7 registros obscuros da música nacional

por - 11:08

A música brasileira é bem mais rica do que parece. Uma vez li em algum lugar que o grande problema desse país é a falta de memória. Depois de descobrir vários blogs especializados em uns sons undergrounds antigos, passei a concordar inteiramente com essa ideia. Tendo em vista isso, resolvi hoje, perto do feriadão, separar 7 clássicos perdidos no meio desse muntuê de coisas. Já aviso que os textos que acompanham os álbuns são apenas breves palavras do que cada disco é e não foram escritos por mim.


Na verdade, tanto as palavras que vocês irão ler quanto os discos, estão no Hominis Canidae e acho que deveriam ser mais aproveitados, pois não é sempre que você vê rip de vinil que nem existe mais. Portanto, tudo está aí embaixo, com capa, tag, a maioria numa qualidade boa (mínimo de 128kbps). Tudo é bem ácido e diferente do que já escutaram e o Pedro dos Santos (Sorongo) inclusive ganhou uma resenha feita pelo Diego (que acompanha o disco).


É bom deixar claro que tem mais uma par de registro doido assim, mas escolhi os primeiros que me veio a cabeça e os que eu mais ouvi. Lembro do Quintal de Clorofila que é um folk gaúcho muito louco feito por dois irmãos, entre outros, que você pode conferir no Hominis. Mas aqui, como disse, acabei focando em apenas 7 que escutei com mais atenção e com um pouco mais de frequência.


Agora que vocês já sabem do que se tratam, irão embarcar numa história meio treze e obscura da música nacional. Aviso que o Walter Franco provavelmente é conhecido por alguns, entretanto, receio que apenas a fase Vela Aberta. O disco aqui postado, Ou Não, é um fantástico registro experimental e não-linear sobre tudo. Por curiosidade, esse cara tem coisa presa e em estúdio até hoje, porque os milicos o censuraram. Bom, bora para os álbuns, boa viagem.


Marinho Castellar - Marinho Castellar (1980): Marinho Castellar foi um poeta e músico que nasceu em 1957. Gravou esse disco que é uma pedrada musical. Psicodélico e folclórico com muito conteúdo em suas letras. O álbum foi lançado em formato de ovo, e o disco amarelo, representava a gema. Talvez dessa lista é o registro mais injustiçado.


Flaviola e o Bando Do Sol - Flaviola e o Bando Do Sol (1974): Outro representante da geração nordestina pós-tropicalismo, que teve em Paêbirú, de Lula Côrtes e Zé Ramalho, sua expressão mais radical. Também pernambucano, Flaviola e o Bando do Sol gravou apenas um álbum, lançado pelo selo local Solar, em 1974. Com base em ritmos regionais, produziram um raro mix de folk-rock-psicodelia, que permanece com extrema atualidade. Instrumental rico, na base de violões, violas, guitarras, flautas e percussão. Basicamente acústico, com uma poesia ímpar, o disco é mais um exemplo da energia, da vontade de crair algo novo, que abundava no Recife. Uma comparação com os ingleses de "The Incredible String Band" não é de todo absurda. Participam do disco Flávio Lira (o Flaviola), Lula Côrtes, Pablo Raphael, Robertinho of Recife, e Zé da Flauta


Pedro Santos - Krishnanda (1968): Hoje eu vou cometer o atrevimento, o absurdo de tentar falar de um dos discos mais ácidos que eu ouvi na minha vida. É um dos clássicos desconhecidos da música brasileira. Primeiro as informações básicas: “Pedro Santos (ou Pedro dos Santos) é o heterônimo de Pedro Sorongo, percussionista, compositor e inventor de instrumentos de percussão como a tamba. Acompanhou nomes como Jacob do Bandolim, Baden Powell, Elis Regina, Elza Soares, Sebastião Tapajós, Roberto Ribeiro, Milton Nascimento, Clara Nunes entre outros. (continue lendo)


Os Brazões - Os Brazões (1969): Integrada por Miguel e Roberto nas guitarras, Eduardo na bateria e Taco no Baixo, Os Brazões era a banda que acompanhava Gal Costa no final dos anos 60. Cultivavam um estilo imerso no tropicalismo, com altas doses de psicodelia, evidenciada pela guitarra fuzz de Roberto e pela guitarra wah wah de Miguel. O rico trabalho de percussão, as letras em português e a utilização recorrente de ritmos regionais, completam a fórmula sonora dos Brazões. Uma comparação com Santana não é de todo errônea. Os Brazões é uma das mais intressantes bandas da psicodelia brasileira. Este disco, que em determinados momentos parece estar a frente do seu tempo, com pinceladas bastante elaboradas de rock e até de fusion, lamentavelmente é o único legado da banda. Um grupo que com certeza poderia ter ido muito longe.



