A doença do terror vai matar o homem!

por - 14:09

Sick Terror


O Welker fez uma lista sobre discos de grindcore recentemente e me lembrou o quão importante foi o Sick Terror para mim. Ele pode não ser enquadrado de uma maneira bem fiel ao gênero, algumas pessoas chamam de fast-core, Power-violence e etc., mas o nome dado a coisa pouco importa, o que vale mesmo é a importância da banda para a formação de uma molecada (e me incluo nessa).


Numa canalha introdução a banda, posso dizer que ela foi uma extensão de um projeto chamado Bastard in Love, algo mais pesadão do Nenê, quando o Dance of Days deu uma pausa depois do lançamento do Six First Hits. Tanto que a música Muletas, é uma adaptação/tradução, da faixa Crutch. Ah sim, vale falar que Tyello (Dance of Days), Verardi (Dance of Days), Barata (Test, DER), Fábio Do Valle e mais uma caralhada da gente, passou pelo Sick.


Conheci a banda em 2007 e ela já não contava mais com o criador oficial do grupo, o Nenê Altro. Comecei baixando aqueles EPs avulsos, tipo 43 minutos, Aborto Legal, Peste Católica e etc., naquela finada comunidade do Orkut, Discografias. A porrada na cabeça foi imediata e como andava numa fase de conhecimento de tudo o que envolvia a essência do movimento punk/hardcore, achei fantástico o modo que aquilo era feito, desde as letras violentas, a própria pegada do som.


O primeiro som que escutei foi a “famosa” Coisa Idiota, que era uma porrada fodida na cabeça religiosa de qualquer pessoa, coisas do tipo: “só sei que quando morre, a gente vai pro saco, pois os vermes também tem direito de jantar”. Aí fui crente que toda a coisa era política, mas tinha muito mais: umas idéias niilistas de primeira, como em “eu sou um perdedor”, com versos pesadíssimos: “Não me interessam tuas conquistas. / Não me importa o teu status. / Me esquece aqui e me deixa morrer”. Era tudo o que um adolescente queria.


Sick Terror - Eu Me Vendo Por Bem Menos Do Que Você Imagina


Daí para aquelas compilações de várias coisas lançadas, “Eu Me Vendo Por Bem Menos Do Que Você Imagina” e “Só Me Resta o Ódio”, foi questão de horas, apenas para baixar os álbuns de uns sites escrotões, como aquele zShare. Achei fantástico. Os berros, as letras, a pegada, a essência Tosco Till Death e toda a violência.


Lembro que quando conheci, joguei noventa e seis músicas do grupo pra dentro de um mp3 da Sony. Eu ia e voltava para a escola escutando isso e mandava todo mundo tomar no cu. Passei a criar uma resistência política maior da que eu tinha quando “entrei” no punk. Era uma pegada muito menos “vamos lutar porque o sonho de Bakunin era esse” e bem mais “a massa faminta não senta pra discutir Lenin, Tosltoi, Nietzsche ou vegetarianismo”. A política que estava embutida ali era por meio de uma espécie de tortura e de um tapa na cara, algo como “saca só seu cuzão, tá tudo uma merda, vai se foder se quiser ficar parado”.


Para completar, comecei a sacar cada vez mais a ideia niilista da banda e os socos e mais socos no estômago do próprio movimento punk. “Vai se foder com sua polícia de pensamento / Vai se foder com sua fofoca de movimento... / Vai se foder!!! / Sai da minha cola playboy do caralho / que vive de mesada (revolucionário)”, ou melhor, mais direto e reto, “A "massa faminta" na sociedade sem leis / vai roubar todos seus cds / do Youth of Today ou do Rattus / e vai botar no seu cu!!!!”.



A partir daí, acabei abrindo muito mais a cabeça em relação a toda a pregação do movimento punk, em como de fato acaba se dando uma ideia de anarquismo niilista e nessa fui me envolvendo cada vez mais com a banda. Comprei vários EPs que achava para vender, os dois discos cheios e ficava lá, viajando e gritando contra todo o mundo, tentando mostrar o dedo do meio para tudo o que envolve a adolescência: da crise existencial aos problemas escolares com professores.


Por sinal, tinha uma professora que meu sonho era fazer dela personagem de uma música do Sick Terror ou gritar na cara dela: “Cala sua boca para de falar / Eu não quero ouvir mais nada!!! / Cansei de sua falsidade / Cansei de ter que te ver / Minha vida fica bem melhor / quando esqueço que você existe!!!”. Seria algo muito foda, vai.


Agora saindo um pouco mais de uma visão minha, arrisco-me a dizer que muita gente usou “Lâminas Para O Natal” para mandar aquela ex-namorada ou aquela garota (o) escrota (o) para a puta que te pariu. É um hino, não tem como negar, molecada: “Tudo em você me dá nojo e me faz doente. / Por que insistes em teu beijo cheio de vermes? / Já não posso suportar tanto peso em meus dias. / Já não vejo horizontes no final de minha estrada. / Assim conto os meus dias sobre pernas de argila. / Assim conto as desgraças de uma vida de mentiras. / Tudo em você me dá nojo e me faz doente. / Por que insistes em teu beijo cheio de vermes? / Tua esmola em meu bolso assassina minha auto estima. / Tua solidariedade é a maldição de minha vida”. Toma essa, sua vadia (ou seu cuzão).


Sick Terror


Enfim, aposto que a importância do Sick Terror para a molecada em si foi enorme, para ter um contato melhor com o movimento punk, sacar um pouco em como funciona o mundo de verdade (e isso o Ludovic também fez, leia aqui) e o melhor: poder dar vazão a todo aquele sentimento de revolta para com o mundo.


Apenas como informe: em 2007 o Sick Terror gravou um split com a banda How The Gods Kill mas o Altro já não estava mais no vocal, quem entrou foi o cara do Lobotomia, que teve que parar de cantar, até onde lembro, por ter sido diagnosticado como portador de labirintite, aí ele não pode gritar, senão dá merda.


Se você não conhece, aí está uma porrada de CD para download. Pelo o que me lembro, apesar de não ser a discografia completa (mas caralho, é muito disco e um camarada tem todos físicos), tem todas as faixas que já foram gravadas pelo grupo. Baixe isso, por favor, porque garanto que você vai sair quebrando tudo e botando fogo no busão, o que é extremamente legal.


Os links aqui e no TramaVirtual

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3 comentários

  1. Patricia P. Carmo18 de junho de 2012 12:02

    Desculpa, mas Nenê Altro para mim é modinha, o resto ta valendo.

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  2. Porra, é impressionante como existe sempre alguém pra falar mal de Nenê Altro... O cara pode ser tudo, mas tá na cena a muito mais tempo que a maioria. Pra mim modinha é outra coisa.

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  3. Uma modinha que dura muito tempo. Tem que ser muito bom para continuar sendo um grande nome na cena undeground. Não acho ele modinha.

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