"Um protesto aos protestos acerca do protesto"

por - 14:10

cronica greve


Os power rangers desde criança nos ensinaram que quanto maior e mais colorida for sua armadura, mais ela vai parecer com papelão retorcido quando você tomar um baque e for pro chão. A analogia se aplica perfeitamente à cidade de São Paulo. Como uma cidade dita tão globalizada, tão importante e tão desenvolvida pode beirar o colapso por causa de uma greve? Tudo bem, eu sei que não foi qualquer greve, mas uma greve de uma empresa de transporte, afetando diretamente uma caralhada de gente. E pensar que as propagandas nos falam tão bem deles. Adorava aquele jingle do “antes não tinha, agora tem”. Era tão simpático!


Por acaso, fui afetado com tal greve indiretamente. Não, não pego a linha verde do metrô sussa que a Soninha Francine adora ironizar, mas fui vitima do reflexo da crise que quase se instaurou graças a toda a galera revolts. Não tiro a razão deles por nem ao menos saber qual é a razão deles. Mas ao contrário do que a revista Veja diz, não acho que a greve aconteceu por conta do demônio de nove dedos se utilizando do comunismo bestial da ordem vermelha. Aliás, alguém ainda lê aquela revista? Nada contra quem gosta de ficção, mas enfim. Cada um tem o dia da toalha que merece.


Em tempos de greve, não sei até que ponto ler jornal e assistir reportagens nefastas é útil. Digo, ao menos me serviram pra saber quando tudo foi “resolvido”. Botei a palavra entre aspas porque me incomoda uma greve dita tão grande ter sido resolvida em apenas uma tarde. A única greve que eu soube que foi resolvida mesmo foi aquela em que o cara abriu o mar vermelho pra galera passar e ir pra Palestina receber ajuda da ONU e dos Estados Unidos. Uau, que cruel eu fui! Até parece que esse povo não sofreu na mão dos egípcios. Mas espera, isso foi há muito tempo antes de Cristo, certo? Então bola pra frente e vamos seguindo a vida.


Também fica notável como São Paulo é uma cidade grande que é movida a partir de outras cidades em sua volta. E a ignorância daqueles que se dizem paulistas e reclamam da diversidade de culturas, crenças, costumes de todos eles. Sem essa galera toda, a cidade não anda e nem dá pra dizer que o que faz essa galera toda andar é o transporte público porque a greve foi justamente nesse departamento. Quem não pode se dar ao luxo de ser revolucionário teve que dar seus pulos pra poder ir trabalhar. Se isso não lhes manifesta o auge da sua admiração por um povo que se senta nos maiores caralhos só pra poder sobreviver, então não sei o que poderá manifestar.


Muitos gostam de dizer que o espírito patriota da nação só se aflora em épocas de copa do mundo, mas afrouxa em época de eleição. Mas olhando novamente a greve que ocorreu esta semana e seus reflexos, não acho que patriotismo seja uma questão de momento. O Brasil é o que temos, não podemos não nos orgulhar ou nos orgulhar dele. Por mais que tenhamos problemas, não dá pra manifestar um amor incondicional sobre esta terra que pisamos. Tal como não dá pra odiar tudo isso. Acho que o patriotismo brasileiro está na capacidade que todos têm de querer o bem próprio. Isso pode soar como egoísmo mas se notar como um ser de valor é o primeiro passo para reconhecer seu semelhante como importante também. E quem sabe em algum tempo, de egoístas passaremos a ser altruístas. Esperem e veremos.


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