Chicago Underground Duo e um dos melhores discos de 2012

por - 14:08

Chicago Underground - Age of Energy


Sabe quando você ouve um álbum e acha que tem o dever de resenha-lo, pois se não fizer isso, se sentirá culpado pelo resto de sua existência? Aconteceu isso com o novo do Chicago Underground Duo, Age of Energy.


Para começo de conversa sou fã dos trabalhos do Rob Mazurek (sim, de todos que conheço, afinal, o cara tem muitos projetos). E a cada lançamento de algo dele, vejo uma inovação, que algo não soa idêntico ao outro, pelo contrário, tudo se torna uma evolução. O SPU, por exemplo, uma baita pedrada junto com o Mauricio Takara, Guilherme Granado e Richard Ribeiro. Tão sacando?


Não poderia ser diferente aqui, com o Chicago Underground Duo, uma união de Rob Mazurek e Chad Taylor. Ouvi o Boca Negra tem uns dois ou três anos, e foi uma das coisas mais loucas e gostosas que já escutei em toda minha vida. Do início ao fim, algo que não soa bobo, nem forçado a ser conceitual. Sincero e visceral.




[caption id="attachment_13480" align="aligncenter" width="610" caption="Chad Taylor e Rob Mazurek. Foto das antigas."]chicagoundergroundduo[/caption]

Age of Energy, lançado no mês de março pelo selo gringo Nothern Spy, confirma o que foi dito sobre o Mazurek acima. Tenso, gostoso e experimental do play na primeira música, Winds Sweeping Pines, com 19 minutos, ao último segundo de Moon Debris, quinta canção do álbum.


Numa espécie de faixa a faixa, poderia dizer que a primeira engloba muita coisa. Começa simples, com pequenos ruídos, feitos de um pedal talvez, não sei ao certo o instrumento e com o tempo vai ganhando outros elementos, chega a adquirir até um pouco de ritmo, mas quebra, volta ao começo, uns synths, uns barulhos, ruídos, a bateria do Chad Taylor chegando, às vezes o clássico trompete do Maza. No final da faixa, por volta dos 16 minutos, aí sim, uma parada bem doida, sem quebrar, ritmo e uma técnica absurda. Resumindo: esses 19 minutos da primeira música dá pau em muito disco de 40.


A segunda música, It’s Alright, não está nada ok. É mais um belo show de experimentação e loucura para o ouvinte apreciar. De fundo para pequenas falas, um som que consigo apenas descrever como algo cósmico, na sequencia, chega um ruído que não incomoda, mas dá um tom mais sombrio e galáctico para a faixa. Essa musica é menor que a outra, 10 minutos, o que não quer dizer que seja menos torta. Pelo contrário, é tanto quanto a anterior.


Castle In Your Heart é bem mais curta que as anteriores, mas puts, eu queria ter feito esse começo no xilofone. Mesmo. Queria também saber tocar esse instrumento. A música é linda. O trompete do Mazurek, o xilofone, tudo sincronizado, numa canção que experimenta muito, mas não da mesma maneira que as passadas, é bem mais delicada e suave. Sério, essa faixa é foda.



Age of Energy é a quarta música e é quem dá nome ao álbum. Não há definição melhor, nem uma palavra que resuma esta canção melhor que: brutal. Um pouco daquela pegada cósmica, um pouco de toda a loucura da primeira e um ritmo bem acelerado, de fazer o coração disparar, principalmente pela percussão comandada por Chad Taylor.


Moon Debris encerra um dos melhores discos que ouvi em 2012 com maestria e agitação, numa espécie de continuação da primeira música. O final de Winds Sweeping Pines, conecta-se com a quinta canção. É uma baita sacada e um ótimo final para este belo álbum.


Age of Energy é de longe um dos melhores registros que escutei em 2012. Por enquanto, já pensando naquelas listinhas de final de ano, esse aqui abocanhou com folga a única vaga reservada para os gringos. Valeu Chad e Mazurek, mesmo!

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