Auauau, Hi-ho hi-ho, Miaumiaumiau, Cocorocó

por - 14:08

pink_floyd_animals


Existem discos que são feitos por um pessoal que tomou tanto ácido, que você fica brisado de tabela. Eu poderia tentar listar todos eles, mas seria um saco e talvez eu demoraria toda minha vida. Tenho coisas mais importantes a fazer, não? Mas bem, um desses álbuns, preciso compartilhar com todo mundo, com o maior número de pessoas que consigo, pois a parada é um tanto quanto assustadora.


O disco em questão é o Animals, da já mais que consagrada banda Pink Floyd. O nome do álbum é por causa daquele livro que você provavelmente leu na escola, A Revolução dos Bichos, do jornalista inglês George Orwell, e na real, todas as faixas tem uma relação direta com a obra. E é aí que a coisa começa a apertar.


Num belo dia, na verdade foi na mesma época daquele texto do King Crimson, comecei a cair de cabeça nessa psicodelia, depois de vencer o preconceito. E toda essa fase era uma bosta: eu não dormia direito, passava madrugadas me retorcendo na cama por conta de uma gastrite (que continua aqui! Viva a medicina!) e tentava descansar sempre ouvindo um som. Eis que um belo dia, coloquei o Animals pra tocar.


Manja aquela hora que você não tá dormindo, mas também não tá acordado? É tipo um estágio-pré-sono que o Foucault poderia escrever um livro de 800 páginas, se não tivesse morrido. Enfim, nesse estado, comecei a ficar atormentado: uns barulhos de gente forçando uma grade, uns cachorros latindo e uns sons feitos pela banda para deixar tudo mais absurdo. Comecei a me retorcer, ficar com medo, eles iam me pegar, eles iam me pegar!


Ai depois veio um som mais suave e ainda assustado (eu ainda estava naquela brisa de não estar dormindo nem acordado), acabei me acalmando, mas quando as guitarras chegaram, eu voltei a ficar louco. SAI PORRA! Era só isso que eu pensava. Parecia um puta pesadelo, mas eu estava tão dentro da atmosfera do disco, que era real, bem real. Talvez fossem meus demônios, porque eu não tinha usado drogas.


Foi rolando o som e eu fui ficando mais perturbado, a cada momento que me mexia, a parada ficava mais tensa. Reza uma lenda que se você tomar benflogin e ouvir Pink Floyd, a noia será tão grande, mas tão grande, que você nunca mais vai fazer essa combinação para se sentir um hippie bunda-mole ou uma hippiezinha peludinha.


Desse texto vocês devem tirar a seguinte lição: não ouçam o Animals quando estiverem fodidos. Se quiserem alguma emoção vindo de animais, ouça a música que deu título a essa matéria, do Os Saltimbancos, vai por mim. Nunca misture esse disco com esse pré-sono. E o mais foda de tudo: tentei ouví-lo umas dez ou quinze vezes no dia a dia e não obtive sucesso na loucura. Essa porra é tipo um iDoser que funciona quando quer.

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2 comentários

  1. Vale é ouvir os show da turnê do animals...

    É puro blues nos solos do Gilmour, agressividade do Roger além da cusparada, rojões e histeria da galera e as melhores versões de Dogs, Shine On e Us and Them.

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  2. olha que essa coisa de saltimbancos é bem relativa hein. lembro de umas noias pesadas quando eu pirralha escutava "esconde esconde cabra cega" hahaha.

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