"Um ensaio nebuloso sobre reality shows"

por - 14:09

ensaio cronica


Bruce Willis uma vez disse que reality shows são o lixo da indústria televisiva. É tão legal ouvir as opiniões das celebridades, não? A gente acaba reparando como eles são como nós, seres de carne e osso que pagam contas, respiram ar poluído e usam calça jeans. E nem adianta dizer que milhões de dólares não mudam uma pessoa, porque mudam sim! Quantos de seus amigos possuem milhões de dólares? Provavelmente nenhum, pois se eles têm milhões de dólares, não serão mais seus amigos. Vai por mim.


Particularmente, reality shows possuem muita veracidade com a realidade em seus conteúdos, por serem extremamente manipulativos e apelativos. Falei igual advogado agora, hein? Mas é verdade, acho que reality shows são cheios de putarias implantadas pra dar audiência, o que condiz bastante com o nosso cotidiano, quando pensamos na exploração da miséria de nossos semelhantes por benefício próprio ou na individualização coletiva (ironia da vida) em que nos encontramos atualmente. Como disse antes, não vejo problema na valorização do eu, mas quando este eu necessita ser valorizado de forma que maleficia o eu alheio, acho que aí está a morada do problema.


Acho que nem vale a pena entrar no mérito dos reality shows gringos, sobretudo os da MTV, onde aquela galera descolada sai por aí pra dar o rabo e meter o piru em tudo que se vê pela frente e brigar pelo título de maior imbecil já exibido em rede internacional, mas acredito que os reality shows nacionais prendem mais minha atenção por estarem mais massivamente no meu Brasil brasileiro, meu mulato inzoneiro. Os que estão sendo exibidos na atualidade são, a meu ver, ruins. Não pelo conteúdo, que por acaso se encontra ausente, mas por passar uma imagem errônea a seus telespectadores. Das vezes que eu os assisti, tive a impressão de que queriam mostrar que os doze, catorze, não importa quantos integrantes funcionam como um reflexo da sociedade brasileira como um todo. Não concordo com esta visão, ainda que ela seja só minha. É pouca gente pra representar os valores, ou a ausência deles, numa sociedade tão diversa como a nossa. Somos mais que isso. Levanta essa moral, galera!


E sobre a exploração dos recursos melodramáticos envolvidos, só tenho a dizer: é o tipo de teatro que interessa as massas, não? Vai dizer que aqueles barracos, armados ou não, não são bastante convincentes e capazes de um entretenimento raso? Se caiu na boca do povo, isso quer dizer que alguma identificação rolou nesse meio tempo e isso necessariamente quer dizer que rolou interesse. Muitos dizem que a arte está na exposição visceral dos sentimentos do artista, logo, não podemos chamar os integrantes de uma verdadeira pataquada televisiva de artistas? Talvez não em seu sentido pleno, pois o termo sempre se referirá ao artista sofista elitizado, mas é algo que vive me surgindo em mente e que me faz gastar uns minutinhos pensando. Não quero comparar o nível de arte entre os mais variados artistas e estes em questão, mas isso mostra o quanto ser artista é simples e o quanto um verdadeiro artista não é valorizado pelo que faz, não importando sua área de atuação. Ou sei lá.


Por fim, Sr. Willis pode ter razão em dizer que reality shows são o lixo da indústria, porém, aquele que diz que o lixo de um é o luxo de outros também pode ter o mesmo nível de razão. Opiniões sempre serão opiniões e cada um pode ter a sua se quiser, mas realities sempre serão realities. Conclusões simplistas e superficiais a parte, os artistas que se submetem a este tipo de experiência têm seus méritos, ainda que não valorizados, mas estes deviam ser mais cautelosos em questão de sua integridade enquanto artistas. Os sofistas sofreram, tal como os corintianos e os escritores de blog.


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