Netinho de Paula: um soco na música ruim

por - 11:11

resenha netinho


Todo mundo gosta de artistas versáteis, não é verdade? Depois do intocável tributo ao Legião Urbana, ficou absolutamente claro que cantar, dançar, interpretar e desafinar é o que todo bom artista deve fazer para alcançar seu ápice. Ou quase lá. Hoje em dia nem todos conseguem chegar a este creme frache da arte no século XXI e alguns tentam até demais. Tentam tanto que escapolem, erram a mão e caem numas ideias meio estranhas aos nossos olhos e ouvidos. E não, não estou falando de Wagner Moura, estou falando de alguém em um nível praticamente equivalente: Netinho de Paula.


Conhecemos bem as empreitadas que este belo espécime de pagodeiro dos anos 90 encarava com seu maravilhoso grupo de pagode, o Negritude Jr. e com todo aquele molejo que exibia quando cantava e dançava nos playbacks dos programas de domingo, mas a verdade é que muita coisa mudou daquele tempo pra cá. Muita mesmo. E acabou que Netinho de Paula passou de pagodeiro rebolante para batedor de esposa, de repórter de programa humorístico (se bem que o Vesgo merecia tomar uns socos mesmo porque é um chato) e posteriormente, político com fama de batedor de esposa e repórter de programa humorístico. Viu? Versatilidade! Mas não porque ele é político que ele largou a carreira artística. Não mesmo! Ouvi o último disco dele, “Sou Eu”, de 2002 pra sacar qual é a dele agora.




[caption id="attachment_15377" align="aligncenter" width="446" caption="aposto dez conto que ele tá usando lápis de olho"]resenha netinho[/caption]

O pagode como antes feito parece estar em extinção, como as ararinhas azuis e as jaquetas jeans do Hard Rock Café. O disco toca um samba rock daqueles que você não ouve desde que sua tia começou a ir pro baile da vila. Mas não contente com o samba rock, o disco possui toques de R&B, samba de roda, pagode leve e uma tonelada de romantismo. Acho lindo ver que para um cara que bateu na esposa, ele tem muito amor pra dar. O disco é bem variado em seus elementos instrumentais, o que até mostra as diversas influências musicais que rondam o artista, mas fica difícil definir exatamente o que ele estava mirando quando fez tal registro. No geral, instrumentalmente, o disco soa bem diverso, tornando a experiência até divertida de se ouvir.


Se tratando do trabalho vocal, vale ressaltar que ouvir Netinho de Paula é como ouvir free jazz. É preciso estar no estado de espírito certo para se absorver o máximo possível da experiência, tornando-a realmente válida, caso contrário, você só vai ouvir um monte de barulho irritante e vai perder seu tempo. Netinho faz um trampo legal cantando, não desafinando uma grama do que cantava antigamente. Até parece o conde Drácula do pagode. Em contrapartida, por não ter mudado nada desde os tempos dourados, há um aspecto que me irritava antes e que hoje também me incomodou. O tom elevado, que as vezes é elevado demais, captando uma emoção que eu não sei onde está, mas que ele acha. É como se eu não estivesse tão imerso na música, me fazendo questionar se eu realmente estou entendendo os sentimentos que ele está expressando.




[caption id="attachment_15379" align="aligncenter" width="448" caption="amizade é uma coisa bonita... né?"]resenha netinho[/caption]

Com algumas mudanças aqui e acolá e outras coisas totalmente iguais, algo mais está como sempre esteve, que são as letras. Elas são excessivamente românticas. Esse cara realmente bateu na mulher? Ouvindo este disco, acho que ele sofreu muito mais do que os pontos e os hematomas que ele pos nela. Absolutamente todas, TODAS as músicas são sobre amor, compreensão, união. Aliás, minto. Uma música se chama “Intrigas”, e ela fala sobre as pessoas botando ideia errada na cabeça da sua mina. E nada melhor que meter a mão nela pra fazer com que ela pare de ouvir os outros, não? Enfim. O romantismo está presente neste disco, ou algo parecido com romantismo, mas que definitivamente está no disco. Só resta saber se ele é tão convincente como em outros pagodes. Eu acredito que não, mas isso não tira a magia do disco. É como ver um remake um filme de terror antigo. Não é bom como o original, mas se bem feito, dá pra distrair as ideias.


Por fim, o disco do Netinho é bom. É mais sólido que qualquer outro disco de sua carreira solo, mas não tão sólido quanto sua carreira no Negritude Jr. Apesar do romantismo quase creepy, os elementos diferenciados que acompanham o disco fazem dele um título bastante interessante de se ouvir. Definitivamente melhor que sua carreira política, mas não sei se tão melhor quanto o soco que ele deu no Vesgo. E claro, nada é melhor que o maravilhoso site do Netinho (veja aqui), que mistura sua politicagem e sua musicalidade em uma obra prima do web design, parabéns ao criador de tal ideia absurda. Ah, e bater na mulher é ruim. Sério, não batam em mulher. Ah, se alguém tivesse avisado ao goleiro Bruno!




[caption id="attachment_15380" align="aligncenter" width="576" caption="artista internacional... hihihi"]resenha netinho[/caption]

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4 comentários

  1. Percebe- se claramente na critica musial o conservadorismo liberal e a cor da pessoa que fez a critica , estranho mesmo misturar um cd de 2002 com fatos de 2005 e politica de site em 2012 , tambem nao sou fã do Netinho mas por esta matéria muito Rassista percebo o quanto este jovem negro da cohab incomoda uma suposta elite !!

    E assim caminha a humanidade tupiniquim

    Sempre RACISTA.

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  2. Sinceramente, não entendi o motivo dessa resenha. Sem falar no humor raso. Próxima.

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  3. Não entendi o motivo da resenha, mas achei engraçadinha.

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  4. "(...)esta matéria muito Rassista percebo o quanto este jovem negro da cohab incomoda uma suposta elite !!"



    kkkkkkkkkkkkk

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