Romantismo e Belo até demais... ou quase isso

por - 11:11

resenha disco belo
Muita gente só dá valor aos  ídolos depois que eles se vão e vimos isso com Wando, Bezerra da Silva, Cartola, Herbert Vianna (ou pelo menos a metade debaixo dele) e a Adel, ops... Amy Winehouse. Pois então, vamos consertar isso da maneira mais justa! Resolvi ouvir toda aquela galera antiga que sempre curti e saí um pouco dos tempos de nostalgia pra conferir os sons que eles fazem atualmente. E o primeiro nome que me veio em mente é dele, do maior ídolo de quando bebo nos churrascos e aniversários que frequento: Belo! Dei uma bela ouvida no ultimo trabalho dele “Pra Ser Amor”, de 2010, mas que só começou a ser divulgado no final de 2011 e começo deste ano por conta da cadeia que ele amargou por tráfico de drogas. E por favor, sem piadinhas sobre ele vender os próprios discos. Mas enfim, vamos à minha opinião sobre o trabalho do grande trabalhador.




[caption id="attachment_12234" align="aligncenter" width="456" caption="Quem te viu, quem te vê, amg!"]resenha belo[/caption]

Não sei se isso vai soar direito, mas o tempo em que ficou na cadeia o fez muito bem, mas claro, isso não é razão pra se dizer que o sistema funciona e que estamos gerando melhores cantores de pagode, até porque sabemos que os quinze minutos do gênero já se foram. Ao ouvir o álbum, não pude deixar de comparar seu novo trabalho aos antigos que encheram minha infância com a mais pura melodia popular que traduzia bem o cenário de quem tomava ônibus usando passe no meio e no final dos anos 90, mas as mudanças são marcantes em alguns pontos e irrelevantes em outros.


Em termos de comparação, acredito que os antigos fãs de seu som conseguirão reconhecer aquele Belo de outros tempos, de antes da prisão. Os arranjos e a melodias foram muito bem compostos e em certas faixas a escolha de instrumentos introdutórios e que conduzem a música foi bastante surpreendente, o que me deixa em dúvida se devo chamar o bom e velho Belo de pagodeiro, já que as músicas se "rebuscaram" tanto a ponto de me questionar se estava ouvindo o disco novo do Fábio Jr. E me questionei sobre isso não só por sua erudição súbita, mas pela escolha dos nomes das faixas, pelo dueto com a Marina Elali (o google sabe quem é) e justamente pelo singelo abandono daquilo que o marcou como o cantor que era: o cavaquinho, o pandeiro, o violão e aquele bando de fãs espinhudas e gordas gritando “LINDOOOOO!”. De alguma forma, metade daquele Belo se foi. E devia ter reparado isso só olhando a capa do disco!




[caption id="attachment_12235" align="aligncenter" width="600" caption="Se ele estivesse cheirando a flor, eu não teria feito esta resenha"]resenha belo[/caption]

Em relação às letras, parece que ele teve bastante tempo pra ler enquanto cumpria pena. Elas não são distantes daquilo que falavam antes, que aliás, abusavam do romantismo e da melosidade que todo mundo ligeiramente carente adorava, mas é de se impressionar que em termos de vocábulos utilizados e concordância verbal, o trabalho foi digno da sua professora de primário dar estrelinha de bom aluno. Mas não somente em termos intelectuais (para um pagode noventista renovado) o disco me pegou desprevenido. O novo trabalho é mais melódico do que nunca. E eu particularmente achava isso difícil, afinal, se tratava de um pagodeiro cuja característica principal era a voz entonada com o nariz e a afinação de como se estivesse tomando sabugadas no rabo. Em algumas horas, dava pra sentir a dor do intérprete. A dor anal de amar.


Em resumo, o disco novo do Belo é mediano. É engraçado ver que o artista vai tomando outros rumos e vai tentando lapidar seu som de maneira que o permita se atualizar cada vez mais. Digo, vemos isso o tempo todo com várias bandas, mas confesso que nunca achei que veria isso acontecendo com o Belo. Era tão bom do jeito que estava que acabou me decepcionando um pouco, apesar dos aspectos positivos da mudança, que vemos no álbum. Por outro lado, é muito bom saber que a preservação de alguns elementos ainda me faz nostalgiar ao som de sua voz. Espero que não tenha soado homossexual.


Nota: 6,5 de 10.


Destaque: ”Direito de te Amar” (sério)

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1 comentários

  1. "Em algumas horas, dava pra sentir a dor do intérprete. A dor anal de amar." Mais verdadeiro que isso, sei não, viu?

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