Leves impressões do Bloody, Fuzzy, Cozy

por - 11:07

the sorry shop - bloody, fuzzy, cozy


The Sorry Shop nasceu, como um monte de banda hoje, graças aquela ideia de fazer um home studio usando notebook e uma m-audio, sendo uma banda de um homem só. O cara por trás dela é o Regis Garcia, gaúcho, da cidade de Rio Grande.


Com a necessidade de fazer shows, não teve jeito, o cara reuniu uma galera para tocar com ele e hoje, The Sorry Shop é uma banda, pelo menos estruturalmente falando e do modo mais convencional.


Em 2011 Regis lançou o EP Thank You Come Again e em 2012, mais precisamente no mês de março, mandou o disco cheio Bloody, Fuzzy, Cozy, para o delírio dos indies amantes da década de 90 e de toda aquela parada legal: Pavement, Nirvana e My Bloody Valentine.


O som dos caras, se você ainda não ouviu, é um shoegaze, meio noventista, mais com um pouco do rock de hoje, afinal, não é possível viver no passado. Eu, particularmente, gosto disso e achei bem legal o projeto em si, desde o EP ao full lenght. O que fico mais feliz na verdade é ver essa nova leva de bandas inspiradas em músicas assim, talvez o complexo de copiar o Los Hermanos já tenha passado e torço pra isso, de verdade.


Numa alusão, podemos falar que o Sorry Shop usa bastante de uma influência puxada para o Yuck, mas não é chato como os caras que tem um clipe eterno. O álbum Bloody, Fuzzy, Cozy é mais maduro que o primeiro registro e está num sentido de... evolução. Tem 54 minutos de duração (o que para mim foi um erro), mas vai agradar com certeza um público fiel ao indie rock nacional.



Ouvi pela primeira vez esse som enquanto limpava meu quarto e neste momento ouço apenas coisas legais. Antigamente, por exemplo, era o Question Your Truth do Street Bulldogs. Baita disco. Mas voltando ao Sorry Shop...as guitarras são distorcidas, a atmosfera é de um grunge/shoegaze/garage, numa lógica bem Do It Yourself.


Coloquei o disco para tocar agora para ouvir realmente com mais calma, afinal, seria sacanagem deixar passar em branco algo que acabou me chamando a atenção de leve. Enfim, feita a introdução, o álbum é o que interessa.


Se About King And Queens I é uma das mais ruidosas, Go On é tão suave e tranquila que deixa o ouvinte numa zona de prazer, meio que “porra, que gostoso”. Gosto também de Dressed to Fool, repetindo a pegada da “Go on”, no quesito "é ótimo pra ouvir".


Após uma faixa, destaco a homônima ao disco, Bloody, Fuzzy, Cozy. Isso é muito bonito, de verdade. A música do álbum se querem saber. O vocal calmo, o instrumental que coloca o ouvinte de fato ao som, na atmosfera proposta pelo Sorry Shop, um bom e bem feito shoegaze.


A animação de Something I’m Down não me cativou, mas o instrumental da Glass Jar sim. É bem tocado, é legal e me fez querer ficar deitado na minha cama viajando durante 5 minutos e 25 segundos, pensando, dando asas a imaginação.


Como conselho, eu tiraria a faixa animadinha, que vem antes da Glass Jar e colocaria The Highway, para fechar com chave de ouro em toda a pegada viajante da décima primeira faixa. Depois dela, o álbum todo toma um rumo meio diferente. Aquela atmosfera fodona que tinha sido criada, acaba se perdendo, ficando meio desconexo, mas o trampo anterior se sobrepõe a isso.


Em resumo, acho que esse é um belo registro do The Sorry Shop, mas como disseram por aí, há um pecado fundamental: 15 músicas é muita coisa. Não sei pro pessoal, mas chega a assustar ver isso. Talvez o músico tenha tentado fugir do convencional, mas isso não é algo que atrapalhe inteiramente a obra. De qualquer maneira é um álbum bom, principalmente para fãs de Dinosaur Jr, Loomer, Yuck e This Lonely Crowd.


Uma observação que vale ressaltar e eu curti pacas, a arte (frente e encarte) conta uma mini-historinha. O moleque tenta matar o tiozinho e no final das contas, consegue, como vocês podem ver abaixo numa colagem bem porquinha feita por mim.


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