"Sobre amigos e colegas"

por - 14:12

cronica amigos

Não precisamos trabalhar no IBGE ou ser extremamente inteligentes pra sacar que o Brasil tem muita gente. Muita mesmo. As vezes sinto não ter noção dessa dimensão de galera, mas sempre que vou a lugares movimentados e vejo menos de 1% da nossa população atual, fico ainda mais sem essa dimensão. É gente pra caralho. Pensar num número tão grande de pessoas, ao menos pra mim, é impossível. É como tentar imaginar um show bom d’O Teatro Mágico. Mas com tanta gente no Brasilzão, mesmo sendo o Luciano Huck, não dá pra conhecer todo mundo. Mas acho que você não precisa, contanto que você conheça as pessoas certas. Ou as erradas mesmo.


Não me considero uma pessoa cheia de amigos. Longe disso, aliás, não tenho muitos. Posso contar nos dedos as pessoas com quem posso contar, mesmo se fosse o Lula. Mas tenho muitos colegas, com os quais convivo ou converso frequentemente, mas que não são como os amigos mesmo. Prefiro separar meus contatos dessa forma, já que esse papo de melhor amigo sempre me pareceu vago. Digo, se você tem um melhor amigo, isso significa que os outros são amigos não são tão bons? Se não são tão bons, seriam eles seus amigos? E se há o melhor amigo, também rola um pior amigo? E o inimigo, não seria um pior amigo? E o pior inimigo então fica sendo como o pior dos caras que você odeia, mas existe então um melhor inimigo, ou alguém que você ame odiar? Não sei e não gostaria de saber.


Mas mesmo com amigos e colegas, não é difícil se sentir sozinho de vez em quando. E se só eu me sentir assim, preciso ir ao Comedians. Essa é a ideia mais genial do mundo. Reunir gente que se sente solitária ou gente triste mesmo e cobrar ingresso pra ver gente ainda mais triste e solitária fazendo piadas sobre suas andanças solitárias e tristes. Deve ao menos dar um bom dinheiro isso. Não estou dizendo que gente sem amigos vai lá, mas certamente é um lugar aonde gente vai pra rir dos próprios problemas refletidos em um comediante sem graça. Minha opinião. Mas uma opinião totalmente dispensável. Porém, ainda assim, para se pensar.


Mas aí fica a dúvida: e se eu não tiver amigos? Bom, você sempre terá a sim mesmo. E eu não estou falando de esquizofrenia ou dupla personalidade, mas estou falando da sua boa e velha capacidade de ser seu próprio amigo. Quando me sinto sozinho, faço uma caminhada sozinho. É até irônico como andar sozinho ao me sentir sozinho faz com que eu me sinta menos sozinho, mas é assim que funciona. E até funciona bem. Fica a dica de apresentador de programa matutino que fala sobre tudo e ainda dá prêmios aí pra você. A verdade é que não precisamos de amigos ou de colegas, mas precisamos nos sentir bem da maneira que for. Quando as pessoas se sentem bem juntas, isso é bom. Se sentir bem sozinho também é. Se sentir bem com cadáveres ou com brinquedos de borracha... bem, se eles também se sentem bem, por que não? Pode parecer até egoísmo procurar sempre o benefício próprio nas relações que mantemos com as pessoas, mas no fim das contas, se um está se divertindo, todos acabam se divertindo. Isso na amizade. E talvez no coleguismo também. De qualquer forma, ambos se complementam e nos ajudam a viver melhor, como quando você pega um ônibus lotado com gente que você gosta de passar um tempo junto. Ou quando o dentista pergunta como vai sua família, apesar de você estar com a boca aberta porque ele está mexendo com seus dentes. Tudo uma questão de diversão.


 

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