trilha sonora para uma tarde no motel.

por - 14:15

motel

dia desses, depois de muito tempo, revi o clássico moderno de Stephen Frears e Nick Hornby, Alta Fidelidade. filme legal (tirando a maioria das cenas do Jack Black). o John Cusack foi O CARA pra esse papel; a sinceridade do personagem de Cusack dentro da realidade masculina de tendência loser ainda me impressiona. sagaz, reflexivo, e tapado feito uma mula, tudo ao mesmo tempo!... "ele poderia substituir facilmente o Charlie Sheen no Two and a Half Man", comentei com minha garota em determinada cena do filme. ficaria muito melhor do que o pombão do Ashton Kutcher.


mas isso não vem ao caso agora. o que me fez refletir sobre o Alta Fidelidade é que o personagem do Cusack realmente tinha tato pro bom som, em quase todas as ocasiões. quase todas, menos nas mais importantes: uma boa trilha sonora pra sexo. nesse quesito, ele era meia-bomba, na moral: Marvin Gaye é o "ladies-man", claro, mas é muito manjado. e a mina que ele pega, aquela de dreads, quando faz uma versão de Peter Frampton, me dá uma certa dorzinha de barriga, de tão chato. uma versão de merda, um saco.


música ocasional pra sexo é meio complicado, você sabe. não que seja estritamente necessária. eu sei que sexo é cheio de pequenas taras e manias, mas eu, particularmente, não tenho nenhuma mania do tipo "tem que ouvir música pra poder trepar direito"; mas imagina aquela vez que você foi num motel, e sem querer (ou querendo) você ligou o rádio da cabeceira da cama pra descontrair e relaxar e... tocando Brian Adams! pronto: pode recolher a roupa, tomar um banho gelado e ir pra casa, sem diversão.



se por acaso você escolhe ouvir música durante o ato, tem que tomar muito cuidado: uma boa seleção pode levar às alturas; mas se for mal escolhida, pode também te proporcionar um fiasco daqueles bem vergonhosos. ou se o seu shuffle te trolar bem na hora H, pulando de uma sexy PJ Harvey pra um broxante Michel Teló, ou coisa parecida. ok, colabora bastante se sua lista não tem coisas tão discrepantes! mas alguma coisa "nada-sexy" você deve ter aí sim, nos seus arquivos.


pensando nessa falha, e prestando um serviço público ao sexo bem feito, uma das únicas alegrias reais de nós, pobres humanos, fiz um set com 25 sonzeras carregadas de feromônios e testosterona, libidinosas até o osso: começando suave e entorpecente com as japinhas do Cibo Matto, passa por algumas baladas trip hop, gênero que por si próprio tem um sex appeal sufocante, e vai "endurecendo" com o hard-swing de Stooges, Mule, Black Flag e Desert Sessions, e relaxando de novo naquele clima de cigarro pós-coito (nem fumo, mas sei como é) com Afghan Whigs e Pixies. set forrado de good old 90's, com pitadas de 70's. oitenta não. oitenta é a época mais broxante da humanidade: nem sei como nasceu tanta gente nessa década!


você pode baixar o setlist aqui, em PARTE UM e PARTE DOIS. baixe as duas e dá o play nas alturas, junto de sua gatchenha / seu bóezinho, na salinha meia-luz, com uma garrafa de Merlot, um pote de fondue, uma barra de chocolate e um "digestivo"... e segue o ritmo das músicas: diversão garantida durante 1 hora e 46 minutos! tu dá conta? se garante?? então manda brasa nessa responsa!

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2 comentários

  1. Não tem nada a ver com música, mas certa vez entrando numa suite dum motel por aqui, a contra gosto porque os outros estavam lotados, ela era toda cor de rosa. Nada mais broxante. Mas fomos em frente, entre risos.

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  2. HAHAHAHAHA Que texto legal! :D Adorei, massa!

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