Impressões: 3º dia do #APR20Anos - pop, ritmos africanos e celebração...

por - 14:10

O terceiro e último dia da edição número vinte do Festival Abril Pro Rock foi o dia com o menor público deste ano, tendo um público bastante misturado. A menor quantidade de pessoas deixou claro que no domingo todas as atrações musicais da cidade do Recife meio que convergiram no mesmo público-alvo, era um domingo (dia de descanso), tinha clássico de futebol, Chico Buarque, Paul MacCartney e bandas pop no festival, resultando em um Chevrolet Hall menos cheio. Em um dia no qual a MPB, o pop e ritmos africanos dominaram o Abril Pro Rock, os pontos mais positivos foram: o som estava muito bom e o público, mesmo reduzido, mostrou-se bastante interessado em conferir os shows. Infelizmente perdi os shows da Bande Dessinee e do duo Strobo, banda que tinha muita curiosidade de ver como funciona ao vivo, por que estava gravando um quadro pros comparsas do O Inimigo. Fica pra próxima!


Cheguei ao local do evento quando já havia iniciado o show da banda pernambucana Ska Maria Pastora, banda que mistura o Ska-jazz com o Frevo, fazendo releituras de canções da música popular brasileira e alguns clássicos mundiais. A banda acabou de lançar o primeiro disco cheio, As Margens do Rio Doce, que foi muito bem apresentado ao vivo pelo grupo em cerca de meia hora de show. Achei bem legal o show do grupo, bastante animados e interagindo com o público, colocaram todo mundo pra dançar. Em seguida, foi à vez do músico paulistano Leo Cavalcanti apresentar canções do EP Religar lançado o ano passado e declarar toda sua admiração pela música pernambucana. Tendo na base de sua banda integrantes do Bixiga 70, fez um show competente, mesmo que com um público morno na maior parte do tempo, o melhor momento foi quando o cantor executou a canção “Sem (des) esperar”, a música que já é bem legal, ficou muito melhor ao vivo.


A primeira atração gringa da noite foi também a única atração realmente rock do dia, a banda americana Nada Surf fez um show super competente, recheado de back vocals e melodias indies pra alegras os fãs do grupo. A base do show foi o novo disco do grupo The Stars Are Indifferent To Astronomy, é o tipo de som tão certinho que passa despercebido em alguns momentos, mesmo sendo um som bem legal e divertido. Depois deles foi à vez de um dos pilares da música pernambucana, a Mundo Livre S/A, banda que tocou na primeira edição do Abril Pro Rock e retornou a edição número vinte, tocando canções do novo disco Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa, como: Ela é Indie e O Velho James Browse Já Dizia. Alguns clássicos como Meu Esquema e Samba Esquema Noise (que fechou o show do grupo) também se fizeram presentes. Achei o show meio chato, pouco enérgico, foi até meio burocrático, sem nenhuma surpresa.


Veio então o melhor show gringo da noite na minha modesta opinião, a orquestra de afrobeat nova iorquina Antibalas deu uma aula de música africana. Em um show bastante interativo, com canções do último registro do grupo, destaque para os instrumentos de sopro do coletivo. Entre eles, um merecido destaque para o figuraça Jordan McLean no trompete que dançava tal qual um louva-deus e animou todos os presentes, outro que interagiu bastante foi o Martin Perna. É sempre bom ver uma big band que funciona bem e se entende ao vivo, coisa muito fina.


Após uns minutos de descanso pra galera, o cantor Otto adentrou o palco do Chevrolet Hall por volta da meia noite, bastante animado e usando uma camisa do movimento #OccupeEstelita, fazendo o melhor show nacional do dia. A banda do cantor pernambucano é sempre um show a parte, um dos melhores conjuntos da música brasileira liderada por Fernando Catatau. Otto cantou músicas do último disco, lançado em 2009, e alguns sucessos antigos, como Bob e Low. Rolou participação de Gilmar “Bola 8”, além de declarações de amor de Otto a Mundo Livre S/A e Nação Zumbi, as impagáveis frases sem sentido e super divertidas do músico nos intervalos entre as canções se fizeram presentes. Ele falou um monte sobre as mudanças previstas pra cidade do Recife, dos outros eventos que aconteciam no mesmo dia e sobre o festival e sua história. Eu esperava ouvir alguma das canções que estarão no novo disco do cantor, que será lançado ainda esse ano, mas não rolou. O show terminou com a canção 6 minutos, com direito a participação do cantor caruaruense Ortinho, que em minha opinião estragou um pouco a música.


Para fechar esta edição histórica de vinte anos do Abril Pro Rock em alto astral, o grupo angolano de música eletrônica Buraka Som Sistema, colocou os remanecentes após uma da manha para dançar kuduro. Interessante o instrumental do grupo, duas baterias colocadas frente a frente, que tocam da mesma maneira, mas são montadas de forma diferente. Uma das baterias é hibrida, com partes de uma bateria tradicional e outra de bateria eletrônica, enquanto o outro baterista utiliza apenas o tradicional. Entre eles ficava o DJ do grupo, com uma parafernalha eletrônica muito foda, por mim teria menos vocal, mas a galera  anima muito e não duvido nada que tenham ficado tocando por lá ate o dia amanhecer, infelizmente estou velho e cansado, mas gostei do que vi.


O Abril Pro Rock teve o maior público de todas as edições do festival, mesmo tendo diversos eventos rolando neste mês em todo o Brasil, nordeste e até na cidade do Recife. Mesmo fora da Abrafin e dito um festival engessado e sem relevância, o festival foi maior este ano do que na última edição, dando mostras do crescimento no interesse do público e no cuidado quanto à curadoria do evento. Ano que vem tem mais, se o mundo não acabar...


PS: Todas as fotos do Rafael Passos e retiradas do flickr do Abril Pro Rock.

Você também pode gostar

0 comentários