Snapic - Música pra Ver

por - 11:09

[caption id="attachment_14897" align="aligncenter" width="610" caption="Arthur Soares e Victor Balde - foto: Marcelinho Hora"]Arthur Soares e Victor Balde - foto: Marcelinho Hora[/caption]

Snapic é Arthur Soares e Victor Balde, uma dupla de fotógrafos sergipanos que decidiu juntar seus talentos e câmeras e há anos trabalham juntos realizando, principalmente, coberturas fotógraficas de shows. De gigs punks a grandes festivais, passando por fotos promocionais de bandas, acumulam hoje um vasto material na fotografia de música. Parte desse material foi reunido no recém-lançado livro (e exposição) "Snapic - Música pra Ver", onde fazem um retrato da música sergipana.  Após conferir a exposição, logo pensei em bater um papo com os caras pra saber mais  sobre o trampo, a relação deles com a música e fotografia e por aí vai.


O que veio primeiro na vida de vocês: música ou fotografia?


Victor Balde - De uma forma mais “próxima”, foi a música.Em 2003, comecei a produzir pequenos shows em Aracaju, inclusive nesse primeiro show que produzi, a banda de fora convidada pra tocar foi a A Sangue Frio, de Salvador. A fotografia pra mim começou apenas em setembro de 2007, após comprar uma câmera semi-profissional deum amigo fotógrafo que estava fazendo várias viagens pelos interiores de Sergipe e tive a oportunidade de acompanhá-lo em algumas dessas viagens.
Arthur Soares - Na vida é meio complicado saber, pois fotografia e música entram muito naturalmente em nossas vidas (nessa realidade em que vivemos). Desde um vizinho com o som ligado a um outdoor na porta de casa. Mas posso dizer que "mergulhei" na música e na fotografia em meados de 2004/2005, na era dos fotologs e shows de hardcore. Desde então, as coisas só foram aperfeiçoando, hoje diria que temos o flickr e os festivais de música que vem em uma grande levada.


Comentem sobre o envolvimento de vocês com a música.


Mesmo não tocando em banda nenhuma e nem sabendo tocar nenhum instrumento, sempre tivemos muitos amigos envolvidos com a música, integrantes de bandas e também somos grandes consumidores de música.
Balde tem um envolvimento maior com a produção de shows, sempre está realizando algo. A média atualmente é um show por ano, já que agora com o trampo de body piercer e os projetos fotográficos que desenvolve, não sobra mais tempo pra produzir tantos shows como produzia antigamente, mas de certo é muito gratificante olhar pra trás e lembrar de shows históricos que trouxe pra Aracaju como: Noção de Nada, Street Bulldogs, Dead Fish, Mukeka di Rato, Garage Fuzz, Discarga, Zander, Reffer etc.




[caption id="attachment_14898" align="aligncenter" width="485" caption="Snapic - Música pra Ver, o livro pode ser comprado pelo contatosnapic@yahoo.com.br"]Snapic - Música pra Ver, o livro [/caption]

O que é o livro "Snapic - Música pra Ver"? Comentem sobre a idealização e produção desse material.


O projeto “Snapic - Música pra Ver” foi inicialmente pensado pra um trabalho de conclusão de curso e depois pensamos em torná-lo público através de uma exposição. Conseguimos um patrocínio da Petrobras através da Sociedade Semear (local onde rolou a expo) para a produção do livro de fotografias, que foi o capital inicial, e o resto da grana conseguimos com o Financiamento Colaborativo.
O livro é um recorte do nosso trabalho de três anos e meio, focado nas bandas sergipanas que têm um trabalho autoral, possui 92 páginas, com 118 fotos de 20 bandas. Trata-se da nossa passagem, numa grande época pra música sergipana, registrada e acompanhada de perto.


O que esse material representa na carreira da dupla? E qual a importância que vocês enxergam nele para a fotografia e música de Sergipe?


A ideia que motivou esse projeto foi ter algo material mesmo pra não ficar limitado às publicações em Flickr ou coisa do tipo. Livros com essa temática são raros em nível nacional e acreditamos que ele seja uma contribuição não só pra nosso portfólio ou pras bandas, e sim pra cultura sergipana de maneira geral. Através dele estamos tendo um reconhecimento maior e isso só nos dá mais gás de produzir mais e mais. E acho que ele será uma ferramenta para difundir a nossa cultura mesmo, é muito provável que vendo as fotografias do livro, a pessoa vá ter curiosidade de conhecer o tipo de som de determinada banda retratada.


Sentem alguma desvantagem ou dificuldade com relação ao trabalho de vocês pelo fato de estarem no Nordeste?


Sentimos algumas dificuldades, mas acredito que não pelo fato da localização geográfica. Por ser um trabalho inédito, onde você reune um livro de fotografias somente com banda sergipanas. "Vender" isso foi um tanto trabalhoso.
Mas o resultado esta sendo satisfatório, não só pra nós, mas para as bandas e todos que estão envolvidos com a cultura sergipana.




[caption id="attachment_14899" align="aligncenter" width="640" caption="Banda Reação, em uma das fotos presentes no livro"]Banda Reação, em uma das fotos presentes no livro[/caption]

Tem algum show que fotografaram que ficou marcado de forma especial?


Victor Balde - Acho que só se um dia eu conseguir fotografar o AC/DC pra sentir algo do nível que eu senti quando fotografei o Iron Maiden, que foi a primeira banda de rock que ouvi e tenho 90% dos discos originais.
Arthur Soares - Cada show tem suas especialidades, o legal da fotografia e a música é que não existem regras, uma fórmula pra saber como vai ocorrer, sempre tem uma novidade, algo inesperado, que torna isso algo especial.


O crescimento da quantidade de pessoas fotografando em shows de alguns anos pra cá causa algum incômodo a vocês? Como enxergam essa realidade?


Victor Balde - Sempre vou lembrar do Danilo Russo na questão da quantidade de fotógrafos que está surgindo, não só na fotografia de música, mas em todas as áreas. Ele disse: “estamos no país do futebol, todo mundo pode arrumar uma bola, mas são poucos que conseguem viver do futebol". Penso nisso hoje em dia, buscar fazer o diferencial e nem me preocupar com a “concorrência”.
Arthur Soares - Muitas pessoas vêm procurando a gente, já estamos quase virando uma referência nisso, principalmente depois da exposição, o que é ótimo. A nós não incomoda nem um pouco, quem pode se incomodar são os artistas, já que pode-se dizer que, daqui a pouco, vai ter mais gente fotografando na frente do palco do que em cima dele tocando (rs).

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