"Sobre aquelas redações de férias"

por - 14:02

cronica ferias


Entrando no mês de junho, me deparo com algo que não vejo faz um tempinho. É até estranho reparar como algo esperado por muitos pode ser tão esquisito para outros, mas junho e julho sempre me deixaram desconfortável. Esse período de férias é ótimo pra fazer tudo que eu normalmente não faço por causa dos estudos, mas ficar sem aquele caos, correria e cobranças é estranho. Não sei o resto do mundo, mas já me condicionei a viver em determinadas condições e dá até pra dizer que sinto um pouco de falta disso tudo quando me vejo numa pausa como as férias. Coisa de paulista babacóide.



E com tanto tempo livre, nunca me vi planejando o que fazer nas férias. Sempre faço aquilo que acho que tenho que fazer. Liberdade é isso aí, não? Mas em algum ponto desse tempo de descanso da vida, me vejo jogando videogame até virar um chinês. Pensando bem, não sei até que ponto é necessário planejar o que fazer em seu tempo livre. É um tempo ocioso, deve ser aproveitado como tal. Acho que nem o José Serra deve ser tão planejado pra essas coisas. E se for, bem... a “Death Star” ficará pronta antes dos estádios da copa do mundo.



Mesmo nos casos de viagem, acho que a coisa não muda muito, afinal, o planejamento envolve muito mais o modo como você viajará e como você se manterá no lugar para onde vai. Depois dessa etapa resolvida, é só você e seu tempo livre de novo. Das vezes que viajei e planejei tudo que ia fazer durante a viagem, carreguei as marcas do tédio e da chateação por longos anos. Deve funcionar para mais gente, mas eu me senti como se tivesse viajado com a Super Nanny, com hora pra comer, pra dormir e pra ficar no cantinho do castigo.



Não me lembro de já ter viajado com amigos antes. Eis algo que deve valer a pena. Gastar seu tempo livre junto com pessoas legais sempre vale a pena, ainda mais se o tempo livre for grande. Acho que esta é a maior prova de amizade que alguém poderia dar a outra pessoa. Até me faz pensar se os Trapalhões não se juntaram numa daquelas viagens de formatura pra Porto Seguro. Talvez não. Se tivesse rolado, o Didi já teria aposentado a palhaçada e o Dedé não precisaria de botox. E nem me deixe falar do Mussum, vítima de seu amor pela cachaça. É como aqueles traficantes do Rio de Janeiro que são pegos porque as namoradas e mulheres postam no Facebook onde estão curtindo a vida. Zuckerberg: unindo gente distante, destruindo gente próxima.



Bom, minhas férias apenas começaram, mas isso não quer dizer que vou desaparecer do mapa como costumo fazer. Apesar da ideia ser tentadora. Aliás, eu adorava escrever aquelas redações sobre o que fiz nas férias, nos tempos de escola. Narrava as histórias mais longas sobre como é o verão em Maresias ou da beleza inenarrável da Torre Eiffel ou da Estátua da Liberdade. Tudo mentira, mas acho que todos nós sabíamos, então ainda tá valendo. Até porque acho que nenhum professor lê de fato essas redações sobre as férias. Quem em sã consciência gosta de ler sobre como outras pessoas passam seu tempo livre? Ei, espera aí... se ler de novo a crônica, talvez encontre a resposta.


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