Ter ou não ter uma banda instrumental? Eis a questão

por - 14:09

instrumental


Só se você estiver muito por fora da cena independente brasileira é que você não está percebendo um grande surgimento de bandas instrumentais. É claro que essa aparição não bate outros gêneros mais “pops” como o metalcore e o indie rock, mas se comparado a outras épocas, a música instrumental tá ganhando muito espaço, inclusive rompendo fronteiras. A questão que vou levantar neste texto é: O instrumental realmente tá tendo sua ascensão? Esse tipo de música é respeitada como os outros gêneros? Ela já tem seu público?


É indiscutível: bandas instrumentais pra mim são tão boas quanto as que não são, e se muita gente reclama da falta de uma voz, é porque ainda não tem maturidade musical suficiente para escutar as diversas vozes que se ouve numa música instrumental bem feita. O principal atrativo que vejo nesses grupos é que geralmente eles não se restringem a fazer um som isolado num estilo musical, isso muito me atrai: as melhores bandas da história da música, e seus respectivos músicos, tinham influencias em diversos estilos.


De uns tempos pra cá, estamos vendo surgir vários grupos instrumentais, algumas deles, já bastante conhecidos na cena independente, mas estamos nós vivendo uma ascensão do estilo? É claro que as coisas estão mais fáceis para quem está começando agora, mas acho que ainda não é a ascensão. Acredito que ainda estamos num processo de educação e preparação do público para este tipo de música. Creio até que rola uma forçada de barra de produtores para que o público experimente a música instrumental, e longe de isso ser ruim, porque ela tem mesmo que ser apresentada ao público.


Acredito que mesmo dentro do instrumental, já existam as bandas mais “pops” como é o caso da Camarones Orquestra Guitarrística, que conseguiu essa popularidade devido a essa “forçassão” de barra citada antes. O Macaco Bong, que é a mais querida e comentada, banda do Front do Fora do Eixo, chegou até a abrir o show do System Of A Down, coisa que eu achei lindo, mas não um avanço, também teve seus empurrões pra poder ter o mínimo de respeito como banda instrumental, e digo mínimo de respeito porque acho que ainda falta muito pra estes grupos serem respeitadas, tanto por público, tanto por produtores.


Muitas vezes elas são submetidas a horários desfavorecidos em shows, e pra citar fatos, já duas vezes no principal festival independente do meu estado, o Festival Mundo, que bandas instrumentais deixaram de se apresentar por uma falha ou outra da produção. Em 2010, o Fóssil, não se apresentou no evento, até hoje eu não sei porque, e em 2011 o Macaco Bong, que era o headline da noite, também não tocou devido ao horário avançado. Deu até polícia. Como ambas as bandas são instrumentais, e ao menos por aqui, não tinham ou não tem um público efetivo, isso não deu em nada, acho que só eu e um amigo estávamos lá pra ver o Fóssil, e acho que devia ter umas duas dúzias de pessoas pra ver o Macaco Bong. Fiquei pensando depois que se fosse o Móveis Coloniais de Acaju que não se apresentasse em ambas as edições do Festival, meus caros colegas do Coletivo Mundo estariam encrencados com tantos processos de público insatisfeito.


Então amigo, se você tá pensando em fazer uma banda instrumental, faça, mas faça por prazer, não pense em ter público (além de seus amigos e dois malucos na plateia), não pense que vai abrir para o headline, saiba que sua banda vai começar a tocar e o público vai pensar que vocês estão passando o som, como eu já presenciei várias vezes. Claro, existe um pessoal que arrasta uma galera, que tem suas músicas conhecidas pelo público, mas são poucas, e essas poucas, tiveram todos os empurrões do mundo pra chegarem lá, e ainda nem chegaram efetivamente.


Se estivermos vivendo um momento de “desmarginilazação” da música independente, acho importante que a música instrumental independente também seja “desmarginalizada”, música instrumental não é só para trilhas sonoras e comerciais, música instrumental como diria Hermeto Pascoal é música universal e deve ser explorada por todos em todos os aspectos.


