#TerçaGringa: a sonoridade enferrujada do Skeleton Key

por - 11:08

Existem algumas coisas que me causam uma satisfação particular e incomum; banana com nutella, por exemplo. pra mim é uma coisa incrível de boa, banana com nutella. um copo de Mojito bem feito. lavar a louça, você gosta de lavar louça? não conheço (quase) ninguem além de mim que tem satisfação ao lavar louça.


é igualmente legal descobrir um som bem massa, assim por acaso; é incrível quando se escolhe um cd/vinil de alguma banda que tu nunca ouviu falar, ou ao menos tem bem poucas referências, e na primeira audição é aquela coisa de rachar castanha no suvaco, de tão foda. aconteceu comigo algumas vezes, quando cds e vinis eram baratos, e eu vivia dando tiro no escuro: as vezes eu pegava uma bela duma merda que só dava pra ouvir até a metade, de tão ruim; mas as vezes eu acertava. hoje é um pouco mais dificil se surpreender com novas bandas, quando se tem, por exemplo, a Last FM te indicando outras bandas similares com sonoridades que você já está familiarizado, mas ainda se encontram algumas surpresas no meio do caminho. o Skeleton Key foi uma dessas pra mim.


a primeira vez que ouvi essa banda, nativa de NY, foi no play "The Crybaby", do Melvins. esse disco reúne Buzz Osborne e cia em algumas parcerias com bandas contemporaneas deles, e umas outras figuras que, de certa forma, influenciam no som do Melvins. entre elas, os Melvins fazem um dueto com esse tal Skeleton Key: Spineless é o nome do rebento. na primeira audição já me chamou muito a atenção pela sonoridade total: uma base forte e torta, guitarrada mesmo, com ponteados que marcam posicionamentos de transição; uma caída extremamente melódica dedilhada sob uma voz suave, do baixista e vocalista fundador da banda Erik Sanko (que já tocou também no influente combo novaiorquino de jazz/no wave Lounge Lizards), além de muitos detalhes percussivos interessantes: o Skeleton Key usa, além da drum kit habitual, um amontoado de lixo e ferro velho percussivo que dá uma cara bem única pra banda. fica como se fosse uma mistura de melodias pop muito bonitas a lá Guided By Voices, cruzando com Strategies against Architecture, do Einstüerzende Neubauten.



além disso, em algumas faixas ao longo de sua discografia, como em Hoboerotica do segundo EP (1996), ou na linda "The Only Useful Word" do disco Fantastic Spikes (1997), ou na Roost in Peace do incrivel Obtainium (2002) o Skeleton Key soa inconfundivelmente influenciado pelos sons de Tom Waits (que pra mim é "O CARA" dentre todos os caras!) e isso bastou pra que eu ficasse completamente refém da banda: virei fã daquele tipo que fica entrando toda hora no site da banda pra ver se rola novidades.


infelizmente por um bom tempo a banda se desmantelou. Eric Sanko andou fazendo uns trampos solos, esporádicos, além de outras ocupações que o cara deve ter na vida (sou fã, mas realmente não me interesso pela vida pessoal do cara). depois de ter lançado Obtainium pelo selo Ipecac (de Mike Patton e Dale Crover) em 2002, o SK lançou por conta própria, 3 anos depois, o EP de 5 sons The Lyons Quintette. não houve repercussão - óbeveamente - a não ser pela crítica ávida por coisas diferentes, e pelos fãs. agora, depois de 7 anos, o Skeleton Key volta com outro play sensacional: Gravity is the Enemy. nesse disco (que tem um trabalho gráfico que por si só já vale o cd) o sr Sanko reinterpreta algumas antigas composições da banda - incluindo a citada Spineless, além de um punhado de sons novos.



É bem dificil encontrar qualquer coisa do Skeleton Key pela rede, principalmente por falta de raízes e shares, e não vou dar de mão beijada esse último Gravity is the Enemy, porque a banda acabou de lançar e tem que vender um pouco (compre que vale a pena); mas pra compensar, o altnewspaper vai mandar como presentinho (no fim desse post) os trampos antigos da banda: o Fantastic Spikes Through Balloon, de 1997, que foi nominado ao Grammy no ano de lançamento por melhor disco alternativo, ou banda novidade, não sei (?...) qualquer que seja a categoria, um ato incomum pra esse tipo de premiação; O Obtainium de 2002, lançado pela Ipecac; o The Lyons Quintette, EPzinho de 5 musicas independente; e uma coletanea de Remixes de uns negos fodões (DJ Spooky, Foetus, Dan the Automator, Paige Hamilton, entre outros), sem data definida, que encontrei no bom e velho slsk!


Skeleton Keys - Discos

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1 comentários

  1. o primeiro disco foi indicado pro Grammy (ou até ganhou, não lembro) pelo projeto gráfico, que é bem lok

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