#TerçaGringa: Conheça o drone do Tim Hecker

por - 11:09

tim hecker


Dando continuidade nesta coluna semanal para descoberta de sons gringos, chamamos o Cadu Tenorio (Sobre a Máquina, Ceticências e etc...) para falar sobre algum artista que ele acha injustiçado aqui no Brasil. Ele, malandro que é, pegou um cara que faz um drone/ambient e resolveu compartilhar com a rapa. Então se liguem no texto e baixem o som. Mais uma terça-gringa para te deixar viajando.


Pra indicar algo na terça gringa tive que pensar bastante, queria indicar algo que uma quantidade grande de pessoas pudesse se identificar - se estivesse disposta a tentar. Algo extremo provavelmente não seria muito aproveitável visto o que vem rolando na coluna nas ultimas semanas, provavelmente as pessoas veriam com exotismo mas é provavel que quase ninguém tivesse muito interesse em um Deathpile, por exemplo. Então decidi ir pelo lado da calmaria. Mas calmaria não significa "som fácil" nesse caso.


Aproveitarei o artista que lançou um dos melhores discos do ano passado - em boa parte das listas que mais respeito, não em todas, mas em boa parte delas "Ravedeath, 1972" estava presente.


Ravedeath, 1972


Tim Hecker é o cara que vou indicar nessa terça-gringa. lá fora esse Canadense já ganha o respeito que merece - embora mereça cada vez mais - e como o Diego solicitou que fosse um artista ou banda que eu gostaria que fosse mais ouvido aqui no Brasil, bingo! Ele é um desses.


Falei sobre o Ravedeath meses atrás na Engrenagem, "coluna" que escrevo com periodicidade mutante no Floga-se, portanto não vai ser ele que vou indicar aqui, embora, você deva procura-lo antes de mais nada ou de preferência ouvir a faixa "No Drums" (pelo youtube mesmo) enquanto lê esse texto.



Conheci o Tim por causa da Alien 8, gravadora-fetiche canadense que lança muita coisa boa e na época estava garimpando sons que fossem "parentes" do som que o Nadja fazia. E o primeiro contato de fato marcante com o cara foi o disco Radio Amor, que a Alien 8 estava relançando em 2007 (o disco originalmente saiu em 2003), é ele a indicação dessa terça. Para os que não sabem o que vem por aí, o Tim Hecker é um produtor que lida com instrumentos alterados por efeitos digitais, colagem de sons, field recordings e etc. A tags dominantes são o Drone e Ambient. É um artista que trabalha a construção a partir da desconstrução como podemos ver claramente em "Ravedeath, 1972" cujo as "demos" ao piano quase sem processamento, diferente do que vemos no disco - gravado num órgão de tubos durante uma única sessão e totalmente alterado em estúdio - foram lançadas perto do fim do ano passado num belo registro chamado "dropped pianos" onde o bacana é que conseguimos reconhecer com clareza várias passagens do "Ravedeath, 1972" mas com um sentimento diferente.


Não gostaria de falar muito sobre o "Radio Amor", gostaria que o ouvinte que se dispor a ouvir o disco tivesse uma experiência própria, então a leitura do próximo parágrafo é pra ser feita pós-audição, ok?


Posso dizer que é um disco tenso e carregado de beleza. Segundo o próprio hecker foi baseado num pescador conhecido como "Jimmy the high-wire fisherman," que ele conheceu em Honduras e que deve continuar por aí navegando nas águas infestadas de piratas do Caríbe, é um disco baseado no mar e em experiências náuticas, segundo ele "guiado pelos ventos trópicos". Essa relação fica clara desde a bela capa. Não vale comentar nada além da construção absurda da melodia fragmentada de piano em "Song Of The Highwire Shrimper" por cima dos drones. É só a primeira faixa... o resto é imersão. De fato, Hecker é um dos meus artistas preferidos.


Pastebin

Você também pode gostar

0 comentários