Dinho Coração Preto, porque o Ouro ele ficou devendo

por - 14:08

resenha dinho

Ah, os anos 80! Os videogames eram legais, o futebol era de primeira qualidade, as pornochanchadas eram divertidas e os cabelos eram armados. Não sou um fã doente dos anos 80, mas não preciso ser para saber que muita música dessa época era bem legal. Veja bem, não era essa maravilha toda, mas muita coisa acabou acontecendo musicalmente, desde o começo do rap ao estouro do rock de Brasília, além do punk e de tantas outras coisas que foram ganhando espaço graças ao fim da ditadura. Uma dessas coisas foi o Aborto Elétrico, que foi a banda seminal para a formação do Legião Urbana e do Capital Inicial. O Legião todos sabem como é e eu nem me arrisco a dizer que o Renato Russo e o Dado Villa-Lobos tentavam ao máximo ser Morrissey e Marr (oooops), mas sobre o Capital Inicial eu posso dizer com segurança: eles nunca me empolgaram com sua música. Sinto muito, rapazes.


E os tempos foram passando até chegarmos a hoje. O Legião acabou e virou eterno, mesmo com o baixista na rua, todo cagado e os outros membros vivos com dinheirinho no bolso, e o Capital Inicial continua aí... não me empolgando com suas músicas batidas e até mesmo com as novas. Cara, que banda cansada! Sinto como se eles estivessem lá só pelo dinheiro. Podiam ao menos disfarçar um pouquinho e falar que amam fazer shows e tudo mais, mas ok. Por tanta gente gostar da banda, meus comentários se tornam um grande toroço, o que alivia minha consciência por demonstrar tanta aversão a uma banda dita tão importante para o cenário musical atual e antiga (desculpa, eu copiei esse ultimo trecho da Rollings Stones). Não contente em não me empolgar com sua banda chatinha, Dinho Ouro Preto resolveu fazer um disco solo só de covers pra ver se a parada engrena e ele agrada a todos com suas músicas preferidas. E nem adianta dizer que ele não se importa com os nossos comentários porque senão ele nem botava o disco a venda. Sim, este disco está a venda em algum lugar, imagino eu.


“Black Hearts” é o terceiro disco solo de Dinho Ouro Preto. Terceiro! Eu também fiquei surpreso quando soube disso. Os outros dois discos foram lançados nos anos de 94 e 95 respectivamente. Depois de tanto tempo, ele tomou coragem e fez este disco de covers, sendo eles de Patti Smith, Joy Division, Smiths, Eddie Vedder, The Cure, Muse, Raconteurs, Sinead O’Connor, Leonard Cohen, Elvis e U2.Uau! Que dispensável, não? Li por aí que o Dinho também achou, mas gravou mesmo assim só porque os fãs dessas bandas são “xiitas”. Mas é um pirolão, não é? Cheguei a ler a resenha que o Miojo Indie fez do disco (1 de abril sagaz aquele) e digo logo que concordo com tudo, só que ao contrário.



resenha dinho
a capa do disco é o Dinho pedindo pizza... daora!

Não quero ser muito cruel, então tentarei ser, só pra anular a crueldade. O disco é ruim. Mas não ruim no sentido de mal gravado, mal tocado, mal produzido, mal mixado ou feito de má vontade. Na verdade, muito pelo contrário, o disco é bem tocado, na medida do possível, bem gravado e pude até sentir que houve um empenho todo no trabalho, mas isso não foi o suficiente pra fazer o disco todo escapar de uma dose de vergonha alheia. Botando em termos práticos, o disco do Ouro Preto soa como o seu pai cantando num churrasco ou no karaokê do domingo quando tem festa de família. Escolher um álbum de músicas preferidas, fazer arranjos novos para elas e adaptá-las ao seu jeito é uma espada de duas lâminas. Ou pode ser inovador, genial, estupendo ou ser digno de um “facepalm” ou de momentos embaraçosos para aqueles que gostam das músicas que foram tocadas. Acredito que não dá pra agradar a todos MESMO, mas por outro lado, você não ganha fãs por ser radical e dizer que não se importa com os fãs de outras bandas. Imagino como o Dinho reagiria se fizessem uns forrós com as músicas do Capital, mas enfim, forrozeiros gostam de músicas populares.


Em relação às letras, bom, todas são muito boas. Porque ele não escreveu nenhuma. Mas se tratando da única coisa que este karaokê gravado em CD se trata, que é o canto, Dinho conseguiu uma proeza. Ele não foi tão irritante como costuma ser no Capital Inicial, com sua voz afetada e nauseante por conta de seus maneirismos e vibratos de quem aperta o cu pra cantar. Confesso não ser fã da voz e dos vocais de Dinho, mas é de se admirar que ele ao menos tenha mostrado uma tentativa de cantar mais adequadamente para os covers que se propôs a fazer. Pena que tenha ficado só na tentativa mesmo. Mas ainda assim, é de se dizer “bom, podia ter sido pior”.


No geral, o disco é ruim, mas ruim pela seleção dos covers, que não fizeram jus a sua voz. Vale citar também os arranjos, que hora até conseguem segurar a barra e hora transformam verdadeiros clássicos em músicas de churrascaria ou de videokê. Em alguns momentos, o disco como um todo me fez lembrar das investidas que outras personalidades da mídia tentaram fazer na música, como o memorável disco do Roberto Justus e da Suzana Vieira. A semelhança está no empenho instrumental que tiveram e em todo o respaldo que receberam para fazer um material de qualidade, apesar dos cantores não terem correspondido. A diferença é que Dinho, por ser do meio musical, devia ter feito algo mais... musical.



resenha dinho
tem que ser muito radical pra fazer pneu de carro cantar tchurururu

Nota: 1,5


Destaque: “There is a light that never goes out” (é impossível estragar esta música, por mais que você seja o Dinho Ouro Preto)

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1 comentários

  1. Faça das suas palavras e de seu texto, tudo o que acho dessa banda (e de outras) e principalmente deste cara

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