High on Fire e a banda que faz o que propõe

por - 11:09

resenha high on fire

Não sei o motivo, mas sigo o Pitchfork no twitter. Acho que tenho a esperança de ver um site mela cueca desbandando pra algo mais pé no chão. E cheguei bem perto de ver um sinal de vida do site citado quando vi que eles deram um parecer sobre o disco novo do High on Fire. Sério isso? Foi como ver a Band News dando a cotação da pedra de crack e da criolina no centrão. E eles até receberam uma nota alta. Tudo bem que se fosse o Jack White na roda a nota seria maior, mas se tirasse 8,2 nas minhas médias finais, eu seria um homem mais feliz que Thor Batista pilotando carrinhos de bate-bate. Vendo o Pitchfork resenhando uma banda tão delicinha, por que não eu?


O High on Fire é uma banda de sludge metal, ou stoner metal, tanto faz, formada por Matt Pike na guitarra (que tocou no Sleep também, foda!), Jeff Matz no baixo e Des Kensel na bateria. Três membros apenas, porém o som de uma orquestra do capeta. A banda reúne o melhor do peso e uma atmosfera sombria com uma dose forte de psicodelia e bad trips que te fazem viajar como chá de cogumelo que dá em bosta de cavalo. A banda faz um som animalesco e ela me chama atenção por vários motivos, além de um dos mais interessantes: durante um show da banda, os membros do Mastodon se conheceram e formaram o que veio a ser o Mastodon que conhecemos hoje. Ou seja, sem High on Fire, sem Mastodon. Fanatismos a parte, ouvi o novo disco deles, De Vermis Mysteriis, de 2012 e serei sucinto no que vou dizer.



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arte do disco, que veio da pergunta "e se Jesus tivesse um irmão gêmeo que morreu durante o parto?"

Uau, que porrada na orelha. Não ouço um sludge pesadão tão coeso desde Leviathan, do Mastodon. O trabalho do baterista é notável e admirável em praticamente todas as faixas do disco, marcando um ritmo preciso que te imerge na escuridão hipnótica de um metal como se deve ser. As guitarras de Matt Pike possuem um tom arrastado, psicodélico, charmoso, talvez até esquizofrênico que só mesmo ele consegue criar, e isso desde o Sleep. Deve ser habilidade mesmo. As linhas de baixo focam mais no apoio da guitarrada característica de Pike, mas não sem ter sua qualidade ofuscada como normalmente acontece com qualquer outra banda. O baixo consegue ter seu brilho sem se tornar algo maçante ou totalmente misturado com a distorção de uma guitarra pesada. Tudo um brinco!



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Matt Pike: 4 entre 5 dentistas o querem como cliente

Acho que o destaque maior do disco vai para os solos. Não me canso de apontar a bateria insana que este disco tem, além do baixo mais presente que já ouvi num disco da banda. E claro, solos de guitarra, que soam muito legais no disco inteiro, dando um ar de novo ao disco novo. Parece óbvio, mas não sei se é totalmente. O disco soa novo em vários aspectos, mas se mantem o mesmo em alguns outros, o que acaba não fazendo o disco soar uma novidade completa aos ouvidos. Se o compararmos aos discos antigos do High on Fire, dá pra repararmos uma crescente modificação naquele tom mais lento e pesado de Death Is This Communion e uma belíssima continuação depois do grande Snakes For The Divine, último disco da banda. Mas no geral, o disco soa novo até certo ponto. Não que isso seja ruim, mas não chega à perfeição.


Talvez até seja meio suspeito pra falar algo sobre o disco, já que curto muito a sujeira e a psicodelia que beiram o bom e velho Black Sabbath, mas se você curte isso também, dê uma boa ouvida no disco e não precisa me agradecer. Começando com a viadagem de 2012, colocaria este disco como um dos melhores lançamentos do ano por enquanto. É bom demais pra ser ruim mas não é genial o suficiente pra ser apontado como obra prima, apesar de ter satisfeito meus ouvidos de penico. E no fim das contas, é isso que um bom álbum precisa fazer e foda-se o resto.




[caption id="attachment_15277" align="aligncenter" width="333" caption="reza uma lenda que Matt Pike não toca de camisa desde que o Sleep acabou, em 96... será?"]resenha high on fire[/caption]

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