Impressões: 2º dia do #APR20Anos – Thrash, grindcore, metal e show no chão.

por - 14:10


Pra começo de história, fazer um festival nesse país não é fácil, não é grana em mãos que vai fazer um evento da certo, e tenho pena de quem acabou trocando uma noite de festa dos 20 anos do Abril Pro Rock pra arriscar em pular naquela "Dry Clean" chamado MOA. Bom, o sábado do festival foi a noite banger mais uma vez, dessa vez com um headline gigante do metal internacional Exodus, e talvez só bastasse a banda americana pra lotar o Chevrolet Hall, mas como sempre, o festival engrossa o caldo, pondo no line mais duas atrações gringas: Brujeria e Crippled Bastards, além do Ratos de Porão, Leptospirose e outras bandas de destaque. Chegando no APR com um pequeno atraso de 1h por conta do trânsito, descubro que o mesmo também sofreu de atrasos, mas mesmo assim perco o show do Pandemmy que abriu o dia, uma pena.


Quando cheguei, já dei de cara com a movimentação da galera em volta de um tablato de bateria cercado por 4 caixas de vozes, um amp de guitarra e um pequeno caos, isso tudo no meio do Chevrolet Hall, isso, era o Test tocando o terror no chão! Grindcore, pesado, rápido e cheio de energia preta soltando entre as escadarias do local, primeiros moshs, primeiras rodas, gente suando, caindo, perdendo óculos. Quem conhecia a banda, não se surpreendeu tanto mas de qualquer forma uma grata surpresa esse show ter sido no chão, acho que funciona melhor e creio que se fosse em algum dos dois palcos não teria sido tão legal.



Após isso, show dos pernambucos do Firetomb, aproveitei pra encontrar os amigos que vieram, gente de Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte, Ceará, todos foram, parecia algo como um IRContro punk ou algo do tipo, bem legal rever a galera, e nessa volta já dava pra ter as primeiras impressões, uma delas é que ia iria ter mais gente que ano passado com toda certeza, visto o número de pessoas que adentrava no festival, outra coisa legal foram os stands, o da Converse e Petrobrás estavam bem legais, além de muitas banquinhas como sempre, a estrutura estava ótima, sem nada a desejar.


Quarta banda subindo ao palco, Hellbenders de Goias, banda é boa, acho legal, mas começa o show e o som compromete a banda. Bateria muito alta, bumbo muito na frente, guitarras quase inaudiveis, problemas que foram sendo corrigidos no decorrer do show, mas que foram suficientes pra fazer com que a apresentação dos caras não fosse 100%. Mesmo assim, a banda com riffs stone, pegada forte de bateria e um vocal instigado, conseguiu gerar um ânimo na galera, foi a qualidade musical vencendo a qualidade da sonorização.


Esquema dois palcos, acaba uma banda e logo seguida outra já começa, e colei no outro palco pra assistir o Leptospirose. Acho uma das bandas mais geniais de hoje, os títulos das músicas e letras são tão absurdas que somadas ao instrumental caótico hardcore-punk-powerviolence, faz o troço ficar bom demais. Quique e cia também fazem um show a parte, piadinhas espertas e uma presença de palco foda, fizeram com que o Leptos começasse a esquentar a noite de uma vez, tocando músicas dos três discos, juntaram o público em frente ao palco, começando as rodas de pogo de uma vez, o que perduraria pelo resto da noite em outros shows. Taí um show que é sempre bom de conferir, demais!



Depois do Leptospirose, a sequência hardcore punk continua com o grindcore dos italianos Crippled Bastards. Oportunidade unica de ver perto a banda que é referencia mundial sobre grindcore, mais de 20 anos de banda e primeira vez no Brasil, um show que entra pra historia (pelo menos pra minha ahah) sobre como fazer violência em forma de música. O show é insano, uma trilha sonora para uma chacina. Tocaram músicas de várias fases, do Misantropo ao disco novo que vai sair, tocaram "Variante Alla Morte", "Italia di Merda", "Misantropo a Senso Unico" e mais uma porrada de músicas que muita gente esperava ver um dia. Um dos melhores shows da noite.



Sem parar, depois deu um massacre num dos palcos, Ratos de Porão em outro. O Abril acerta nessas sequências de show, como no ano passado dobradinha Violator/Facada, o Ratos seguido do Crippled foi pra manter o ritmo do festival. Alguns problemas com o mesário sobre retorno chatearam o Gordo durante toda a apresentação dos caras, mas nada que comprometesse o show. Posso dizer que show do Ratos em Recife é jogo ganho, até o Gordo admite que a roda punk de lá é a mais violenta do país e manda pedrada atrás de pedrada para nego se matar. Beber até morrer, agressão / repressão, testemunhas do apocalipse, cover do Ramones, do Extreme Noise Terror, teve músicas de várias fases do Ratos de Porão, enfim mais uma bola dentro e mais um ótimo show.



Fim do show do Ratos e é anunciado que por problemas do festival, o Brujeria nem o Exodus puderam passar o som pela tarde, então uma pequena pausa para passagem de som seguida de apresentação da banda Mexicana. Explicado o atrasado do festival. Logo após passagem o Brujeria começava o que iria ser 1h de brutalidade. Admito, não sou tão fã da banda, acho muito sensacionalista e sem graça mesmo, mas o show foi bruto. Nicholas Barker na bateria é uma monstruosidade, o cara detona, e o show foi seguido de muito metal, grindcore e espanhol, tudo que faz parte e é esperado de um show do Brujeria. Muita gente falou de ser o show da noite, bom, por questões de gosto, não achei, mas os caras mandaram bem.



Pausa novamente pra passagem de som e a lenda do thrash metal americana vinha adentrar palcos pernambucanos, o Exodus. Tavam logo alí Gary Holt e cia entraram por volta de 00h e começaram a devastação no Abril Pro Rock. A qualidade do som estava impecável e o show foi longo, tocaram bastante músicas dos discos mais recentes, mas claro que mandaram as antigas como as do Bonded By Blood, até "Metal Command" que muita gente não esperava, isso tudo em mais de 1 hora de show, foi pra fazer valer quem decidiu ficar em Recife pra ver a banda e não ir pro MOA. O show tava bruto, nessa hora o Chevrolet Hall já estava entupido. Creio que fechou a noite com chave de ouro com um dos melhores line-up que o festival já fez em relação a noite das camisas pretas, um show destruidor.





Mas antes do Exodus terminar, já sabia de um burburinho de uma possível surpresa fora do Chevrolet, e rolou. Um show do Test perto do ponto de taxi, fora do local do festival, entre vans de lanche e carrinhos de espetinhos de carne, rolou novamente o duo paulista praqueles que queriam o repeteco punk e deixavam o thrash metal pra outro dia. Fui da o confere, a polícia tentou barrar, foram atrás de autorização do festival, conseguiram, rolou, no meio da rua, e a galera agitou até o momento que vi, depois tive que ir embora, já tava na hora de encontrar a galera espalhada pra voltar pra casa.O Abril Pro Rock se superou mais uma vez, mas resta a dúvida se ano que vem o festival vai superar essa edição comemorativa.



 
PS: Todas as fotos do Rafael Passos e retiradas do flickr do Abril Pro Rock.

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