais pessoas tenham coragem de mudar e abrir mão de algumas coisas para ter uma vida mais saudável.

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