Pão com Manteiga - Pão com Manteiga (1976): Pão Com Manteiga foi uma banda paulista formada em 1976 pelo vocalista e guitarrista Johnny, Edison na Bateria e Efeitos, Paulo Som na Viola, Violão e Vocal, Pierre no Baixo e Vocal e Gilberto nos Teclados e Banjo. Infelizmente a banda tem apenas esse One – Shot que vos apresento, um disco homônimo com um tema interessante, estilo medieval o disco é conceitual e aborda o mundo fantasioso de Avalon e faz criticas a sociedade moderna. Uma musicalidade muito agradável e com músicos competentes o Pão com Manteiga não recebeu a devida atenção do publico.


Paulo Bagunça & A Tropa Maldita - Paulo Bagunça & A Tropa Maldita (1974): Em 1974, o selo Continental lançava um disco estranho, com o nome da banda bem grande na capa: Paulo Bagunça e A Tropa Maldita, que fez especialmente a cabeça da galera roqueira. A expressão Bagunça já era uma certa provocação, Tropa Maldita, então, nem se fala, mas o mais intrigante era mesmo o som dos caras, que a mídia da época classificava de "pop eletrônico". Apesar de homogêneo, o disco permite destacar algumas canções, pela sua avançada concepção, especialmente 'Grinfa Louca' (com uma batida afro alucinada) e 'Madalena' (um samba carnavelesco à la Jorge Ben, com presença de algo parecido com um moog, que dá um toque eletrônico à música). Com uma concepção arrojada de percussão, que também lembrava Santana, em certos momentos, algumas canções, como 'Apelo' ainda traziam climas orquestrais, resultado da participação do maestro Laércio de Freitas, responsável pelos arranjos do disco.


Walter Franco - ou não (1973): Ou Não é um disco totalmente fora dos padrões estéticos aceitáveis pela maior parte de nossa sociedade. Entendi rapidamente o motivo do título de ¨Maldito¨ carregado pelo artista. Ele é louco! Seus trabalhos estão devidamente trancados nos arquivos das gravadoras até hoje, num Brasil democratizado. Uma Obra-prima de um dos mestres da música brasileira, Walter Franco influênciou boa parte da psicodelia e experimentalismo musical brasileira. Muita coisa que voces baixam e escutam tiradas daqui existe por conta dele...

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13 comentários

  1. quem tem podia disponibilizar, na parceria

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  2. TENHO LP VINIL "MARINHO CASTELAR-1980" PARA VENDER. "IMPECÁVEL - CAPA E DISCO" - ROGERIO@NETOZ.COM.BR

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  3. o do marinho tá quebrado

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  4. Quero uma pt. II de discos obscuros. Descobri uma banda nacional chamada "Persona" que realmente devia estar nessa lista. Além do disco do psicodélico do Duprat.

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  5. Olá tenho um disco pão com manteiga para vender. face maisalannes

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  6. Tenho interesse no disco do pao com manteiga mande um e-mail para bombeirowendel@bol.com.br desde ja grato !!!!

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  7. Oi ainda tem o disco disponivel? Obrigao

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  8. Sobre o grupo Pão com Manteiga a curiosidade fica para o estúdio e fotógrafos que realizaram a capa, R&O Fotógrafos no bairro do Paraíso em São Paulo, foto de Romeu Bataglia e Orlando Bataglia com assistência de Rubens Bataglia, isto pela gravadora Continental Discos com direção de arte de Oscar Paulillo e arte final de Valmir Teixeira

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  9. Sõ consegui baixar o Pedro Santos (Sorongo) - Krishnanda

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  10. Como a matéria é antiga, os links acabam expirando mesmo, mas a maioria dos álbuns é tranquila de encontrar nos dias atuais.

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