Mastodon e Feist: o metal nunca soou tão indie pop... eu acho

por - 14:08

feistodon resenha


É comum que bandas as vezes se reúnam pra fazer uns trampos juntas, sejam covers, coletâneas ou qualquer coisa desse tipo, na intenção de chamar a atenção da galera que ouve uma das bandas e ajudar a promover a outra. Ou por pura diversão mesmo e foda-se o mundo. Particularmente, não sou muito fã de splits ou de coletâneas. Simplesmente não faz muito minha praia. Gosto de ouvir bastante de uma banda antes de decidir se gosto ou não de sua sonoridade, apesar de fazer um rápido julgamento com uma ou duas músicas, e não sou muito de ouvir covers, a não ser que estes realmente me chamem muito a atenção. Claro, só porque o formato não me agrada não significa que eu não o consuma. Curto pra caralho a maioria dos splits que as bandas de crüst faziam/fazem e muita coisa do nosso amado hardcore e grindcore nacional. Mas não falarei destes neste registro. Desta vez.


Há um tempo atrás, fiquei sabendo de um trampo que o Mastodon ia fazer com a Feist. Eles fariam um cover de uma música da discografia dela e vice-versa. Naquele momento, pensei de cara: quem diabos é Feist? Eu estava familiarizado com o Mastodon desde seus registros mais antigos. Correndo o risco de parecer afeminado, é uma das únicas das bandas das quais me considero um verdadeiro fã, que compra camisa e bate no peito. Feist? Após dar uma escutada, concluí que ela era um projeto de Björk com PJ Harvey que não deu muito certo e me mantive na expectativa pra ouvir o que ia sair de tal Split, nomeado Feistodon.




[caption id="attachment_14317" align="aligncenter" width="512" caption="nossa, nossa, assim você me mata!"]feistodon resenha[/caption]

Passado algum tempo, chegou a minhas mãos o famigerado Split, então o ouvi. Uau. Sem dúvidas, não se parece com nada do que você já tenha ouvido fora de um sonho em que você tenta fugir de um pudim gigante com uma bicicletinha de circo. Feist fez uma cover de “Black Tongue” e o Mastodon fez um cover de “A Commotion” e é impressionante como cada música se imergiu no universo um do outro. Era quase como ver um dragão felpudo de pelúcia ou um ursinho escamoso, pronto pra regurgitar uma carcaça de ovelha. Minhas opiniões sobre a Feist persistem, mas é inegável que a nova roupagem de “Black Tongue” ficou interessante, tão ritmada, experimental, indie. A voz suave embalou os ouvidos entre os chiados e instrumentos tocados delicadamente, me fazendo esquecer que a música em questão era sobre tudo maligno.


“A Commotion” foi uma surpresa também. Pura sujeira, distorção, ecos e um Mastodon que me fez lembrar o das épocas de Crack the Skye. A faixa original parecia tão ideal para se ouvir de meias e pensando no ex-namorado galinha. O cover é a trilha sonora perfeita para mata-lo e esconder os restos mortais em ecobags feitas por alguma ONG de crianças órfãs. Os vocais e o modo como tudo foi conduzido mostra como tais artistas se mostraram empenhados neste trabalho. Por outro lado, fiquei um pouco decepcionado com um ponto. Bem que eles podiam ter feito uma faixa juntos. É compreensível que pela agenda lotada e pelo modo como tudo foi planejado, talvez não existisse uma maneira disto acontecer, mas isto seria extremamente viável num Split como este, fazendo até mesmo com que a prova real da qualidade de ambos fosse posta à prova. Fica pra próxima. Ou não, foi divertido e foda-se o mundo. Não darei nota, por tecnicamente nem ser uma banda de verdade, apesar de ter gostado do som.


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Ficou curioso? Te contarei um segredo... não diz pra ninguém, mas dá pra baixar o split aqui.

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1 comentários

  1. Pelo nível do entrosamento que ficou patente no resultado que ambos tiveram em seus respectivos trabalhos, cabe perguntar: quem do Mastodon está comendo essa tal de Feist?

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