Te apresento agora mesmo a força da sugestão: Entrevista com o Parteum

por - 14:08

parteum


Você provavelmente manja o Parteum, se não sabe quem ele é, ai vai um pequeno resumo: ele é um dos rappers mais fodas da atualidade, é skatista profissional (chegou a ir pra California nos anos 90), produtor, tem uma firma de audiovisual, trampou uma cota no Trama, toca piano, teclado, é irmão do Rapin Hood, faz parte do grupo Mzuri Sana e em 2010 lançou um dos registros mais fodas do rap nacional, intitulado A Autoridade da Razão. Tá bom pro cê? Sempre quis trocar uma ideia com ele a respeito do hip-hop e das milhares coisas que ele fez/faz. Esse dia chegou e o papo que trocamos por email você confere aí.


Primeiro de tudo, acho que você já respondeu muito essa pergunta. Por que Parteum?


Parteum significa parto em latim. Fazer música é sempre parto.


Li uma vez que poucas pessoas sabiam desse seu talento pra fazer música. Que você era mais quieto, reservado, fica ali de boa no quarto escrevendo... Quando se sentiu confiante pra falar "ó, faço rap"?


Nunca pensei nas coisas dessa maneira. Eu sabia que eu estava chegando no limite da minha carreira de skatista profissional… Sabia que todas as possibilidades já haviam sido exploradas. Na verdade, a música veio antes do skate. Me dedicar à música foi, de certa forma, um retorno. Eu costumava levar minha irmã mais nova as aulas de piano, tinha um piano modesto em casa… Se me lembro bem, eu a presenteei com um teclado Casio, quando recebi meu primeiro 13º salário. Meu irmão mais velho tocava numa fanfarra, eu o acompanhava… Acho que nunca houve um dia sem música lá em casa. Meus pais fizeram questão de educar os filhos com música por perto.


Ultimamente vários Mc’s vêm se destacando por conta das batalhas de Freestyle. O que acha delas? Já chegou a participar de alguma?


Acho ótimo e digno. Saber rimar sem ensaio, direto da mente, sem muitos filtros, é uma bela habilidade… que eu não tenho.



O A Autoridade da Razão foi um dos melhores discos que ouvi em 2010. Depois dele, estou esperando meio ansioso um próximo lançamento. Alguma previsão? Tá trampando em algo?


Obrigado! Eu sempre estou trampando em algo. Tenho me dedicado mais à trabalhos audiovisuais, mas devo lançar um novo EP com meus irmãos do Mzuri Sana em breve.


Você é bem critico em relação ao país nas suas letras... queria saber se você tem alguma emoção nacionalista, tipo quando ouve o hino nacional...


Eu não diria isso. Diria que costumo refletir sobre o espaço que ocupo no país em que nasci. Agora, sendo brasileiro, quem não se emociona ao ouvir o hino? Ou ao voltar pra casa depois de uma longa viagem de intercâmbio, por exemplo, quem não corre a padaria e pede uma média e um pão na chapa?


Vejo que você fala bastante sobre perdas em suas letras. É preciso prestar atenção na morte?


Nunca. O que precisa acontecer sempre acontece, inclusive a vida.


Além de rapper, você trabalha como produtor e é formado pela Cásper Líbero, pelo o que vi no Raciocínio Quebrado, naquele vídeo sobre o show de Curitiba. Queria que falasse um pouco mais sobre esse seu trampo e sobre sua formação acadêmica e se ainda mexe com algo relacionado a área.


Nunca peguei meu diploma, mas cursei, sim, Comunicação Social na Cásper. O que você viu no video foi a reunião que uma amiga de sala, Marcia, arquitetou via Facebook… Parece algo comum, mas achei legal reencontrar os amigos que andavam comigo pelo prédio da Gazeta.


Depois de trabalhar como gerente de produto na Trama por anos, como produtor musical outros bons anos, decidi me juntar a alguns amigos e montar minha empresa. Trabalhamos com produção, criação e gerenciamento de conteúdo audiovisual, basicamente. De alguma forma, ainda uso o que aprendi na faculdade. A teoria da comunicação, principalmente.



Como você virou skatista profissional nos anos 90 e quanto tempo durou isso?


Ando de skate desde o Natal de 88, eu tinha 12 anos. Corri campeonatos da extinta UBS, da ASSBC, da ASSCS… Contei com o patrocínio dos meus pais, no começo… De uma rede de lojas do ABC Paulista, Styllos Sportswear, quando subi pra categoria Amador I. Em 93, ao terminar o ano no Top 10 do circuito nacional amador, ganhei a chance de me profissionalizar. Participei de ainda mais campeonatos, morei no sul da Califórnia por algum tempo… Talvez eu tenha uma certa preguiça de viver viajando, pois fazia só isso quando era mais novo e paciente. O Skate me ajudou a descobrir quem eu era e como lidar com o mundo. A música me ensinou uma outra maneira de me comunicar, de me expressar… Não sei exatamente onde estaria sem o skate e/ou a música.


Quanto ao meu tempo na categoria profissional, dizem que um atleta profissional nunca volta categorias… Não volta a ser amador. Por definição, continuo profissional. Só não corro campeonatos. Acabo de lancar um deck em parceria com a Agacê, tenho colaborações de tênis pela ÖUS… Tenho até mais produtos assinados em 2012 do que tinha nos anos 90.


São Paulo é a Bagunça das Gavetas?


Pode ser. Sir Isaiah Berlin disse que o ato de entender = perceber padrões. Idéias formam padrões, cidades são o resultado de uma série de padrões… Seres humanos repetem padrões comportamentais… A bagunça das gavetas, ao meu ver, é uma representação do momento em que um padrão se quebra e outro se forma. Fazer música é isso. Andar de skate é isso. Conversar é isso, também. Estar ciente desse processo é o que mais vale a pena.

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7 comentários

  1. Michel S. Oliveira7 de maio de 2012 18:49

    Mtoo Interessantee essa entrevista com o "Parteum" suas musicas são inspiração para mim sinto como se estivesse lendo um livro

    e ao mesmo tempo já aprendendo e refletindo no assunto abordado..

    sem duvida Fabio Luis "Parteum" é um Gênio das palavras e do hip-hop Nacional!!!

    Parabénsss

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  2. Genial!

    Sou muito fã,e fico muito ansioso quando fico sabendo que algo está prestes a sair.(Isso tbm inclui quando vejo algo novo sobre ele)

    Parabéns pela entrevista.

    M.Sana 2012!!!

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  3. Muito bom,inspiração, influencia e referencia.

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  4. Parteum poéta sábio, melhor rapper do brasil. e tenho dito

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  5. Ai meu bom que bom q tu existe valeu continue na luta guerreiro

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  6. Sou Fã desse cara e incrível como eu me identifico bastante com o que ele faz, rima e fala.

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  7. Bacana demais a entrevista. Não conhecia o trampo dele, muito bom. Essa última resposta dele pareceu a letra de um rap, na moral! hehehe

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