Descanse em paz Exalta... e esquece aquela lua!

por - 11:06

resenha exalta

Como chegar à imortalidade? Escrever seu nome na história, ser lembrado para sempre, chegar ao topo do mundo? Existem várias formas, desde ser mordido por Drácula a agradar várias pessoas com alguma característica que você tenha. Esta tarefa não é fácil, mas vez ou outra tem gente que consegue, para o bem ou para o mal. Na música, esta barreira fica levemente mais branda e é fácil nomear a caralhada de bandas que chegaram ao suprassumo da imortalidade. Se tratando do nosso Brasilzão, também temos nossos imortais. Chico Science e Nação Zumbi, Fagner (eu considero), Titãs (em minha opinião, só por causa do Cabeça Dinossauro) e mais uma porrada de outros. Porém, se vamos falar dos amados anos 90, eu diria que uma banda chegou ao seu ápice, mas escorregou e caiu de bunda. Esta banda é o Exaltasamba.


Talvez todos se lembrem de que antigamente a banda era composta por cinco rapazes com seus ternos bem alinhados e seu pagode maroto que conquistava multidões e enchia os playbacks dos programas do fim de semana. Todos os membros da banda tinham seu brilho, mas seus dois vocalistas, Péricles (o negão de dois metros de altura e largura) e Chrigor (o loiro oxigenado com problemas dentários) eram os donos da bola. E assim foi durante boa parte da existência do Exalta. Porém, alguma merda aconteceu e o Chrigor resolveu sair da banda, deixando fãs na mão e colegas de pagode no choro do cavaco. Porém, para seus colegas isso durou pouco, afinal, um novo vocalista tomou seu lugar. Este era Thiaguinho e o novo Exaltasamba estava formado. Apenas uma mudança de vocalista foi necessária para que a banda fosse do pagodão genérico dos anos 90 para a explosão do novo milênio. Recentemente esta banda acabou, mas ela fez estragos por aí com seu pagode universitário despojado. E é aí que minha decepção começa.



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Chrigor: saiu do Exaltasamba mas não perdeu o estilo

Dei uma olhada no ultimo disco deles, “Tá Vendo Aquela Lua”, de 2011 e o que tenho a dizer é simples. Fiquei empolgado com a ideia de que o novo Exalta podia ser bom como o antigo, mas me frustrei. “Tá vendo aquela lua” é confuso. Imagine um japonês baixinho vestido de Elvis. Este é o disco. Ele soa como um pagodão daqueles, ele tem todos os elementos de pagodão, mas não sei o que há com ele, não senti o pagode no disco. Parece até coisa de fã babaca do Exaltasamba antigo e pode até ser, mas eu não fui o único a pensar assim. Ouvi falar que muito da base antiga de fãs não aceitou bem a mudança do Exalta, o que me deixou mais tranquilo. Posso até estar errado quanto a este disco, mas ele não me soa bem. Esforçando-me muito, só consigo dizer que é regular.


Em relação ao instrumental a expectativa é correspondida, com palminha marcando ritmo e tudo mais, porém, dá pra sentir algo diferente exatamente neste quesito. A marcação geral das músicas em boa parte do disco é mais rápida que em trabalhos antigos ou que em pagode no geral. Por um segundo, achei que tinha dado play no Rocket to Russia do Ramones. E isso pode até parecer exagero, mas essa mudança é perceptível aos ouvidos. Péricles, um dos vocalistas, faz um puta trampo conduzindo a galera com sua voz muito bem afinada e Thiaguinho, o novo vocalista, até fez um bom trabalho cantando, mas não se adaptou bem ao estilo antigo da banda, fazendo ela virar uma nova banda. Isso foi como construir um prédio em cima de uma casa de campo. Em outras palavras, achei a mudança estranha aos ouvidos. Claro, sendo vocalistas diferentes, estilos diferentes, mas essa estranheza permanece por todo o álbum e isso é um pouco excessivo pra ser só uma birra com a novidade da banda.


Sobre as letras, senti uma queda geral de rendimento do Exalta. Digo, eles ainda falam sobre amores, mulheres e como foram corneados pela gatinha da vizinhança, mas tudo soa diferente apesar da mesma temática. O novo Exalta parece levar tudo na molecagem. Costumo ressaltar o amadurecimento dos trabalhos que resenhei até agora, mas desta vez senti como se a banda tivesse regredido. Separe um tempo do seu dia e ouça uma história daquele seu primo de 15 anos que vai pra matinê no fim de semana. É assim que o Exalta novo soa na maior parte do tempo. O Exaltasamba, tal como praticamente todos os grupos de pagode antigos eram marcados pela maturidade e pelo modo como narravam os cornos e foras que tomavam das gatinhas e confesso que o modo antigo era muito mais divertido de se ouvir. O novo se esforça menos para ser poético, incompreendido ou rebuscado, o que faz toda a magia se esvair.



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vai dizer que você nunca tirou foto assim no dia 1 de janeiro?

E então, vem a grande surpresa. O disco possui dois remixes e uma “versão black”. E por remixes, inicialmente, entendia como uma simples mixagem nova com remasterização de alguma faixa antiga ou uma simples outra versão, com um approach diferente. Não. Um deles é uma versão patética de uma música já no disco, só que toda produzida no Fruit Loops e a outra é uma espécie de rap do amor, toda cantada por Thiaguinho. A versão black tem a mesma idéia do segundo remix, mas o termo “versão black” só conseguiu mostrar a criatividade em baixa do produtor. É quase como uma prévia de carreira solo, que por acaso já está acontecendo. Achei tudo totalmente fora de lugar. Não consegui gostar de nenhuma das três faixas e acho que por estarem um pouco depois do meio do álbum, a tentativa de inovar desce pela descarga como aquela feijoada de domingo. Ah sim, também no fim do disco acompanham duas faixas “bônus”, que consistem em uma versão em samba enredo da música “Como é grande o meu amor por você” do Roberto Carlos e uma música de natal em ritmo de pagode. Resumindo, o fim do disco é triste.


Apesar de tudo que disse, o disco vendeu muito bem e construiu uma gama de fãs ainda maior do que a que acompanhava os trampos da era Chrigor no Exaltasamba. Não entrarei no mérito de quem é melhor, até porque a este ponto já deve ser meio óbvio. Não consigo recomendar este álbum senão para sentir a agonia de um grande nome do pagode sendo dilacerado pelo termo “universitário”. Se você é universitário e curte tudo que também seja, talvez venha a gostar deste trampo. Não consegui ficar triste com o fim do Exaltasamba, afinal, se é pra terminar algum dia, que seja agora antes que façam mais coisas nefastas assim. Péricles, numa entrevista, disse que a “culpada” pelo fim do Exaltasamba é a namorada do Thiaguinho, a Milli de Chiquititas e ele ainda a citou como a “Yoko Ono brasileira”. Se o grande Péricles se compara aos Beatles dizendo que rolou até Yoko Ono, então isso significa que o Exalta não estava bem mesmo. Então, que o Exaltasamba descanse em paz com todas as boas memórias que temos deles... na era Chrigor.



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Fernanda Souza, a "Yoko Ono" do Exalta, pode até ser bonita, mas ainda tem uma bela NAREBA

Nota: 3,0 / 10


Destaque: “Eu Chorei” e “Teu Segredo” (apesar de ter destacado duas faixas, destaquei as únicas duas faixas que consegui gostar no disco inteiro. Elas acertam em tudo, desde instrumental a vocais, que são alternados em ambas. E só isso. Lamentável.)

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