O inimigo é você!

por - 11:07

O Inimigo - Imaginário Absoluto

Passaram-se dez anos, algumas pausas e várias mudanças de formação até que O Inimigo chegasse a Imaginário Absoluto, disco que a banda paulistana de hardcore lançou no final de 2011. O lançamento foi antecedido por alguns vídeos liberados na internet mostrando as mudanças no grupo, músicas novas e processo de gravação. A ação, junto com o tempo sem material novo, gerou uma expectativa grande naqueles que acompanham o trabalho dos caras.


O Inimigo marcou sua presença no hardcore nacional com Cada um em Dois (2003), CD que integrou o catálogo do selo Liberation (à época bombado pelo metalcore), mas que já mostrava a qualidade sonora e as influências da galera de Washington DC no HC feito por esses paulistanos. Este novo material - que é lançado no Brasil pela 78Life e tem prensagem em vinil sendo agilizada na Europa e EUA - é prova da evolução da banda que conseguiu manter a essência de sua música e ir além do bom trabalho que já havia feito nos lançamentos anteriores.


Também se mantêm nesse terceiro registro as características letras da banda. Cantadas em português e inglês, os versos parecem estar num conflito constante entre o pessoal e o político, pessimismo e positividade, esperança e descrença. Na faixa de abertura, Kalota canta “Aos poucos o corpo morre/ Mas ainda existo”. Em Satanic Threat, música que ganhou uma versão diferente, um pouco mais torta que a encontrada no primeiro disco da banda, ouve-se “Levante a cabeça/ Que o inimigo é você!”. Um dos pontos altos do disco, “Aço” traz instrumentos de sopro, palhetadas de guitarra Fugazianas, e mais dualidades em versos como “Me transformo em aço para não quebrar/ Explodirei em estilhaços, se precisar”, o melhor refrão do disco.



Merecem destaque também From Bad to Worst e seus coros com participação do Phill Dead Fish e o ritmo mais veloz de Under Pressure. Além das mudanças de clima de O Que te Faz Errar, que começa pra frente, com tudo pra ser trilha de vídeo de skate, cai pra passagens mais lentas - com bateria marcada e baixo comandando - e volta com um riff e solo de guitarra chamando o refrão de volta. Controlados é a última das doze faixas e encerra o álbum com linhas de baixo que se destacam, coros no refrão e uma das melhores letras de Imaginário Absoluto.


O disco foi gravado no El Rocha (estúdio dos irmãos Sanches Takara, um deles, Fernando, responsável por uma das guitarras da banda na formação atual) e mixado nos EUA por Stephen Egerton (Descendents/All), o que resultou numa qualidade impecável de som, com tudo muito bem definido e ao mesmo tempo orgânico na medida certa. É daqueles álbuns que fluem fácil da primeira à última faixa, todas carregadas de energia, com arranjos bem elaborados e, ao mesmo tempo, simples como aqueles feitos por bandas como Dag Nasty e Rites of Spring, influências muito presentes.


Imaginário Absoluto é parte dos poucos, mas valiosos, discos que injetaram oxigênio no hardcore nacional em 2011 fazendo com que o gênero, que há algum tempo andava carecendo de bons lançamentos, voltasse a dar sinais de uma promissora leva de qualidade musical.

Você também pode gostar

0 comentários