Smashing Pumpkins e a lógica de Range Life do Pavement

por - 11:08

smashing resenha


É bem verdade que os anos 90 tiveram coisas absurdamente foda, como a TV Colosso, o estouro do pagode genérico, os cabelos armados, a era dourada do futebol, as séries e desenhos clássicos da época e tantas outras coisas, mas se tratando desta década, a gringa estava caminhando para acontecimentos ainda mais marcantes para década, como por exemplo, o rock alternativo. Ok, eu sei que ele já existia antes dos anos 90, mas estou querendo chegar em um ponto específico do rock alternativo. O ponto em que um carequinha, um japonês esquisito, uma gostosa e um drogadão se reuniram pra fazer uma banda chamada Smashing Pumpkins.


Eu particularmente gosto da banda e apesar do que foi acontecendo com ela, como a constante troca de membros, os pitis estranhos de Billy Corgan, o fim repentino da banda e sua volta aos palcos com verdadeiros anônimos em suas formações subsequentes não me fizeram perder o interesse pela banda. Quer dizer, não de uma vez, mas me esforço para continuar ouvindo e curtindo. Recentemente, o disco novo deles, Oceania, acabou vazando e rato que é rato tem que ser furtivo. Ouvi o disco e já adianto o que achei dele.



[caption id="attachment_15651" align="aligncenter" width="454"]smashing resenha lembra daquele filme, "Um Farol no Fim do Mundo"? Nem eu...[/caption]

O disco novo do Smashing Pumpkins é a representação musical de um hipster. Ele é interessante de se observar, pode até ser legal as vezes, mas não empolga a ninguém. Em resumo, Oceania é opaco na maioria do tempo, consegue dar uns suspiros de ser algo bacana, mas morre na praia. Usando de minha babaquice, arrisco dizer que este é o Death Magnetic do Smashing Pumpkins, pois deixa a dúvida em nossas mentes e faz com que o próximo disco seja marcado como o retorno definitivo ou o fim de uma trajetória no cenário musical atual.


Instrumentalmente, não dá pra dizer que é ruim e nem um primor. O disco remete muito aos discos que antecederam este, que são Zeitgeist e Teargarden by Kaleidyscope, respectivamente lançados em 2007 e 2009, com a adição de leves elementos mais eletrônicos e mais distorções nas guitarras, agora mais duras e menos criativas, salvas raríssimas exceções. As linhas de baixo deixam a desejar em muitas músicas, não acrescentando praticamente nada ao som pastelado e fazendo Mellissa Auf Der Maur chorar em algum lugar do mundo. Percussivamente falando, o disco é meio paradão, o que não é totalmente ruim, visto que algumas faixas possuem violões e um tom acústico mais bacana, porém sem deixar os efeitos de guitarra pasteurizados.




[caption id="attachment_15652" align="aligncenter" width="618"]smashing resenha a formação atual: um gordinho, uma androide, um bibliotecário e o Billy Corgan[/caption]

Billy Corgan não mudou muito seus vocais ao longo do disco, que por acaso é bem cantante, mas por ser mais cheio de baladinhas meia cuia, acaba ficando meio monótono as vezes. Não é que a voz não se encaixa naquilo que os instrumentos tocam, muito pelo contrário, apesar de tudo, a fusão de ambos é perfeita, mas vale pontuar que a mistura foi perfeita por conta da monotonia das faixas. Os backing vocals femininos ao longo de algumas faixas ficaram bons e surpreendentemente conseguiram quebrar alguma monotonia e tornar a experiência mais interessante. Mas não tão interessante ainda.


Além do carequinha, a única coisa que se manteve intacta desde o início do Smashing Pumpkins foram as letras, que ainda falam sobre um tipo de amor alternativo, envolvendo umas figuras de linguagem bonitas e umas metáforas bacanas. Para Corgan, a banda é a mesma de quando ele começou, mas Oceania mostra que as coisas não funcionam mais assim. Em outros discos, as letras nem eram tão relevantes na música, mas quando as mesmas letras encontram instrumentais cansados e sem emoção, tudo vira uma bola de neve descendo morro abaixo. Proteja-se!


Por fim, ouça Oceania se você for realmente fã dos Pumpkins, pois qualquer outro ouvinte vai se cansar na segunda faixa e se arrepender de ter caçado o link pra baixar. De maneira nenhuma o disco é horrível, mas não consigo dizer que é um disco bom, ficando preso no limbo dos discos "marromenos". Podia ter sido bem pior, mas enfim, fico no aguardo do próximo disco, se rolar algum. Vai que um dia o Billy Corgan se cansa, pede perdão e vira roadie do Pavement... Possibilidades...




[caption id="attachment_15653" align="aligncenter" width="433"]smashing resenha só no aguardo, hihihi[/caption]

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