Kadjwynh e o EP que deveria ser um disco cheio

por - 11:09

labirinto


Não havia como esperar algo diferente de uma das melhores bandas, senão a melhor, de post-rock nacional, a Labirinto. O EP tem nome difícil e é impossível pronunciar, pelo menos eu nunca consigo, mas o conteúdo musical dele é de uma maestria ímpar. Um pouco noise e psicodélico em alguns momentos, em outros, muito bem tocado.


Kadjwynh significa energia vital na língua Kayapó. Para esse povo, existem três elementos vitais: o corpo, o espírito e a energia vital. Esse é o grupo indígena que mais luta contra a implantação da Usina de Belo Monte desde a década de 80. Para eles, o Kadjwynh seria o mais afetado pela construção da hidrelétrica no Xingu. Então dá pra sacar que esse EP tá cheião de contexto político e social.


Daemones é a primeira faixa de Kadjwynh e é uma breve introdução, uma microfonia, um ruído controlado e apenas 1 minuto e 28 segundos de duração, entretanto, a faixa que vem na sequência se liga de maneira absurda com ela.


Tuira inicia-se com o post-rock clássico que a banda Labirinto vem se propondo a fazer e principalmente com toda aquela técnica que já foi registrada em Anatema, um dos discos mais geniais de 2010. Com camadas sonoras leves e contagiantes, a segunda música do EP te faz querer montar uma banda, estudar por bastante tempo e finalmente conseguir criar algo assim e eu não estou exagerando. Ao longo da faixa o som característico vai dando espaço a uma calmaria até o seu fim, o que não é ruim, querido ouvinte.



Piam Ket parece retomar do ponto que Tuira acabou. Eu sempre gostei desse tipo de disco, que uma coisa vai ligando a outra e parece que você está numa apresentação ao vivo que os caras não param nem pra tomar água (e foi assim o lançamento do Anatema no CCSP). Uma guitarra de fundo surge, distorcida, claro e vai acompanhando toda a faixa, até seu clímax, lá pelos 2 minutos e meio. Depois disso, a faixa fica bem calma, tranquila, chamando a próxima canção, Cairo. Lembrando que até agora todas as músicas foram um tanto quanto curtas, mas pera aí, a próxima vocês conhecem e tão ligados que não é assim.


Cairo é a quarta música de Kadjwynh e a última. Tem lá seus 10 minutos de duração e saiu naquela coletânea que divulgamos aqui, More Hope For Japan, criada para dar uma força ao pessoal que perdeu tudo no último Tsunami que deu no Japão. Vocês devem conhece-la e acharem a faixa foda, entretanto, não custa falar um pouco dela. Ela é, para mim, a música mais post-rock clássica do disco, principalmente pela sua duração e o começo bem suave, indo ao clímax de maneira calma, a passos lentos, uma coisa bem Godspeed You! Black Emperor. Bom, vocês já ouviram Cairo, então acabo minhas pequenas impressões a respeito dela aqui.


Analisando as 4 músicas do novo EP da banda Labirinto é possível dizer que eles deveriam ter gravado logo um full lenght. Fica um gosto de quero mais ao término de Kadjwynh. Eu tô pensando em mandar um email pro Erick e pra Muriel falando “eae galera, ces tão brincando né? Tá faltando mais umas 4 músicas ae pra fechar isso!”. Agora sem brincadeira, se você curtiu Anatema, é fã de post-rock ou acha que esse tipo de som combina com o frio que está fazendo em São Paulo, corre para baixar/comprar o seu. Este é um dos eps mais fodas que já ouvi até agora, tanto por sua técnica, quanto pelo quão cativante é o som, que não torna a parada cansativa e chata, pelo contrário, tudo é muito interessante.

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1 comentários

  1. Labirinto é simplesmente foda. Não tem outra palavra para resumir a banda e sua música.

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