BADBADNOTGOOD, só que ao contrário

por - 11:09

BBNG2

Certo dia estava de boa trabalhando em meus projetos de vida, quando um amigo me mostrou uma banda. Ele não disse nada, apenas me enviou o link do Bandcamp, como se fosse um daqueles spams de aumento peniano que você recebia pra caramba antigamente. A banda em questão era o BADBADNOTGOOD. Pelo nome, minha reação foi “putz, mais uma banda experimental de bicha indie”. É, dá pra dizer que eu estava certo até certo ponto. Ou errado em quase todos eles. Mas antes de ouvir, dei uma caçada no histórico da banda, só pra ver se me motivava e deixava de lado meu preconceito intencionalmente retardado.


A banda se juntou em 2010, tendo Alex Sowinski na bateria e samplers, Matt Tavares no teclado e Chester Hansen no baixo. Eles também chamam Leland Whitty ocasionalmente pra tocar um trompete. Suas raízes jazzísticas são fortes, apesar dessa molecada toda não passar dos 21 (ou 22) anos, o que dá um tom bem contemporâneo às composições, que muito me remetem a instrumentais de classe da época dourada do rap e do hip hop, com seu fino toque e bom gosto, tornando o som da banda a trilha sonora perfeita pra se andar pela cidade, sacando uns grafites e sentindo a veia urbana que o som pulsa nos ouvidos. E falando em instrumentais clássicos que lembram o rap, a banda já fez parceria com o Tyler, The Creator, que vem apavorando muito rap bling bling, mostrando que a cultura não morreu e nem tá nas últimas.



Tyler The Creator - BadBadNotGood - Seven (Official Video)


O BBNG já lançou bastante coisa, sendo estes dois álbuns de estúdio e dois ao vivo. O primeiro disco, intitulado apenas como BBNG é bem legal e merece uma atenção especial, porém, falarei do segundo disco, intitulado BBNG2 (será que é praticidade ou a criatividade só fica nos discos?). O disco, sem dúvidas, chuta bundas. Inclusive, chutou a minha, por ter achado que se tratava de apenas mais uma banda qualquer. A simplicidade de uma banda com apenas bateria, teclado e baixo nem ao menos se deixa mostrar, por sua sofisticação sonora. A sofisticação é tanta que rolam até covers de Kanye West, My Bloody Valentine e até da Feist (que fez um Split foda com o Mastodon). E pensar que tem banda que contrata músico até pra tocar chocalho e não faz um som tão envolvente como esta. Instrumentalmente falando, é um som cabeça, diferente de muita coisa que você está acostumado ao ouvir, porém, o som não fica cansativo ou enjoativo por sua evidente técnica e sofisticação. Nem sempre consigo ouvir várias vezes uma banda por conta deste fator, mas com o BADBADNOTGOOD, esta mecânica não se aplicou como com outras.


Em relação a letras, bom, é uma banda instrumental. E se tratando da parte instrumental, acredito que as letras não façam uma grande falta aqui. Se tratando da parceria que rolou com o Tyler, The Creator, acho que tudo se fundiu muito bem, mas ainda assim, mesmo que este disco tivesse letras, acredito que qualquer uma já faria um bom trabalho. Porra, até se o Vanilla Ice fizesse algo nos vocais a parada ficaria classe. Mas novamente, não acho que letras se fizeram necessárias neste registro, apesar de em alguns momentos do disco ter me pegado tentando mandar um flow no meio de uma música, só pra pagar de guerreiro do rap. Nada que uma hora no cantinho do castigo da Super Nanny não resolva.


Bem, é difícil falar sobre o som de uma banda como esta, já que a experiência de ouvir algo é diferente para cada ser humano. Na verdade, esta resenha em si já é questionável desde o início por conta deste fato. Mas eu não me importo. BBNG2 é um álbum que excedeu completamente minhas expectativas, o que me faz pensar que deverá exceder as suas também. É muito bem tocado, muito bem gravado, tem covers inusitados e bem feitos e agradou-me do início ao fim, sem pular músicas e até com shuffle ligado. Se você não der ao menos uma tentativa à banda, devia se envergonhar. E ficar uma semana sem sobremesa.

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