Tudo é uma cópia da cópia da cópia

por - 14:08

jacob-wants-to-be-brutal

E então que neste domingo eu fui a um show na capital. Como de costume, me preparei psicologicamente para o que eu veria nesta apresentação, afinal de contas a principal banda da noite era a Maldita. Era a principal atração da noite, mas não a única.


Antes da Maldita tocar, ainda subiriam ao palco a Red Butcher, banda paraibana que faz um som diferente de tudo que já foi produzido por aqui e do que é produzido por aí também. Eles fazem um stoner/doom/sludge, estilos pouco difundidos., e a Desalma, grupo pernambucano que também faz um som pesado, meio thrash, meio death, muito massa, principalmente pelos seus contratempos e por não fazer um som parecido com nada que é produzido por aqui e por aí. Acho essa duas bandas ímpares e por isso estava lá neste show. Nada contra a Maldita, mas não era por eles que eu estava lá, mas parecia que era só eu.


O evento começou com a Red Butcher, o varadouro estava cheio de camisas pretas, camisas pretas que esperavam pela Maldita, e como de costume, poucos deram atenção à primeira banda, que além de ser instrumental, não era quem eles estavam ali pra ver. Uma pena que isso ainda aconteça, eu mesmo pago ingresso pra ver tudo, principalmente pra ver coisa nova, mas não era pra isso que aquela galera toda estava por lá. Coisa nova.


A Desalma como já fez outros shows por aqui, teve mais público que a Red Butcher, o que se deve também pelo fato da banda fazer um som mais aceitável aos ouvidos daquele público, e eles também já tem seu EP rolando por aí, o que facilita muito pra quem nunca passou na MTV. O show do Desalma foi massa demais, teve até poga, e eu entrei... de chinelos.


Aí veio a banda da noite, a Maldita, que em minha opinião não é um grupo ruim, só faz um som que já foi feito, e isso mata. Me resumi a observar o cúmulo de gente que só pagou o ingresso pra ver os caras, uma pena e um tremendo desrespeito com os outros artistas da noite. O lado bom dessa história foi que a casa lotou dos camisas pretas. O tais camisas pretas, roqueiros, bangers, por que são tão preconceituosos?


O que presenciei nesta noite, foi algo que já venho percebendo há um tempo: os camisas pretas, roqueiros, bangers, hippongos, essa galera em geral; gostam das coisas que já foram feitas, sons iguais, parecidos, simulacros, cópias. Eles não só gostam, como também o fazem. Vejo também na capital, um surgimento de várias bandas que fazem um som todo igual, fica até difícil de saber quem é quem. É um ciclo viciante, uma parte da cena que não acrescenta em nada, bandas independentes que descaradamente copiam gruposs consagrados, esperando que alguém note seu som, mas foi mal aí pra quem faz isso, só quem vai sacar esse som repetido, serão estes ditos camisas pretas que querem cópias dos seus grandes ídolos.


Se alguém ainda não entendeu o que eu significo com sons que já foram feitos, lembrem-se das cópias do Los Hermanos que vieram depois deles, assim fica mais fácil? No caso da Maldita, é mesmo necessário que eu diga qual a grande inspiração da banda? Acho que a galera acha que ter influência é copiar. Essa situação se torna uma faca de dois gumes, de um lado a banda cópia, do outro, o público que quer um placebo de seus ídolos, e quem mais sai prejudicado nesta história são aqueles artistas que se dedicam a fazer um som legitimamente autoral e próprio, usando conscientemente de suas influências, mas não pondo os acordes de hinos em suas canções.


Acredito que toda essa questão de falta de originalidade deve ser a razão que em pleno século XXI mesmo com a decadência das gravadoras e descentralização do poder midiático, shows de bandas covers ainda atraem e agitam galeras. Parece que o povo gosta mesmo é daquilo e cabôsse, aquele velho feijão com arroz, não querem se dar o trabalho que eu acho muito satisfatório de conhecer uma banda nova, um som novo, baixar um disco novo pra ver se ele é bom ou não.


Talvez falte mesmo uma conscientização dessa galera dos simulacros, conscientização essa que deve partir dos produtores para o público. Não custa nada anunciar mais as bandas que estão produzindo, divulgar para o povo que o show não terá só a headline. Bem, já que eu fiz a propaganda do Red Butcher, vou deixar aqui um vídeo que eu fiz do show deles:



Obs.: Gostaria de salientar a atitude do Coletivo Mundo, produtor do show citado, em incentivar o público a chegar cedo ao show para presenciar as primeiras bandas, colocando um preço mais barato pra quem chegasse mais cedo.

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2 comentários

  1. mandaram bem no cover de Funeralopolis do Electric Wizard, também gosto muito de stoner/doom metal mas é difícil surgir uma banda com esse estilo por aqui..

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  2. Belo artigo. O metal é muito bacana, o que estraga são os metaleiros e o tesão em ser um pastiche safado, pena ser um tabu discutir isso com os camisas pretas

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