Aqui vai um videozinho de uma banda instrumental de São Paulo, que faz um instrumental pesadão e experimental. A Huey tá com single novo que pode ser baixado no site deles e no mês de setembro fará uma tour pela Argentina:


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7 comentários

  1. Diego Albuquerque25 de maio de 2012 11:31

    A tour do Fossil caiu, não foi culpa do Festival, eles desmarcaram todos os shows da tour do NE. Natal caiu tambem, etc. A banda é que não veio mesmo.

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  2. Na época que eu costumava discutir com outras pessoas, ouvia com certa frequência, a respeito da música instrumental, que esta não tinha conteúdo, pelo simples fato de não ter letras cantadas. O que estes débeis incautos falavam era o que podemos chamar de conteúdo textual, ou conteúdo cognitivo, um tipo de conteúdo que é essencial na literatura, e que pode ser associado ao conteúdo musical. E, de fato, foi essa forma de música que se popularizou, embora "o tipo de voz" da música seja essencialmente uma voz que não comunica mensagens, mas que apenas transmite, ou faz emergir, sensações estéticas por meio da sua sonoridade. E mesmo que haja palavras, a virtude da música não está nos seus significados, mas na maneira como são cantadas: o que torna uma banda russa, ou ucrânia, potencialmente tão boa quanto qualquer outra. Aliás, para mim, essa é uma das vantagens de ouvir bandas que cantam em línguas que me são incompreensíveis. Em resumo, o que parece ser mais plausível é que o desprezo ou as críticas às bandas instrumentais baseiam-se, não numa certa imaturidade musical, mas numa quase total imbecilidade e estupidez, infelizmente inerente à maioria das pessoas.

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  3. valeu pelo texto, mas é um engano achar que cenário independente é um rótulo ou que música instrumental é um estilo. mas está certo quando fala que bandas instrumentais se prendem menos a rótulos, e quem monta uma banda instrumental tem como principal objetivo a música (coisa rara hoje em dia). afinal...na verdade, ser músico no Brasil é a dificuldade maior de todas.

    no caso da minha banda (mamma cadela) o fato de ser instrumental sempre nos abriu as portas, pois a concorrência é infinitamente menor do que aos indie rock e afins. instrumentais tocam em bares, exposições de arte, mostras de cinema, trilhas sonoras...há muito mercado se a banda for de qualidade e agilizada.

    Grande abraço!

    Fernando Coelho

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  4. Realmente rola muito preconceito ainda e ainda muito o que ser feito pra que a música instrumental tenha o reconhecimento necessário.

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  5. Marlo Simaskowsk4 de junho de 2012 04:11

    Em geral, uma banda não começa com a finalidade de atingir o público. A banda existe porque há a vontade e a necessidade de se expressar. Quanto mais pessoas concordarem com a linguagem usada pela banda, melhor...seja instrumental, metal, samba ou qualquer outro gênero. É muita pretensão uma banda ou produção achar que tem que educar o público, como se o mesmo não fosse capaz de reconhecer o que é bom e o que é ruim. Esse discurso de 'o público não está educado ou não tem informação suficiente para ouvir determinado som é muito falho e diminutivo.





    abraços à todos!

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  6. Recomendo uma segunda leitura os que querem entender o que quis significar com meus termos.

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  7. Tempos difíceis estes! Houve a música clássica, depois o jazz, cada 1 com sua magnitude e hoje ,estamos aqui lendo frases assim "Então amigo, se você tá pensando em fazer uma banda instrumental, faça, mas faça por prazer, não pense em ter público". Como é triste a pessoa se iludir fazendo covers cools e cults em troca de uns trocados. Essas pessoas, (dessas "bandas" (geralmente ditas nos próprios sites com o "banda/EMPRESA"), por favor, não é 1 crítica à quem escreveu, ele retratou em cheio com a frase, não confundam)deveriam era nunca ter 1 "banda" animadora de noite e sim sentar numa cadeira e ouvir um bom som instrumental até a bunda ficar quadrada.

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